Um dia na Ribeira Grande: do surf ao centro histórico na Ilha de São Miguel, nos Açores

Lagoa do Fogo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Se Ponta Delgada é a maior cidade da Ilha de São Miguel, nos Açores, cabe à Ribeira Grande a segunda posição como povoação mais importante da ilha. Fundada em 1507, a cidade tem sua história marcada por uma erupção vulcânica que arrasou a vila, ainda no século XVI. Hoje, Ribeira Grande é um dos principais picos de surf dos Açores e parada certa para quem quer usufruir das águas termais da Caldeira Velha. Mas a estrela da região da Ribeira Grande é a Lagoa do Fogo, com sua beleza extasiante. Por isso, quem vai à Ilha de São Miguel não pode deixar de colocar Ribeira Grande no roteiro.

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Lagoa do Fogo: beleza estonteante

E é pela Lagoa do Fogo que a gente começa esse post. Primeiro por ser um dos principais monumentos naturais dos Açores. Segundo porque você precisa chegar a São Miguel sabendo que só se consegue avistar a Lagoa do Fogo em dias sem nevoeiro. E é isso que deve orientar sua programação se você quiser passar por lá.

Em cinco dias nos Açores, nós ficamos todo o tempo observando o céu ao norte de São Miguel para organizar nossa ida à Lagoa do Fogo. Decididos a ir lá no último dia, fizesse sol ou não, fomos presenteados com o céu se abrindo justo quando chegávamos lá. Vai por mim: vale a pena pautar sua viagem por esse passeio.

Lagoa do Fogo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lagoa do Fogo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

A Lagoa do Fogo fica na Serra da Água de Pau, a 949 metros de altura e é resultado de uma erupção vulcânica que estima-se ter ocorrido há 15 mil anos. O miradouro da Serra da Barrosa é o principal para se apreciar a paisagem. O contraste do verde das encostas daquilo que já foi um vulcão com o azul da água, pontuado por gaivotas branquinhas sobrevoando o local, é impressionante.

É possível descer até a Lagoa do Fogo, numa trilha de 2km em cada sentido. O banho também é possível, mas há alguns pontos onde o fundo da lagoa não é firme, por isso cuidados ao banhar-se. Mas até chegar lá você vai passar por vários pontos de observação perfeitos para apreciar do alto a beleza da região norte de São Miguel. Sabe aquele momento em que a cada curva você quer descer do carro para apreciar a vista e fazer mais uma foto? Perdi as contas de quantas vezes isso aconteceu na subida até a Lagoa do Fogo.

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Vista da Ribeira Grande. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Vista da Ribeira Grande. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro da Bela Vista, Ribeira Grande. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Miradouro da Bela Vista, Ribeira Grande. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Águas termais no meio da floresta na Caldeira Velha

Outra beleza natural na Serra da Água de Pau é o monumento natural da Caldeira Velha, uma formação de poças de águas termais a 34°C em meio a uma região de floresta com samambaias gigantes dignas do Parque dos Dinossauros – na verdade, fetos arbóreos. O acesso à Caldeira Velha é pago (2 euros) e dá direito a visitação do parque e banho.

Um centro de interpretação ajuda o visitante a conhecer melhor a história geológica da Ribeira Grande. O parque tem acesso para pessoas com mobilidade reduzida – embora não às poças para banho – e uma infraestrutura básica de banheiros e duchas atende aos visitantes.

Parque da Caldeira Velha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Parque da Caldeira Velha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fumarola numa das poças da Caldeira Velha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fumarola numa das poças da Caldeira Velha. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Surf e outros esporte náuticos na Ribeira Grande

Com diversas praias de areia vulcânica, acinzentada, a Ribeira Grande é referência também em esportes náuticos. O areal de Santa Bárbara é um point de surf reconhecido mundialmente pela ondulação. Surfistas e bodyboarders procuram a praia para praticar e competir e em setembro realiza-se uma das etapas do ASP World Tour. Para os visitantes, o areal de Santa Bárbara tem infra estrutura de restaurante, espaço para aluguel de pranchas e é praia acessível para pessoas com mobilidade reduzida.

Ali perto, a Praia do Monte Verde é boa opção também para os praticantes de windsurf e kitesurf, por causa dos ventos de Norte que recebe. Para banhistas, outras opções para mergulho são as piscinas naturais das Calhetas da Maia e as piscinas municipais das Poças da Ribeira Grande, um complexo de piscinas com infraestrutura total e acesso a praia.

Areal de Santa Bárbara. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Areal de Santa Bárbara. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Patrimônio histórico local

Em termos de patrimônio histórico, Ribeira Grande se destaca pelas igrejas. A de Nossa Senhora da Estrela é a maior da cidade, mas a Igreja do Espírito Santo, com sua fachada arredondada e toda trabalhada em pedra entalhada, também chama atenção.

Outro destaque no patrimônio local é a ponte dos Oito Arcos, que marca a paisagem no centro histórico da cidade. Construída no século XIX, recentemente teve seus arredores renovados e transformados num espaço de convívio para os moradores, com áreas de lazer e prática de esportes. Uma queda d’água próxima deixa o espaço ainda mais agradável para momentos de relaxamento.

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Igreja do Espírito Santo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Igreja do Espírito Santo. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ponte dos Oito Arcos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ponte dos Oito Arcos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Espaço também para arte contemporânea

Ao nível das artes, o Arquipélago Centro de Artes Contemporâneas, é uma referência com sua coleção fixa que privilegia artistas portugueses mas traz obras de nomes internacionais, como o brasileiro Barrão. Em termos arquitetônicos, a construção de linhas retas e minimalistas em pedra vulcânica, chama atenção. A inclusão do centro de arte no roteiro foi uma sugestão do Visit Azores, mas infelizmente nós não conseguimos conciliar nossa programação com os horários do espaço e não foi possível visitá-lo nessa passagem pela Ribeira Grande.

Com o Arquipélago fechado, rumamos para a localidade de Rabo de Peixe, para ver de perto outros exemplares de arte contemporâneas: painéis de Alexandre Farto, o artista português que assina como Vhils. Vila de pescadores considerada uma das regiões mais pobres da Europa, o Rabo de Peixe é um dos lugares que recebe anualmente o festival Walk & Talk, que desde 2011 leva arte para algumas ilhas açoreanas. Foi numa dessas edições que Vhils desenhou em concreto os rostos de pescadores locais, deixando sua obra como presente para a vila.

Vhils no Rabo de Peixe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Vhils no Rabo de Peixe. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Onde comer na Ribeira Grande

E se os pescados estão entre os destaques da gastronomia açoriana, a carne bovina local também se destaca. E fica na Ribeira Grande um dos lugares mais recomendados em toda a ilha para os amantes de carne: o restaurante da Associação Agrícola de São Miguel. Num espaço moderno, a carne é a estrela do cardápio. Provamos o bife simples com ovo frito (como resistir a um ovo de gema mole sobre a carne?) e um espetacular molho de queijo da ilha de São Jorge.

A grande surpresa, além do ambiente moderno que encontramos, foi a lotação do lugar. Chegamos cedo e conseguimos mesa apesar de não termos reserva mas, ao longo do almoço, vimos uma fila se formar. Por isso, se você passar pela Ribeira Grande, programe-se para comer na Associação Agrícola. Mas, se faz favor, faça reserva antes.

Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel. Foto: Divulgação
Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel. Foto: Divulgação

Quer saber mais sobre o que visitar nos Açores? Entre em contato e saiba como ter um guia de viagem personalizado, com o Almost Locals Experience.

A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

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