Saiba o que fazer em um dia nas Furnas, na Ilha de São Miguel, Açores

Vale das Furnas. Foto: Reprodução / Wikimedia
Vale das Furnas. Foto: Reprodução / Wikimedia

Existem duas razões principais que levam as pessoas que visitam a ilha de São Miguel, nos Açores, a Furnas: o cozido e as águas termais. No lado oriental da ilha, o Vale das Furnas fica, na verdade, dentro da cratera do vulcão de mesmo nome, considerado um dos mais ativos da ilha. É essa atividade vulcânica que aquece parte do solo e das águas desse pedaço de São Miguel, fazendo com que ele se torne uma atração imperdível para quem visita a maior das ilhas açorianas.

Foi com muito nevoeiro e chuva fina que começou nosso dia programado para visitar as Furnas. Saindo de Ponta Delgada, são 42km até o Vale das Furnas, tendo por Vila Franca do Campo no meio do caminho. Foi nossa deixa para fazer uma pausa e conhecer o famoso Ilhéu de Vila Franca do Campo, uma paisagem que quase todo mundo já viu quando o assunto é Açores.

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Ilhéu de Vila Franca do Campo: nossa expectativa. Foto: Reprodução / Todo Canto do Mundo
Ilhéu de Vila Franca do Campo: nossa expectativa. Foto: Reprodução / Todo Canto do Mundo

Praia dentro de uma cratera de vulcão

Como o nome sugere, o Ilhéu de Vila Franco do Campo é uma ilhota vulcânica que fica bem perto da costa de São Miguel. Do alto é possível ver o formato circular perfeito da cratera que, na temporada de verão, recebe locais e visitantes para banhos. É apenas entre 1º de junho e 14 de outubro que se pode visitar o ilhéu e há um limite de 400 visitantes por dia, razão pela qual é altamente recomendável comprar seu bilhete com antecedência, caso você pretenda fazer esse passeio.

Nós, em março, não tínhamos essa opção, e nos contentamos em olhar o ilhéu de longe mesmo. Inicialmente da costa de Vila Franca e depois da Ermida de Nossa Senhora da Paz. Construída no alto de um morro, a Ermida data do século XVIII e é um dos principais miradouros dessa região da Ilha de São Miguel. Da costa até o alto do monte, um caminho de hortênsias vai preparando seu olhar para a beleza que se vê lá de cima.

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Ilhéu de Vila Franca do Campo: nossa realidade. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ilhéu de Vila Franca do Campo: nossa realidade. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ermida de Nossa Senhora da Paz. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ermida de Nossa Senhora da Paz. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Os melhores miradouros para ver Furnas do alto

Ilhéu devidamente admirado, era hora de rumar mesmo para as Furnas, onde tínhamos um compromisso marcado o cozido. Uma bonita estrada cercada de muito verde dá as boas-vindas a quem chega no vale, até que uma lagoa se abre à esquerda. Naquele dia nublado, uma névoa densa encobria parte da Lagoa das Furnas, dando um ar misterioso ao lugar e permitindo ver apenas um pouco da Ermida de Nossa Senhora das Vitórias, uma igreja em estilo neogótico do século XVII.

Uma trilha leva até o Miradouro do Pico do Ferro, de onde se vê do alto toda a extensão da Lagoa das Furnas. Mas é no Miradouro do Salto do Cavalo, a uns 20 km dali que se pode ver bem como o Vale das Furnas se desenvolveu dentro da cratera do vulcão. Como o céu não convidava a apreciar vistas, pulamos essa etapa e focamos na missão: o cozido.

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Lagoa das Furnas vista do Miradouro do Pico do Ferro. Foto: Divulgação / Governo dos Açores
Lagoa das Furnas vista do Miradouro do Pico do Ferro. Foto: Divulgação / Governo dos Açores
Mata nas Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Mata nas Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Sua majestade, o cozido das Furnas

Prato típico português, o cozido das Furnas tem um preparo especial. A receita é aquela que muito brasileiro já conhece: muitos legumes e muitas variedades de carnes e enchidos preparados juntos numa grande panela. Mas o cozido das Furnas é preparado num buraco sob a terra e leva seis horas para ficar pronto. E mais: parte da graça de ir prová-lo é assistir à sua retirada da terra.

A área das Caldeiras fica logo na entrada do parque de estacionamento da reserva. O vapor subindo da terra dá a pista de que ali é o lugar onde os cozidos estão sendo preparados. O cheiro de enxofre toma conta do ar. Há poças de lama borbulhante, de tão quente. Quando a gente chega perto da zona reservada, vê algumas placas no chão. Com nomes de restaurantes ou números, elas são os indicadores de cada cozido, para que ninguém se engane na hora da retirada.

