A street art que colore (e muito) as ruas de Lisboa

Trabalho dos Gêmeos em Picoas. Foto: Reprodução / Wikimedia

Grafite em Lisboa é coisa séria. Tão séria que a Câmara Municipal de Lisboa (a nossa prefeitura) tem um gabinete só para tratar do tema. É a Galeria de Arte Urbana (GAU), que pertence ao que seria a secretaria de cultura local e que desde 2008 vem organizando a cena de street art na cidade, contando com apoio de gente importante nesse meio, como o português Alexandre Farto, aka Vhils.

Vhils, aliás, é o autor de um dos projetos mais comentados do ano em território português. Artista que domina materiais duros, como o concreto, ele criou um retrato da fadista Amália Rodrigues (possivelmente o maior ícone da cultura portuguesa) em calçada de pedra. A obra fica em Alfama, o emblemático bairro onde mora o fado.

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Amália Rodrigues em calçada portuguesa, por Vhils. Na Rua de São Tomé. Foto: Facebook / GAU
Amália Rodrigues em calçada portuguesa, por Vhils. Na Rua de São Tomé. Foto: Facebook / GAU

Brasil grafitando em Lisboa

Vhils é um dos parceiros da GAU. Através da sua galeria Underdogs, ele ajuda a colocar a Câmara em contato com artistas que estejam de passagem por Lisboa. Assim, ele foi uma peça fundamental para que o brasileiro NUNCA pintasse, em Marvila, um painel ousado, que retrata nosso ‘descobridor’ Pedro Álvares Cabral a pedir esmolas, descalço.

Outra obra de referência em Lisboa é o projeto Rostos do Muro Azul, no muro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, em Alvalade. Desde 2012, o espaço sofreu mais de 70 intervenções de 61 artistas de nacionalidades diversas – entre eles a brasileira Vanessa Rosa – em que a única condição era tratar o tema ‘rosto’ sobre um fundo azul.

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O Cabral do brasileiro Nunca em Marvila. Foto: Facebook / GAU
Amália Rodrigues em calçada portuguesa, por Vhils. Na Rua de São Tomé. Foto: Facebook / GAU
A brasileira Vanessa Rosa no projeto Rostos do Muro Azul. Amália Rodrigues em calçada portuguesa, por Vhils. Na Rua de São Tomé. Foto: Facebook / GAU
A brasileira Vanessa Rosa no projeto Rostos do Muro Azul. Foto: Facebook / GAU

No caminho do turista

Mas se Marvila e Alvalade ficam fora do eixo turístico de Lisboa, há street art também no meio do caminho do visitante. Na Rua de São Mamede, entre a Sé e o Castelo, o artista Gonçalo Mar preencheu toda a ‘murada’ do Museu do Teatro Romano com máscaras romanas, fazendo das janelas, as bocas de alguns personagens.

Em Belém, bem pertinho do Centro Cultural Belém, você encontra o ‘Guaxinão’ de Bordalo II. Esse artista português é conhecido pela arte de rua que faz em três dimensões, reutilizando sucata. Já vi algumas peças dele e o resultado é sempre impactante.

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Máscaras de Gonçalo Mar no Museu do Teatro Romano. Foto: Facebook / GAU
Máscaras de Gonçalo Mar no Museu do Teatro Romano. Foto: Facebook / GAU
Guaxinão de Bordalo II em Belém. Foto: Facebook / Bordalo II
Guaxinão de Bordalo II em Belém. Foto: Facebook / Bordalo II

Outro ponto de referência de street art em Lisboa é o prédio na Avenida Fontes Pereira de Melo em Picoas que traz obras dos brasileiros osgemeos em algumas das suas fachadas (na foto que abre este post). Esse foi possivelmente, o primeiro grande trabalho de arte de rua realizado em Lisboa, em 2010. Não bastasse o traço único dos artistas paulistas, há outro sinal para indicar que há qualquer coisa de Brasil no painel: um símbolo da Petrobras na coroa do reizinho que está sugando o mundo.

Há muito mais arte de rua em Lisboa, se destacando por bairros diversos. Na Baixa, é possível encontrar muitas colagens assinadas por Tinta Crua. Nas ruas internas da zona do Campo dos Mártires da Pátria, os painéis fofos do Utopia. Você nem precisa caminhar com tanta atenção para percebê-las.

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Grafite assinado por Utopia. Foto: Instagram / @mottaflavia
Grafite assinado por Utopia. Foto: Instagram / @mottaflavia
Colagem do Tinta Crua na Baixa. Foto: Instagram / @mottaflavia
Colagem do Tinta Crua na Baixa. Foto: Instagram / @mottaflavia
A Iemanjá de Finok na Rua de Manica. Foto: Facebook / GAU
A Iemanjá de Finok na Rua de Manica. Foto: Facebook / GAU
Painel de Sainer em construção, nas Olaias. Foto: Facebook / GAU
Painel de Sainer em construção, nas Olaias. Foto: Facebook / GAU
Painel do espanhol Okuda na Rua de Marvila. Foto: Facebook / GAU
Painel do espanhol Okuda na Rua de Marvila. Foto: Facebook / GAU
Painel Corleone e Hedof na Rua de São Bento. Foto: Facebook / GAU
Painel de Corleone e Hedof na Rua de São Bento. Foto: Facebook / GAU

A foto que abre este post mostra a obra de osgemeos em Picoas e é uma reprodução da Wikimedia.


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