Viajar pelos Açores: o que você precisa saber antes de visitar o arquipélago

Ilha de São Miguel, Açores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ilha de São Miguel, Açores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Eu confesso: quando comecei a pensar em visitar os Açores achei que em dez dias teria rodado todas as ilhas e visto tudo o que se há para visitar no arquipélago. Tolinha… Nem precisei avançar muito na pesquisa para entender que viajar pelos Açores exige tempo e um bocado de planejamento.

Felizmente há boas ferramentas para ajudar a entender um pouco dessas ilhas no meio do Oceano Atlântico. E uma delas é o site oficial do turismo local, o Visit Azores, que tem uma série de informações essenciais para o viajante que quer conhecer os Açores. Também felizmente há cada vez mais viajantes profissionais descobrindo os Açores e compartilhando com o mundo suas experiências. 🙂 Reunimos aqui o essencial que você precisa saber antes de começar a planejar sua viagem para os Açores.

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Marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Um pouco de geografia açoreana

Os Açores se compõem por 9 ilhas subdivididas em três grupos: Oriental, formado por Santa Maria e São Miguel; Central, formado pela Terceira, Graciosa, Pico, São Jorge e Faial; e Ocidental, formado por Flores e Corvo. No total, a população açoreana tem cerca de 250 mil pessoas, sendo as maiores concentrações populacionais em São Miguel e na Terceira. A ilha com menor densidade demográfica é o Corvo, com cerca de 450 habitantes.

Embora a natureza seja a grande vedete em todas elas, cada ilha tem uma personalidade própria, proporcionando diferentes experiências. O Pico, por exemplo, além de ter forte produção vinícola, é também o lugar onde se pode escalar a montanha mais alta de Portugal. Flores tem natureza exuberante e praticamente intocada. A Terceira tem em sua capital, Angra do Heroísmo, uma cidade que é Patrimônio Mundial da Unesco. São Miguel, a maior ilha do arquipélago, tem patrimônio histórico, belezas naturais e uma cena cultural e gastronômica florescente.

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Ilhéu de Vila Franca do Campo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ilhéu de Vila Franca do Campo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Viajar pelos Açores

As principais conexões aéreas entre o continente e as ilhas são centradas em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, e em Lajes, na Ilha Terceira. É possível comprar voos para outras ilhas, como São Jorge ou Faial mas eles farão escala nessas ilhas principais. Recentemente os Açores passaram por uma abertura de mercado para companhias aéreas e low costs como Ryanair e Easyjet voam para lá. No entanto, a conexão entre ilhas é feita pela Azores Airlines, que também é a companhia aérea com maior frequência de voos do continente (com partidas de Lisboa, Porto e Faro) para as ilhas.

Coisas para ter em conta antes de comprar sua passagem low cost

Praia do Areal de Santa Bárbara, em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Praia do Areal de Santa Bárbara, em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Está pensando em viajar pelos Açores de barco? Pois saiba que a conexão marítima entre ilhas não é bolinho não. A ver: apenas uma empresa, a Atlanticoline, faz esse serviço. No entanto, essa conexão só é frequente entre as ilhas de um mesmo grupo. Ou seja, entre o Corvo e as Flores é possível viajar de barco o ano todo, com a viagem variando entre 40 e 100 minutos, dependendo do porto de chegada e partida. No Grupo Central, Faial, São Jorge e o Pico são conectadas por barco o ano inteiro, com as viagens durando entre 30 minutos e uma hora. Já a ligação dessas ilhas com a Graciosa e a Terceira, embora estejam no mesmo grupo, são sazonais e só acontecem no período de verão, iniciando entre maio e junho e terminando em setembro.

O mesmo vale para as ligações marítimas entre a Terceira e São Miguel ou Santa Maria. Nesse caso, estamos falando de viagens em alto mar que podem variar 3 horas a mais de 5 horas, dependendo do destino. Barco não é a sua aventura preferida? Bora lá conferir os horários da Azores Airlines, então.

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Vista panorâmica da estrada em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Vista panorâmica da estrada em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Açores sobre rodas

Na Ilha de São Miguel, ter um carro vai ser uma mão na roda. Peço desculpas pelo trocadilho infame, mas é mesmo verdade. São Miguel é relativamente grande e tem pelo menos quatro pontos centrais para serem explorados. Quem ficar hospedado em Ponta Delgada e quiser ver a cena de surf na Ribeira Grande ou visitar a Fábrica de Chá da Gorreana, por exemplo, vai precisar de carro para esse trajeto.

A boa notícia é que as estradas em São Miguel são bem conservadas e bem sinalizadas. Sem falar que são uma surpresa atrás da outra, seja pelas vistas panorâmicas, pela presença constantes de pastos com vacas ou pelo trânsito interrompido por uma manada cruzando a pista. Nosso carro cedido pela Autatlantis era um modelo básico de 2 portas e atendeu bem. Ajuda bastante o fato de a estrutura de pontos turísticos em Ponta Delgada estar bem organizada, com acesso fácil a boa parte das atrações.

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Cotidiano no Rabo de Peixe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Cotidiano no Rabo de Peixe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Mãe Natureza: #respect

É preciso estar aberto para explorar as ilhas conforme a vontade da natureza. E, honestamente, para a urbanóide aqui, não estar no controle foi ótimo. A primeira prova que eu tive de que nos Açores você precisa estar de coração aberto foi o passeio para a observação de cetáceos com a Picos de Aventura. Estava um dia lindo, o fim de março é uma das melhores épocas para se ver baleias e golfinhos e, no entanto, depois de 3 horas em alto-mar, nós voltamos para terra firme sem avistar sequer uma barbatana distante. Fazer o que? Os animais não estão num aquário à nossa disposição, certo?

A prova número 2 de que nos Açores a natureza está no comando veio quando fomos explorar a região de Sete Cidades. Coincidentemente, era o dia mais frio e chuvoso da semana que passamos em São Miguel. Nosso guia na Keep Walking Azores, bom conhecedor da área, foi quem nos salvou de só ver paisagens cobertas pelo nevoeiro. Jorge mudou um pouco o roteiro e salvou nosso dia, levando-nos aos melhores lugares possíveis num dia como aquele. E, sabe, há muita beleza também num dia cinzento nos Açores.

Neblina densa em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Neblina densa em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Quer saber mais sobre o que visitar nos Açores? Entre em contato e saiba como ter um guia de viagem personalizado, com o Almost Locals Experience.

A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

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