Dicas para usar o Vélib como um local e conhecer Paris de bicicleta

Quem já veio a Paris, conseguiu perceber que a bicicleta faz parte do nosso dia-a-dia. Para quem ainda não conhece, temos essa belezinha chamada Vélib (vélo+liberté). A bicicleta de uso público parisiense, que sim, é pesada e tem três marchas estranhas, mas é o meu xodó desde sempre no qual já vivi muitas aventuras.

O Vélib é o maior e mais importante sistema de bicicletas públicas do mundo ocidental (a China é enorme, então eles ganham por razões óbvias). Criado em 2007, ele ocasionou uma reestruturação significativa das ruas e avenidas de Paris, devido à criação de ciclovias em quase toda a cidade e muita polêmica por reduzir o espaço já minúsculo dos carros. Para acomodar as estações, vagas de estacionamento de veículos foram eliminadas e as ciclovias em muitas avenidas são isoladas por uma muretinha de cimento, coisas que irritaram bastante os motoristas no início.

Isso na verdade é ótimo. Paris é uma cidade que sofre MUITO com a poluição. Estamos comemorando, coincidentemente ou não, neste mês de setembro o “Paris sans voiture”, um dia inteiro sem carros. Junto com as bicicletas, os autolibs, rodízios e liberação do metrô gratuito de vez em quando, esse dia (27/09/15) faz parte da política do estado contra a poluição e contra o volume desproporcional de carros no centro, um problema muito real por aqui.

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Foto: Almost Locals

Muita gente (inclusive eu) usa a bike para trabalhar, para voltar de um evento, para passear no fim de semana. Durante o verão posso dizer que só pego ela e nunca mais vejo a cara do metrô por dois meses. E honestamente, amo a sensação de liberdade, o vento na cara e o frio na barriga de se perder de vez em quando em Paname e encontrar tesouros como jardins semi-secretos, igrejinhas charmosas e às vezes esquecidas, ruelas, prédios e cantos que apenas uma volta em duas rodas pode proporcionar.  

Afinal de contas, fazer qualquer cidade de bicicleta é muito legal, mas Paris… é Paris e não precisa de adjetivos para ilustrar. Combinar a espontaneidade de um passeio de vélo com a arquitetura haussmaniana (e em alguns bairros também medieval e galo-romana) é como macarons com champagne: pode confiar que vai dar certo.

Eu poderia falar dos meus inúmeros intinerários em Vélib que me fizeram ver a cidade com outros olhos, ou daquela vez que eu perdi uma e tive que pagar os 150€ do caução, mas melhor pular para a parte prática que serve para todo mundo e explicar um pouquinho do funcionamento.

Pode ser um pouco longo, mas acredite, são dicas locais de ouro que te fazem economizar um bom tempo na vida real 😉

 

 Quem pode alugar um Vélib?

Todo mundo. Diferente de outras cidades da Europa, não é preciso morar em Paris para alugar um Vélib. Qualquer pessoa pode comprar um bilhete individual de bicicleta, que pode durar 24h ou 7 dias. Eu acabei aderindo à anuidade, paguei 29€ com o meu NaviGo (passe de transporte) e assim, usufruo do serviço.

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Foto: Almost Locals

Do que eu preciso para alugar uma bicicleta?

Um bom dia de sol. HAHA..brincadeiras à parte, para uma brasileira, Paris só é menos chuvosa que Londres. Vale dar uma olhadinha na météo (previsão do tempo) antes de sair casa e leve sempre uma écharpe.

Mais seriamente, você precisa ter um cartão de crédito com chip, porque na hora da compra do ticket, você aceita realizar um depósito caução de 150€ no caso de extravio da bicicleta. (Been there done that…não recomendo perder um Vélib, acredite :P) Para evitar furos tente sempre imprimir um atestado de entrega do Vélib na própria maquininha depois de encaixar o vélo.

(Ps: em caso de cartão VTM, verifique antes como funciona, pois existem condições especiais –tiram o dinheiro e devolvem depois, então se um rombo ocasional de 150€ faz diferença na sua viagem, reconsidere.)

É importante ter telefone com GPS ou mapa para você conseguir se localizar por aí e não se perder mais que o necessário. Baixe alguns aplicativos que vão facilitar sua vida. (há uma listinha dos meus favoritos no fim do post)

E claro, de educação no trânsito e bastante atenção. Paris tem o Vélib há anos e inúmeras pessoas utilizam bicicletas para se locomover, porém ainda vemos muitas imprudências da parte dos motoristas, motoqueiros e dos próprios ciclistas. Lembre-se disso e seja prudente. Não ande contrário ao sentido da rua, não leve passageiros com você, não fure o sinal, mexa os bracinhos para sinalizar se for fazer uma curva…evite grandes vias em horário de pico, pode ser assustador.

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Foto: Almost Locals

Na prática, como é?

 O bilhete de um dia custa 1,70€ , o de sete dias custa 8€. A primeira meia hora é gratuita. Depois é cobrado um valor adicional.

Então a manha é:  você aluga e retira a bike na mesma estação e depois vai passear durante 30 minutos. Encontra uma outra estação, estaciona a bike direitinho (escuta o bip-bip e espera a luzinha ficar verde) e daí espera uns 2 minutinhos e com o mesmo ticket retira de novo uma bike.

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Foto: Almost Locals

A internet está cheia de tutoriais detalhados para ajudar, mas…antes de tudo, quando chegar a uma estação, dê uma olhadinha nas condições das bicicletas. Memorize o número de uma que esteja ok (check-list maroto: pneus, freios, pedais, regulador de assento e correia) e aí o resto é na maquininha (totem, toda estação tem uma).

