Almost Tourists: Um verão na Costa Esmeralda, Sardenha

Praia de Baja Sardinia. Foto: Leonardo Mesquita
Praia de Baja Sardinia. Foto: Leonardo Mesquita

Quando se fala em Sardenha, muita gente pensa nos cruzeiros que oferecem visitas a vilarejos que se tornaram grandes polos turísticos. Outros tantos se lembram da galera que viaja a bordo de iates ou dos que não abrem mão de curtir seus dias de praia em beach clubs onde o aluguel do kit barraca-e-espreguiçadeira, mesmo distante da água, custa 80 euros (os preços aumentam conforme você se aproxima do mar). Mas é possível fazer uma viagem pela Costa Esmeralda que cabe no bolso e no perfil de viajante independente. Fica aqui comigo, que eu te dou as dicas. 

O marco da Costa Esmeralda. Foto: Flávia Motta
O marco da Costa Esmeralda. Foto: Flávia Motta

Chegada

Alugamos um carro em Florença e fomos até o porto de Piombino para pegar o ferry e descer em Olbia, de onde seguimos até Santa Teresa di Gallura, um vilarejo na Costa Esmeralda já longe do agito. A viagem, pela Mody Ferries, levou por volta de seis horas e nosso barco era muito engraçado, temático do Looney Tunes. Então tinha parquinho, piscina infantil, restaurante, lanchonete, loja… Eu diria que foi o aperitivo de um cruzeiro (risos).  

O clima animado no ferry para a Sardenha. Foto: Flávia Motta
O clima animado no ferry para a Sardenha. Foto: Flávia Motta

Hospedagem

Optamos por ficar numa cidade com algum comércio para não precisar do carro à noite. Santa Teresa di Gallura se mostrou uma ótima opção por três motivos: os preços de hospedagem e alimentação eram razoáveis; tinha um centrinho para bater perna à noite (aquela vibe de cidade litorânea, com pracinha, feira de artesanato, e um clima ‘Rua das Pedras’ sem lojas de grife); ficava numa posição central para várias boas praias.

Descubra por que o Algarve é uma ótima escapada de verão desde Lisboa

Rotina

Todos os dias tomávamos café da manhã no hotel e íamos ao supermercado nos abastecer de frutas, água e sanduíches de antepastos italianos para levar para a praia, já que nem todas têm infraestrutura e ficar com fome sob o sol não é exatamente meu ideal de férias de verão. Percorríamos duas praias por dia e chegávamos em Santa Teresa já quase à noite. Era o tempo do banho e de sair para jantar.

Centrinho de Santa Teresa di Gallura. Foto: Flávia Motta
Centrinho de Santa Teresa di Gallura. Foto: Flávia Motta

Litoral

As águas ao redor da Sardenha são frescas e sempre transparentes, mas as praias podem ser de areia branca e fina (com pedras, sem pedras), de areia avermelhada e de cascalho. Eu baixei no celular um aplicativo de praias da Sardenha (Spiagge della Sardegna) que era bem básico mas dizia se as praias tinham infra, se ficavam muito cheias e como era o ‘chão’. Funcionava offline e foi uma mão na roda. Além disso, buscava praias pelo GPS do carro e em dois mapas turísticos. Essa região em que me hospedei tem praia também para esportes como kitesurf, mas eu tentei ficar nas praias sem vento. Digo tentei porque em algumas praias venta forte dependendo do horário. É chato mas, coincidentemente, no único dia da nossa estadia em que não ventou, chuviscou um pouco à noite.

O incrível mar da Sardenha. Foto: Leonardo Mesquita
O incrível mar da Sardenha. Foto: Leonardo Mesquita

Praias que visitamos

. Capo Testa – É uma das mais pops perto de Santa Teresa di Gallura. A areia é branca e fina, há algumas árvores para se abrigar do sol e é mais frequentada por famílias. O lugar tem um quiosque que vende bebidas e snacks a preços aceitáveis. Conseguimos estacionamento gratuito.