Pesadas, as panelas de cozido precisam de dois homens para serem retiradas da terra. É por volta de 12h que a cena começa, sendo que cada restaurante tem seu horário de retirada. Os turistas piram nas fotos, no vídeo, nos lives. E depois do mis-en-scene seguem cada um para seu restaurante de escolha para um almoço relaxado.

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Fumarolas nas Caldeiras das Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fumarolas nas Caldeiras das Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Nosso cozido nas Caldeiras das Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Nosso cozido nas Caldeiras das Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Uma experiência sofisticada nas Furnas

Nós fomos convidados a almoçar no Terra Nostra Garden, restaurante do hotel de mesmo nome, que, é um dos mais sofisticados da ilha. No bonito salão com janelões para o jardim, começamos a refeição com um ótimo tártaro de peixe com salada de pepino e molho de salsa e alcaparras, antes de passar para o cozido.

O prato típico é servido ‘desconstruído’, o garçom serve cada pedaço de legume e de carne dando seu nomes. E tome batata doce, inhame, cenoura, couve, chouriço, farinheira, frango, orelha de porco… Um arroz cozido no próprio caldo do prato serve de acompanhamento e você ainda pode pedir que ‘reguem’ sua comida com aquele caldo supersaboroso (recomendo).

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Retirada do nosso cozido em Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Retirada do nosso cozido nas Furnas. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Restaurante Terra Nostra Garden. Foto: Reprodução / Booking.com
Restaurante Terra Nostra Garden. Foto: Reprodução / Booking.com

Uma tarde no jardim botânico

Depois de um almoço, digamos, fortificante, fomos explorar o Parque Terra Nostra, um jardim botânico que logo à entrada tem um tanque de água termal que sai da nascente a uma temperatura entre 35 e 40°C e onde o banho é permitido. Como o dia estava mais frio, era possível ver um vaporzinho subindo daquela piscina de água amarronzada por causa da alta concentração de ferro na água.

Com mais de 200 anos, o Parque Terra Nostra é um lugar de relaxamento e contemplação da natureza. Há aléias convidativas para uma caminhada sossegada e uma grande coleção de camélias. Para facilitar a visita, o parque oferece um mapa com roteiros sugeridos para cada estação do ano, possibilitando ao visitante focar no que o jardim botânico tem de mais bonito para mostrar. Qualquer que seja o roteiro, em uma hora e meia de caminhada visita-se todo o espaço.

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Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Tanque de água termal do Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Tanque de água termal do Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Tanque de água termal do Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Tanque de água termal do Parque Terra Nostra. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Nas piscinas termais das Furnas

Saímos de lá e seguimos para a Poça da Dona Beija, um parque de piscinas termais. A nascente fica dentro do parque e abastece cinco piscinas de tamanhos e profundidades diferentes. As águas têm temperaturas variando por volta dos 28°C. Para quem tem pressão baixa (como eu), é um convite à moleza. Bastaram-me pouco mais de 30 minutos indo de piscina em piscina para ter a sensação de estar chapada e achar melhor trocar o mergulho na água quente por um banho de água (um pouco mais) fria.

O banho de águas termais nas Furnas é muito procurado por quem tem interesse nas suas propriedades medicinais, como auxílio no tratamento de reumatismo, diabetes e doenças de pele. Na região, como a água tem grande concentração mineral, em especial de ferro, há um ‘rastro’ alaranjado por onde ela passa. Pessoas com roupa de banho branca, cabelos loiros e unhas pintadas de esmalte claro também podem sair da água com vestígios amarelados deixados pela água. Por isso, recomenda-se uma boa ducha ao fim do banho termal.

A infraestrutura da Poça da Dona Beija é bem cuidada: há toalhas para aluguel na loja de souvenirs, lockers para guardar suas coisas, e uma área de banhos, para que se possa tirar do corpo aquela água férrea. Tudo ali é pago, desde a entrada à ducha, mas os preços variam entre 1 e 2 euros. Como a Poça da Dona Beija funciona até as 23h, é uma boa ideia de programa noturno depois de um dia de caminhadas pelas Furnas.

Zona de vestiários na Poça da Dona Beija. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Zona de vestiários na Poça da Dona Beija. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Poça da Dona Beija. Foto: Divulgação / Poça da Dona Beija
Poça da Dona Beija. Foto: Divulgação / Poça da Dona Beija

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A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

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