Sete Cidades: a natureza exuberante na Ilha de São Miguel, nos Açores

Miradouro da Grota do Inferno. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro da Grota do Inferno. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Quando você pesquisa por Açores no Google Imagens, um dos resultados que mais aparece é a Lagoa das Sete Cidades. Considerada uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, essa paisagem protegida é mesmo um dos pontos altos de uma viagem à Ilha de São Miguel, nos Açores. Em nossa temporada no arquipélago, passamos um dia na região de Sete Cidades, visitando lagoas, admirando paisagens verdes, respirando ar puro e conversando muito com Jorge, o guia da Keep Walking Azores, que salvou o nosso dia.

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Sete Cidades vista do alto. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Sete Cidades vista do alto. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Um passeio sob chuva e névoa

Explico: o dia ideal para um tour por Sete Cidades é de céu aberto, para que se possa apreciar as vistas a partir dos miradouros. E isso foi tudo o que não tivemos naquele dia de passeio. Chovia, fazia frio e o céu estava cinza. Ventava o suficiente para, ao pé da Lagoa Azul, vermos a vegetação dançando na encosta da cratera do vulcão. Mas se as coisas deram certo – e deram – foi graças à capacidade do Jorge de reverter aquele quadro.

Primeira parada: Lagoa do Canário. Trata-se de uma pequena lagoa cercada por uma floresta densa composta por árvores bem alongadas. Quando o carro para na estrada perto da lagoa, a gente nem consegue ver água. É preciso caminhar entre as árvores para chegar à beira da Lagoa do Canário e se encantar com aquela clareira. No nosso dia chuvoso, a névoa densa dava um ar meio misterioso ao lugar, lindo.

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Neblina densa em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Neblina densa em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Acesso à Lagoa do Canário. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Acesso à Lagoa do Canário. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Grota do Inferno é o miradouro ideal para ver Sete Cidades

A Lagoa do Canário faz parte do Maciço das Sete Cidades e está dentro de uma reserva natural fechada, com acesso controlado e alguma estrutura para o turista. É possível entrar com o carro no parque ou estacionar logo à entrada e, com uma curta caminhada, chegar à Lagoa do Canário. De lá, a caminhada pode se estender um pouco mais até o Miradouro da Grota do Inferno, o lugar que oferece vistas panorâmicas incríveis das Lagoas de Sete Cidades e que é um dos cenários mais icônicos de São Miguel.

Como o dia estava bem nublado, Jorge achou por bem não perder tempo e levar-nos a outro miradouro, mais baixo, onde, com sorte, as nuvens não atrapalhariam a nossa visão das lagoas. Fizemos uma pausa no Miradouro do Cerrado das Freiras, um lugar certeiro para se apreciar o bonito contraste entre a Lagoa Azul e a Lagoa Verde, admiramos a paisagem mas o céu encoberto mal nos deixava perceber os diferentes tons entre as lagoas.

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Miradouro do Cerrado das Freiras. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro do Cerrado das Freiras. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lagoa Azul vista do Cerrado das Freiras. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lagoa Azul vista do Cerrado das Freiras. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Almoçando em Sete Cidades

Jorge, então, nos levou para conferir de perto aquela beleza. Fomos para a beira das lagoas, dentro mesmo do que já foi a cratera de um vulcão. Primeiro passamos pela Lagoa Verde, que fica com essa cor por causa do reflexo do sol nos sedimentos no fundo da água. Na sequência, parada na Lagoa Azul, que conseguiu me impressionar ainda mais – dá para ver no desenho da vegetação as marcas que a lava deixou no terreno do vulcão.

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Há alguma estrutura para piqueniques ao redor da Lagoa Azul e, nesse trecho, algumas casas de veraneio (e alojamento turístico). Passamos por pessoas fazendo passeios de bicicleta e eu teria ficado algumas horas ali contemplando tanta beleza não fosse o vento frio e a chuva que voltou a incomodar. Partimos para o vilarejo de Sete Cidades, já prontos para o almoço. As opções na região não são muitas. Há um restaurante bonitinho com paredes de vidro bem na beira da lagoa mesmo, mais focado em oferecer comidas leves.

À beira da Lagoa Verde, com o nevoeiro sempre junto. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
À beira da Lagoa Verde, com o nevoeiro sempre junto. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Entorno da Lagoa Azul. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Entorno da Lagoa Azul. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Queijo fresco com pimenta

Nós almoçamos no restaurante Lagoa Azul, que funciona em sistema de bufê e à la carte. Apesar do nome, o Lagoa Azul não fica exatamente à beira da lagoa, mas já dentro da vila, bem perto da igreja de São Nicolau, que dá o toque de cidade do interior à paisagem.

O espaço é simples, sem luxo algum, mas foi lá que descobrimos uma das especialidades da ilha: queijo fresco de vaca conservado na folha de conteira e servido sobre ela. Segundo o guia da Keep Walking Azores, a conteira tem propriedades bactericidas e essa forma tradicional de conservar o queijo mantém seu frescor. Um bom acompanhamento para esse queijo fresco é a pimentinha açoriana, uma pasta de pimenta e sal que tem mais sabor do que picância e é onipresente nos restaurantes tradicionais.

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Igreja de São Nicolau, em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Igreja de São Nicolau, em Sete Cidades. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro da Grota do Inferno. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro da Grota do Inferno. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Depois do sol, passagem pela Vista do Rei

O almoço marcou o fim da nossa exploração de Sete Cidades naquele dia. Diante do mau tempo (que só piorou ao longo da tarde), Jorge achou por bem não insistir mais na região e seguiu conosco para as Termas de Ferraria, um complexo de piscinas aquecidas pelo calor de duas nascentes de água termal, bem à beira-mar. Mas isso é assunto para outro post.

Decepcionados pelo mau tempo que se estabeleceu naquele dia de tour, decidimos que se houvesse sol no último dia, voltaríamos a Sete Cidades nem que fosse para rever apenas rapidamente aquilo que as nuvens encobriram. E quando no último dia o céu se manteve aberto por todo o tempo, rumamos para lá. Paramos na Grota do Inferno e afinal entendemos por que é aquela uma das paisagens mais emblemáticas dos Açores. Voltamos à Lagoa do Canário e vimos a beleza daquele lugar quando o sol já começa a cair. Paramos no Miradouro da Vista do Rei e nos despedimos de São Miguel com a sensação de missão cumprida e vontade de voltar.

Lagoa Verde e Lagoa Azul do Miradouro da Vista do Rei. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lagoa Verde e Lagoa Azul do Miradouro da Vista do Rei. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

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A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

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