Como fazer trabalho voluntário em Berlim

Nenhum ser humano é ilegal (foto: A.Lim/Almost Locals)

 

Existem vários jeitos de se aproveitar uma viagem. Às vezes, é legal ser totalmente anônimo e passar os dias só no papel de observador, sem interagir com ninguém. Em outras, puxar conversa com o seu vizinho de assento no trem pode revelar uma alma gêmea. OU um grande mala – mas, veja bem, a vida é feita de riscos *shrug*.

(Eu sou do tipo que enfia a cara no livro ou no celular pra não ter que falar com ninguém)

Mas até eu tenho de admitir que a experiência é sempre mais completa quando existe uma troca. Conversar com o motorista do tuk-tuk e saber que ele gostaria de estudar turismo um dia, doar sangue no Camboja e descobrir que a maior parte dos doadores é de estrangeiros (porque os locais não acreditam que o corpo consiga repor o sangue extraído), aceitar um refrigerante oferecido aleatoriamente numa festa em Berlim por uma cantora brasileira famosa por ser excêntrica, vender cerveja para os barcos que passam durante o Dia da Rainha em Amsterdã, tudo isso é o que fica na memória no final.

(todos os casos acima são reais)

Por isso, decidi há um tempo pesquisar oportunidades de contribuir com os lugares que visito. Se não no momento, posteriormente, ou de forma remota. E também nas cidades onde passo mais tempo. Em alguns países, foi mais difícil – algumas informações você só descobre estando lá, falando com locais. Em outros, a velha e boa internet me ajudou bastante. E a verdade é que em qualquer parte existem pessoas que precisam de ajuda.

Oranienplatz (foto:A.Lim/Almost Locals)
Oranienplatz (foto: A.Lim/Almost Locals)

 

Talvez você esteja de passagem por Berlim, já conheça a cidade e tenha vontade de fazer algo diferente. Ou talvez esteja vindo morar aqui e queira conhecer gente. Ou talvez você já seja berlinense há algum tempo, e esteja a fim de retribuir o que a cidade lhe deu de alguma forma? Qualquer que seja a motivação, você não vai se arrepender. E se alguém tiver outras iniciativas para acrescentar, manda pra gente. A lista não é definitiva, de forma alguma, e o melhor jeito de espalhar as ideias é no boca-a-boca mesmo.

  • No Give Something Back to Berlin, você pode fazer um post oferecendo seus serviços ou consultar a lista de “procura-se”, e muitas atividades não exigem conhecimento de alemão.
  • O Vostel é mais recente e tem um site mais organizadinho, que já indica de primeira se uma oportunidade exige saber alemão ou um compromisso a longo prazo.
  • Se você vai passar uma temporada mais longa na cidade, uma possibilidade é se juntar ao grupo Homeless Veggie Dinner no Facebook para saber como contribuir para o jantar mensal organizado por eles. Mesmo que cozinha não seja o seu forte, você pode ajudar na divulgação ou na parte operacional.
  • O Tierschutz Berlin é o abrigo de animais principal da cidade, e tem várias tarefas para quem quer ajudar com a mão na massa…ou na areia dos gatinhos.
  • A American Church in Berlin tem um Learning Cafe, que precisa de voluntários para trabalhar ensinando inglês e alemão, divulgando o serviço ou ajudando na parte administrativa.
  • E agora que o tempo começa a esfriar, é legal acompanhar o grupo do Die Kälte Nothilfe, que presta assistência aos sem-teto.

 

Para ajudar os refugiados em Berlim, percebi que os grupos no Facebook são mais ágeis e atualizados. Cada centro de refugiados necessita de doações e serviços voluntários diferentes, e, como o espaço é limitado, eles pedem que as pessoas vejam nas listas (bedarfsliste) o que é necessário no momento (ou seja, só dê o que eles pedem, nada de aproveitar pra desovar aquele sofá que você odeia – a não ser que eles precisem realmente de um). O próprio Give Something Back to Berlin criou um grupo em inglês chamado Refugee Support Berlin, que acaba redistribuindo informações e links úteis. Doações de roupas e comida neste momento parecem não ser o mais urgente, mas você pode apoiar oferecendo dinheiro/vale-compras/vales para albergues e hotéis/crédito para celular/smartphones com carregador para o grupo (muitos refugiados estão desabrigados, e a cidade ainda não conseguiu criar alojamento para todos). Ou, se você falar algum dos idiomas principais dos refugiados (como árabe, farsi, russo, etc) além de inglês e alemão, pode ajudar muito servindo de intérprete.

Os principais grupos de apoio no Facebook são:

Moabit Hilft

Lichtenberg Hilft

Kreuzberg Hilft

Prenzlauer Berg

  • O Helplinge é bem recente, e pode ser um bom começo para descobrir onde você pode ser útil.
  • Acho que todo mundo já leu sobre o Flüchtlinge Willkommen e achou uma ideia incrível, né? Enfim, se você tem um quarto sobrando e quer receber um refugiado, esse é o canal.
  • O Ohlauer InfoPoint , em Kreuzberg, se tornou um centro de refugiados ano passado depois de um grande conflito, antes mesmo do grande influxo recente, e ainda precisa de doações.

 

Finalmente, se você quer manter sua colaboração num nível com menos compromisso, aqui vão mais algumas coisas que você pode fazer:

  • Você deve ter reparado que existem em toda a cidade uns contêineres para receber roupas e sapatos usados. Essas doações são separadas e processadas, mas a maioria das peças usáveis vão ser revendidas em lojas de segunda mão (cujo rendimento vai para caridade de qualquer forma). Eu prefiro dar as roupas diretamente para os centros que possam redistribuí-las para quem necessita delas.
  • A maioria das garrafas de vidro e PET que comportam bebidas são retornáveis, e incluem um depósito (pfand) que você paga quando compra. As de vidro valem 0,08 centavos, e as PET vão de 0,15 a 0,25 centavos. Se você terminar de beber algo na rua e achar que não vale a pena ir até um supermercado devolver a garrafa, não a jogue no lixo. Deixe do lado ou num cantinho, para que as pessoas que vivem de coletar pfand possam achá-las facilmente. Ou, se você deu uma festa e sobrou com aquele monte de garrafas em casa, você também pode entrar no Pfand Geben e pegar o telefone de alguém registrado no site, que a pessoa vem coletá-las de bom grado. Aqui tem uma entrevista com o criador da plataforma, aliás.
  • No transporte público ou na rua, você já deve ter cruzado com os sem-teto vendendo jornais ou revistas. São publicações criadas especialmente para ajudá-los. Eles vão buscá-las em um centro e as revendem, ficando com o lucro. Eu comprei algumas e…realmente, elas poderiam ser um pouco mais interessantes. Mas há alguns anos, criaram a Streem Magazine, que tem um projeto gráfico mais caprichado e fala sobre arte. E melhor, os sem-teto não pagam para revendê-la pelo preço de EUR 1,50. Aqui tem uma amostra, e se você gostou, pode até fazer uma assinatura direto com eles.

 

Enfim, são várias maneiras de ajudar, em diversos graus de comprometimento. Com a crise atual dos refugiados, a necessidade de voluntários não deve diminuir tão cedo, com pequenas iniciativas brotando espontaneamente aqui e ali. O importante é manter o movimento, seja divulgando ou cedendo seu tempo 🙂 Depois conta pra gente sua história!

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