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Foto: Almost Locals

Lá você vai escolher a opção de retirar uma bike, criar uma senha de 4 dígitos, aceitar um contrato, colocar seu cartão de crédito, imprimir um bilhete, digitar o número da magrela escolhida e finalmente vai ter que correr até a bicicleta para apertar o botão e desbloquear em cinco segundos porque senão ela trava e você tem que começar tudo de novo. Ufa! Tipo gincana.

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Foto: Almost Locals

Aplicativos e sites (super) úteis nos dias de vélo parisienses:

Vélib (app): App oficial do Vélib, contém as estações de vélib em Paris, porém eu prefiro muito mais o Vivez Vélo que atualiza mais rápido e é mais intuitivo!

Vivez Vélo: Para encontrar estações, bicicletas disponíveis e lugares para estacionar livres. Muito bom!

City Mapper: Faz os intinerários, cálculo do tempo que vai levar, um super aplicativo de transporte que funciona para Paris. Mesmo os intinerários podem ser selecionados entre ‘mais calmo’, ‘normal’ e ‘mais rápido’.

Mapa dos relevos de Paris: para você decidir qual vai ser a dificuldade do seu trajeto. Por exemplo, Montmartre é linda, mas não aconselho se você não tiver pernas de atleta…

Metereologia : Sim, olhe a metereologia antes de sair, aqui temos muitas surpresas climáticas no espaço de 24 horas, cada um tem seu site preferido para isso. Eu uso o app do iPhone mesmo e geralmente funciona.

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Foto: Almost Locals

E aí, anima uma pedalada pela Cidade Luz? Quem quiser, me dê um alô nos coments, tenho boas dicas de intinerários  🙂

*Foto de destaque: Idea Lab

 

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17 Comentários

  • Oi Jordana , adorei seu blog.

    Fiz uma viagem até Paris no inicio de Junho de 2016. E estou com problemas com o Velib. Aluguei 2 bikes e debitaram 300 Euros no meu cartão 150 Euros cada, (meu cartão é Visa Multi Moedas do Brasil) . Hoje já é 25 de Julho de 2016 e não devolveram o valor do calção. Queria saber se isso é normal?

    • Oi Heber, obrigada pelo comentário! Fico feliz que você gosta do blog 🙂 volte mais!
      Então, sobre o calção eu perguntaria no seu banco como funciona os prazos, para saber se tem relação com eles. Se ainda assim não receber o valor… tente o site do velib: http://www.velib.paris.fr – ele ta traduzido em inglês e em espanhol também.

      Se eles não retornam o seu calção é porque, em teoria, as bikes não foram devolvidas corretamente (encaixadas na estação que deve apitar duas vezes e mostrar uma luzinha verde). Mas honestamente eu tive um problema parecido em 2014 e acho que eles são desonestos: Deixei a bike direitinho no lugar dela, confirmei que a luzinha verde apitou duas vezes. No dia seguinte tentei utilizar o mesmo ticket (era um 24h) e eles acusaram que a minha bike estava ainda “em giro”. Eu fiquei louca, liguei para eles, fui na policia, registrei ocorrência, mandei carta/email, anexei docs, tudo mais..briguei por duas semanas; e nada!! Tive que amargar e pagar os 150 euros da minha bike perdida. E o pior é que no sistema deles o atendente me falou que sabiam que eu tinha colocado a bike no lugar na noite anterior, mas que o sistema deu bug e que alguém pegou a minha bike! e saiu por ai andando com ela por minha conta! Por isso aprendi a imprimir um comprovante a cada vez que deixo a bicicleta, principalmente se é de noite. Infelizmente 🙁 Espero que você receba seu dinheiro de volta!! Ou que se tentar entrar em contato com eles tenha mais sorte do que eu!!

      Conte depois se conseguiu! Abraços

  • Vou no dia 8 de outubro, será q nessa época com vai estar o clima para passeios de bike?
    Parabéns pelo blog!

    • Oi Elies obrigada pelo comentario! Acho que 8 de outubro vai estar mais fresco do que agora no verão, pois estaremos já no outono! Eu ainda uso a bike em outubro sem problemas, basta levar echarpe e um casaco para proteger do vento. Além disso a paisagem do outono em Paris é muito linda, você vai adorar! Aproveite, abraços!

  • Oi adorei o texto, estou com uma dúvida…
    Se o meu cartão é Visa e não VTM, ele também tiram o dinheiro e devolvem depois o valor de 150€?

    • Oi Rafaela, obrigada pelo comentario! Sim, por isso que vale apenas cartão de crédito e não de débito! Eles “seguram o valor” no seu cartão e uma vez que a bicicleta é devolvida eles “liberam”. (tentei explicar simplificando espero que ajude hehe)
      abraços

  • Adorei seu texto, parabéns, estarei em paris de 4 a 9 de outubro, queria dica de restaurantes bons e baratos kkkkkkkk

  • Que legal, Jô! ! Adorei quando for a Paris, quero dar uma volta com você. Bjs, Saudades.

    • Mas é claro! 🙂 Mais do que bem vinda, fico a sua espera, saudades!! Beijões

  • Amei, Jo! Agora tenho que te visitar na primavera ou no outono (verão não que eu odeio! hahaha!) e saímos de vélo por aí, que acha?

    Amei seu post! Bejobejo! =)

    • Obrigada Marina 🙂
      Sempre bem-vinda! Mas é claro, da ultima vez não propus porque era inverno, hehe!
      Beijos!

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