Quase Locais de Berlim: Nina Lemos

Se você lê a Tpm, sabe o que é 02 Neurônio ou tem muitas amigas mulheres no Facebook, já deve ter ouvido falar da Nina Lemos. Depois de ter morado no Rio e em São Paulo, ela finalmente fez as malas e se mudou para Berlim em 2014. Falante, entusiasmada e curiosa, ela decidiu empregar a experiência como repórter e escritora como base para um novo empreendimento, o site Loucos por Berlim, onde reúne textos, impressões e dicas da cidade com seu estilo informal e divertido.

Nina Lemos (Foto: Arquivo pessoal da Nina)
Nina Lemos (Foto: Arquivo pessoal da Nina)

Almost Locals: Como veio a ideia do Loucos por Berlim? O que as pessoas podem esperar?

Nina Lemos: Eu sempre quis fazer um guia de Berlim fora dos padrões. Sempre. Mas fui adiando, adiando. A idéia é dar dicas da vida real com humor. Tipo, eu escrevi sobre como não ser pega pelo “homem” do metrô. Essas coisas que fazem parte do nosso dia a dia aqui, são engraçadas e as pessoas não imaginam. A idéia é transformar em livro depois. Mas não um guia padrão. Um guia com crônicas e essas dicas malucas. Se eu não tivesse uma amiga que, por exemplo, me disse na minha primeira vez aqui que, pra sobreviver em Berlim, você tem que tratar mal as pessoas, eu não teria sobrevivido. Você sabe que se gritam com você e você grita de volta, eles te respeitam, né? Mas isso só sabe quem vive aqui. Essa cidade é muito louca!

AL: Como você se mantém atualizada/informada aqui? Como descobre lugares novos, etc? Caçando informações online/com amigos ou batendo perna ao acaso?

NL: Eu sou viciada em Twitter para tentar aprender alemão, sigo muito site em alemão e tento ler os jornais e a midia alternativa daqui. Tipo, eu sei se vai ter manifestação antifa, essas coisas, muitas vezes pelo twitter. Ou pelos cartazes que as pessoas colam nas ruas e os grafites. Moro em Friedrichshain, e só de olhar as paredes já sei como tá o mood do bairro. Agora reparei que estão pixando mais a foice e o martelo do que o A de anarquia. Quero ir atrás dessa história, porque com certeza significa algo. Acho que o que vale mais é o olhar, né? Eu ando muito em Berlim de S-Bahn, de metrô, de bike, e ando olhando para as coisas. Eu ja fazia isso no Brasil, e escrevo por causa dessas coisas que eu vejo ou imagino. Mas aqui tem o olhar do estrangeiro, aí fica mais fácil. Eu ainda acho tudo incrível. Tinha um louco berrando agora há pouco no S-Bahn e ninguém nem olhava. Aqui, as pessoas falam sozinhas.

AL: O que ainda te emociona e surpreeende em Berlim?

NL: Eu fico totalmente emocionada com a Torre de TV, com o Spree, com a Karl-Marx-Allee, com tudo. E como aqui tem estações, a gente fica emocionada com o tempo, o que é meio hippie, mas é verdade! Tipo, logo vai ter a primeira neve. Vai ser incrível. Vai virar outra cidade. Eu sou cafona assumida e me emociono com neve e até com feirinha de natal!

As 3 dicas da Nina de Quase Local em Berlim

– No verão, nadar no Spree em Rummelsburg. Essa dica é tãooo local que eu nem sei se devia estar dando! hahaha! Mas sério. Eu descobri essa península onde as pessoas nadam no Spree. É minha praia no verão/ Meu arpoador. No verão, eu vou todo dia.

– A feirinha podre dos punks no RAW, na Revalerstrasse. Cada dia ta gourmetizando mais, mas ainda dá para comprar coisas incríveis por tipo 2 euros. Acho que é um dos únicos mercados das pulgas de Berlim que continua super barato. Eu comprei meu tênis dourado lá por 3 euros! Isso dá uma alegria muito grande!

– Eu levo uma vida aqui mais diurna. Mas na noite, eu prefiro os bares aos clubes. Tambem não saio muito do meu bairro, como boa berlinense. Então, um bar que eu acho incrível aqui na minha área é o do cine movimento, na Boxhagener Platz. É num squat, toca música boa, tem um povo louco e ninguem te enche o saco. Já fui la sozinha várias vezes e sempre fui super mega bem tratada. Uma dica: não tirar fotos nesses lugares. É meio a casa deles, né? Eles ficam putos! Odeiam! Se quer frequentar a cena alternativa, não faça selfies!

 


 

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