. Cala Sabina – Você chega num estacionamento pago de terra batida, olha em volta e vê um túnel. Do outro lado está uma praia incrível de areia branca e fina com beach club e espaço de sobra para a ‘farofa’. Tem famílias com crianças e gente no clima de azaração. No horizonte, vários iates (e outros barcos, que eu não sei identificar).

Capo Testa vista a partir das duas extremidades. Foto: Flávia Motta
Capo Testa vista a partir das duas extremidades. Foto: Flávia Motta

 

. Baja Sardinia – É uma pequena baía com hotéis à beira-mar. Alguns do canto esquerdo são bem na areia e têm animadores divertindo os hóspedes. O canto direito é mais sossegado e mais distante da infra. A areia é clara e o mar é calmo. 

 

Barca Bruciata: uma das preferidas das férias na Sardenha. Foto: Flávia Motta
Barca Bruciata: uma das preferidas das férias na Sardenha. Foto: Flávia Motta

 

. Razza di Junco – Perdidos na região de Arzachena, vimos a placa na estrada e resolvemos apostar. Encontramos uma baía de areia clara, água calma com fundo de cascalho, semideserta. Fomos pela manhã e voltamos outro dia à tarde e foi aí que encontramos um vento desagradável.

. Barca Bruciata – Acessível pela estrada depois de uma trilha curta, essa baía é encantadora. A água é transparente e muito calma, há algumas pedras, muitas árvores no entorno e muitas crianças. Só encontramos a praia porque vimos uma dezena de carros parados no meio do nada e desconfiamos de que poderia ter alguma praia legal por ali. Essa, aliás, é uma boa dica: se vir muitos carros na beira da estrada, pode ter certeza de que por ali há uma praia escondida.

Perto do centrinho de Santa Teresa di Gallura fica a praia de Rena Bianca, uma pequena faixa de areia branca. Fomos no fim de tarde e ventava muito, achamos bonita mas nem perto das outras que vimos.

Comida

O forte da Sardenha são o queijo pecorino (a ilha produz mais da metade do queijo de ovelha produzido em toda a Itália), o vinho local e os frutos do mar. Fazíamos nosso piquenique na praia e à noite jantávamos em Santa Teresa mesmo. Tivemos boas experiências no Il Giardino (risoto de frutos do mar e prancha de frutos do mar maravilhosos) e no Lampara (espaguetone com siris no molho vermelho).

Praia de Rena Bianca, em Santa Teresa di Gallura. Foto: Flávia Motta
Praia de Rena Bianca, em Santa Teresa di Gallura. Foto: Flávia Motta

 

Deslocamento

Alugar um carro foi fundamental para explorarmos a região. A ilha da Sardenha é enorme e as estradas têm muitas curvas, o que acaba deixando as distâncias mais longas para serem percorridas. Sem um GPS não teríamos encontrado as melhores praias, selvagens, que não têm placas oficiais indicando. Ainda assim, nos perdemos algumas vezes e isso nos rendeu boas descobertas.

A volta 

Saímos do mesmo porto onde chegamos, mas dessa vez com direção a Roma, aeroporto Fiumicino, onde deixamos o carro com a certeza de que a Sardenha ainda deixou muito para a gente voltar e explorar.

Este post foi originalmente publicado no blog As Viajantes.

Siga Almost Locals no Instagram
Não perca nenhum post Almost Locals no Twitter
Acompanhe a página Almost Locals no Facebook

Cala Sabina sob três pontos de vista. Foto: Flávia Motta
Cala Sabina sob três pontos de vista (clique para ampliar). Foto: Flávia Motta

Comments

comments

Tags desse artigo
,
Escrito por
More from Flavia Motta

Quatro pubs que merecem sua visita em Lisboa

Chope em por aqui é imperial. Mas se você é mais do pint...
Leia Mais