Tardes musicais: conheça os projetos de shows intimistas em Lisboa

Lisbon Living Room Sessions. Foto: José Fernandes / Divulgação
Lisbon Living Room Sessions. Foto: José Fernandes / Divulgação

O clima tem qualquer coisa de confraria. Mesmo que nem todos os presentes se conheçam, o fato de participarem de um evento só para convidados, cria uma atmosfera especial no ambiente. Há comida, há vinho (ou cerveja), há qualquer coisa de exclusivo no ar e há a música para dar liga a todos esses ingredientes. São assim as novas tertúlias na capital portuguesa: tardes e noites de shows intimistas em Lisboa. De projetos internacionais a iniciativas locais, há opções para se sentir especial no ritmo de diversos estilos musicais.

Uma tarde ‘entre amigos’

Um palacete em Alfama, com janelões que se abrem sobre o Tejo. Na antessala, uma extensa coleção de discos revela o interesse dos donos da casa por música brasileira. Algumas dezenas de pessoas ligadas a áreas tão diversas quanto arte, gastronomia e medicina estão reunidas para uma tarde de vinhos e comidinhas. Mas o que as levou até ali foi Mayra Andrade, cantora cabo-verdiana de voz doce e encantadora. Neste domingo especial, até Maria Gadu – de passagem por Lisboa – apareceu e fez uma breve participação.

Essa era atmosfera numa das tardes do Lisbon Living Room Sessions, evento que há pouco mais de dois anos, um domingo por mês, ocupa um espaço privado em Lisboa para shows intimistas. A atmosfera é descontraída, onde as pessoas se espalham pelos sofás e pelo chão, cada um se serve à vontade – há vinho e um bufê de snacks, que às vezes leva a assinatura da chef brasileira Juliana Magalhães – e os artistas se apresentam como se estivessem cercado de amigos.

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Mayra Andrade e Maria Gadu no Lisbon Sessions. Foto: Pedro Gomes Almeida / Divulgação
Mayra Andrade e Maria Gadu no Lisbon Living Room Sessions. Foto: Pedro Gomes Almeida / Divulgação

A cada mês, uma nova casa de portas abertas

A iniciativa é do português Ricardo Lopes e sua mulher, Joanna Hecker, americana que veio estudar em Lisboa e decidiu fazer da capital portuguesa a sua casa. São eles que organizam essas tardes de música e encontram anfitriões que queiram abrir suas casas para os eventos – e apenas os convidados confirmados têm acesso ao endereço do mês.

Cada ‘sessão’ é única: não apenas porque o local varia mês a mês, mas também porque os artistas e os estilos musicais são sempre diferentes. O mesmo projeto que apresentou toda a versatilidade de Mayra Andrade – que canta em criolo, francês, inglês e português – também já contou com tardes de jazz, choro e outros gêneros musicais.

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Música brasileira em um palacete

De Alfama para o Príncipe Real, chegamos ao palacete que recebe, todos os sábados, o evento Rua das Pretas. O projeto capitaneado pelo músico Pierre Aderne – morador de Lisboa desde muito antes do hype da cidade – foca na música brasileira, naturalmente. Pierre é o mestre de cerimônias de uma noite em que convidados se revezam a seu lado em apresentações curtas, onde o improviso dá o tom.

Nesse esquema sem grandes roteiros, pode-se esbarrar com uma fadista portuguesa cantando Chiquinha Gonzaga ou uma sambista brasileira levando a plateia às lágrimas com Noel Rosa. Fazendo o meio de campo disso tudo, Pierre apresenta músicas suas e abre espaço para uma nova leva de músicos que busca seu espaço em Lisboa.

A plateia tem muitos brasileiros (afinal somos mesmo cada vez mais numerosos em Lisboa) e alguns estrangeiros, que se deixam encantar com a música brasileira. No Rua das Pretas, como no Lisbon Living Room Sessions, o vinho também agrega as pessoas. Bons produtores portugueses marcam presença no evento e a chef baiana Carolina Brito, a Carol do Acarajé, cuida de oferecer delícias bem brasileiras.

Por dentro de um mercado de vinhos em Lisboa

Sofar Sounds Lisbon. Foto: Mariana Narciso / Divulgação
Sofar Sounds Lisbon. Foto: Mariana Narciso / Divulgação

O internacional Sofar Sound também tem lugar em Lisboa

Outra iniciativa ‘exclusiva’ que rola em Lisboa, como em outras cidades do mundo, é o Sofar Sounds. Duas vezes por mês, um endereço diferente se abre para apresentações de artistas iniciantes ou nem tanto (quase sempre três), num evento que se apresenta como “um blind date com a música”. Ou seja, a plateia só descobre quem são as atrações depois de já ter entrado.

Desde 2014, o Sofar Sounds se realiza em espaços públicos tão diversos quanto uma galeria de arte, o jardim de um hostel ou uma oficina de fabricação digital. De novo, a plateia se espalha por onde pode para assistir a shows de artistas como os portugueses Luiz Caracol ou Samuel Uria e ainda alguns estrangeiros de passagem por Lisboa.

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A australiana Gabriella Cohen no Sofar Sounds. Foto: Mariana Narciso / Divulgação
A australiana Gabriella Cohen no Sofar Sounds. Foto: Mariana Narciso / Divulgação

Como participar desses shows intimistas em Lisboa

Cada um desses eventos tem uma dinâmica diferente de participação. No Lisbon Living Room Sess, como no Sofar Sounds, é preciso se inscrever para receber a newsletter que avisa sobre os concertos. Uma vez recebido o convite, é necessário manifestar interesse e esperar confirmação. Quando ela não vem, o jeito é esperar pelo convite do próximo mês. Tanto o Lisbon quanto o Sofar funcionam à base de doações conscientes (e com valores sugeridos que começam em 10 ou 15 euros, conforme o evento).

Já no Rua das Pretas o esquema é um pouquinho diferente. Para participar do evento, basta ficar de olho da página do projeto no Facebook para reservar seu lugar. O bilhete custa 30 euros e inclui os vinhos e a comidinha.

Não importa qual seja a sua escolha, aproveite o espetáculo.

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