Vinícolas em Portugal: sugestões para um bate-volta a partir de Lisboa

Vinhas da Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Vinhas da Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Uma das coisas que mais me perguntam sobre Lisboa é como ter uma experiência com vinhos numa curta temporada. Bom, a grande estrela das regiões vinícolas em Portugal é o Douro, no Norte do país. O Alentejo, ao Sul de Lisboa, também tem belas herdades e quintas que merecem sua visita. E, por mais que seja verdade que Portugal é um país pequeno e pode ser percorrido de norte a sul em poucas horas, também é verdade que pegar horas de estrada para viver uma experiência vínica curta não vale a pena – nem nas férias. Para te ajudar a programar sua visita a vinícolas nos arredores de Lisboa, aqui está esse post. 

Por dentro de um mercado de vinhos em Lisboa

Vinícolas em Portugal para conhecer desde Lisboa

A região de Lisboa vem afirmando sua produção vínica e não são poucas as quintas e herdades que fazem vinhos de qualidade e que oferecem programações que vão além do básico “visita às caves + prova”. Não que haja algo errado em fazer só o básico, mas se o assunto é vinho, queremos um pouco mais, certo?

Prova de vinhos na Manzwine, em Cheleiros. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Prova de vinhos na Manzwine, em Cheleiros. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Uma boa experiência é visitar a Manzwine, em Cheleiros. São pouco mais de 20km que separam Lisboa dessa vinícola, uma iniciativa do brasileiro e ex-jogador de futebol André Manz na região de Mafra. André fez renascer uma pequena aldeia portuguesa com seu projeto de produção de vinhos. Com apoio da comunidade local e muita pesquisa, André praticamente reconstruiu o vilarejo, dando nova vida a espaços abandonados.

Entre os destaques do seu projeto está o Lagar do Vinho, que ocupa o prédio onde outrora foi a escola municipal da vila. Para os que apreciam histórias do vinho, a Manzwine tem ainda outro diferencial: ter resgatado para o mercado a casta Jampal, uva branca que estava em vias de desaparecer e hoje dá corpo ao elogiado Dona Fátima.

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Restaurante na Quinta do Gradil: almoço com vista para a vinha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Restaurante na Quinta do Gradil: almoço com vista para a vinha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Almoço harmonizado numa vinícola

Ainda no distrito de Lisboa mas já bem pertinho de Óbidos, a Quinta do Gradil é outra casa que vale a pena ser visitada durante uma estadia na capital portuguesa. Basta uma hora de viagem desde Lisboa para chegar a essa quinta de arquitetura colonial onde os vinhedos seguem para além de onde a vista alcança.

A Quinta do Gradil tem um simpático restaurante que oferece menus harmonizados (com agendamento), além da visita básica com prova de vinhos. Além disso, a Quinta do Gradil frequentemente tem programações especiais, como as vindimas ou fins de semana familiares. Vale se informar sobre a agenda deles.

Arquitetura futurista na Adega Mãe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Arquitetura moderna na Adega Mãe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Ali pelos arredores, a Adega Mãe tem uma proposta diferente. Pertencente ao grupo Ribeiralves (você já viu esse nome em caixa de bacalhau), a Adega Mãe se destaca na paisagem pela arquitetura moderna. Muito concreto e linhas simples dão forma a essa vinícola que impressiona mal a gente sai do carro. A proposta aqui é ambiciosa e a atmosfera, quase futurista.

A Adega Mãe tem diversos programas de provas de vinho e também propostas de brunch, almoço e jantar harmonizados com pré-agendamento. Uma bela sala com janelão de vidro voltado para as vinhas e um lindíssimo lustre de ar bem aristocrático complementam a experiência.

Provamos (e nos surpreendemos com) o novo menu do restaurante Panorama, em Lisboa

Jardim do Palácio Bacalhôa. Foto: Divulgação / Bacalhôa
Jardim do Palácio Bacalhôa. Foto: Divulgação / Bacalhôa

Enoturismo no Alentejo

Antes de mais nada, cabe dizer que essa é a maior região de Portugal. O que quer dizer que programar uma experiência vínica no Alentejo desde Lisboa requer certo cuidado ou você pode acabar enfrentando as intermináveis horas de estrada de que falamos lá na abertura do post.

Uma opção – que tecnicamente ainda não é Alentejo, mas é como se fosse, porque está ali às portas (e um português ainda vai me dar um puxão de orelha por esse comentário) – é a Bacalhôa, em Setúbal. Um dos maiores produtores de vinho em Portugal, o grupo Bacalhôa tem quintas em algumas regiões do país, mas a de Setúbal é uma das mais bonitas, com um palácio adornado em azulejos dos séculos XV e XVI e um belo jardim. Há ainda um museu que pode ser visitado e, claro, provas de vinhos estão incluídas na programação.

Sala de provas da Cartuxa, em Évora. Foto: Divulgação / Cartuxa
Sala de provas da Cartuxa, em Évora. Foto: Divulgação / Cartuxa

Na ‘casa’ do Pêra Manca

Agora já verdadeiramente no Alentejo, a Fundação Eugénio de Almeida, também conhecida como Cartuxa, é a razão pela qual muitos brasileiros colocam Évora no roteiro de viagem por Portugal. A Cartuxa é a produtora do mítico vinho Pêra Manca, que no Brasil facilmente ultrapassa o preço de venda de R$ 2 mil, dependendo da safra.

A vinícola Cartuxa fica bem pertinho do centro de Évora – atenção, não confunda com a enoteca da marca no meio da cidade. Essa é uma boa opção para quem sei de Lisboa de trem (são 15 minutos de carro da estação até lá). Os trens de Lisboa para Évora saem da estação do Rossio e a viagem dura cerca de uma hora e meia.  

A chegada à Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
A chegada à Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Um passeio pela Herdade do Esporão

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no Alentejo – sem perder o espírito bate-volta deste post – a Herdade do Esporão está de portas abertas para diversos tipos de programas: vindimas, visita às vinhas, provas de vinhos, almoço ou jantar no restaurante (temporariamente fechado, com reabertura prevista para 1º de janeiro de 2018).

A Herdade do Esporão também produz seu próprio azeite e oferece programas que incluem ainda a visita aos olivais. Essa é uma viagem um bocadinho mais longa que as outras, mas no Esporão há uma grande diversidade de propostas que justificam a visita, como o passeio de bicicleta pelas vinhas.

As bicicletas para visitantes na Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
As bicicletas para visitantes na Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Bate-e-volta de Lisboa: um dia de vinhos

No Esporão, pode-se ter uma aula sobre sustentabilidade e produção vinícola, colheita do azeite, visitar as plantações e passar pelo Campo Ampelográfico. Essa é uma espécie de área de testes da herdade, onde algumas castas novas são plantadas para que os produtores possam entender como ela se comporta no terreno e no clima alentejano e decidam se vale ou não investir naquela uva. Encerra-se o dia no bar, com provas de vinhos e petiscos.

Nós passamos um dia no Esporão a convite da herdade e da empresa One Day Wine Experience, que – como o nome sugere – organiza passeios para experiências vínicas de um dia nos arredores de Lisboa. Basta ao viajante escolher, entre as quintas parceiras, aquela que quer visitar. Um carro da empresa pega os clientes no ponto de encontro marcado (seja hotel, apartamento ou outro ponto de referência) e cuida de tudo no passeio, inclusive de sugerir um programa que esteja mais adequado às suas expectativas.

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Petiscos da Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Petiscos da Herdade do Esporão. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Quando visitar vinícolas em Portugal

A época ideal para visitar vinícolas em Portugal vai variar de acordo com seus interesses. Se você quer participar de uma vindima, por exemplo, terá que se programar para estar por aqui entre agosto e setembro – e ainda precisa ter em mente que a colheita das uvas é definida de acordo com a incidência de chuva e de sol a cada temporada. Logo em seguida às vindimas, com a chegada do outono, tons alaranjados começam a tomar conta da paisagem. O inverno é época de poda, os campos já não estão tão bonitos, mas as provas de vinhos e refeições harmonizadas são igualmente interessantes. Na primavera, as vinhas vão estar mais verdinhas.

Apenas saiba que quase sempre as visitas precisam ser previamente agendadas e que é muito comum que as quintas, especialmente as menores, estejam de portas fechadas aos domingos e feriados. E também não esqueça da máxima antes de programar sua visita a uma vinícola portuguesa: se beber, não dirija.

Quer saber mais sobre o que visitar em Lisboa e arredores? Entre em contato e saiba como ter um guia de Lisboa personalizado, com o Almost Locals Experience.

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