La vie n’est pas toujours rose – 6 coisas que não gosto em Paris

A vida em Paris pode ser o sonho de muita gente. E eu entendo melhor do que ninguém, afinal de contas escolhi viver aqui e sou feliz com a minha decisão. Mas,é justamente vivendo aqui, como seria em qualquer lugar, sobretudo em qualquer cidade grande, que a gente consegue observar com propriedade la vie em outras cores diferentes do rose. Aqui vai o Lado B da vida parisiense, se você ama a cidade e nunca veio, não leia, não quero estragar sua imagem de “Midnight in Paris” construída com muito carinho por Woody Allen, hehe. Mas juro que, apesar dos defeitos, meu amor pela Ville Lumière não para de crescer e quando eu fizer a lista de coisas que eu amo, ela será muito maior. 

 

Poluição sonora, visual e do ar

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Foto da torre Eiffel em uma manhã. Não é frio, é poluição: Direct Matin

Paris é uma cidade suja. Uma cidade poluída e cheia de scooters barulhentas com o escapamento aberto. Também é típico daqui aquele barulho de sirene, que a gente vê até em filme francês como som de fundo. As pessoas fumam o tempo inteiro e jogam as bitucas em tudo quanto é lugar e muita gente é mal educada e deixa o cocô do cachorro na calçada, assim bem no meio mesmo, para pegar o primeiro desprevenido. Isso CANSA. Juro. Sem falar que dependendo do arrondissement, você encontra lugares mais mal cuidados e cheios de lixo que o normal. E é normal o metrô ficar gratuito por conta de picos de poluição, você sai na rua e o cabelo limpinho, lavadinho, volta cheirando a fumaça dos carros apenas de ir na esquina comprar o pão.

 

Meteorologia

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Isso pode acontecer em pleno verão. Foto: Metro News

O tempo aqui é… cinza e chuvoso na maior parte do ano. Sim, meus lindos, Paris fica bem pro norte da França. E a gente que vem de um lugar tropical cheio de sol o ano todo – tipo o Brasil – esquece sempre disso quando programa a viagem dos sonhos (ou a vida dos sonhos) achando que tudo vai ser ensolarado e colorido sempre. Cuidado, gente. Já peguei verão chuvoso com a maioria dos dias cinzas.

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Paris, 40 graus… Foto: Le Plus, Nouvel Obs

Ah, sobre verão, temos também… sim, é abafado na verdade. Muito. Um calor diferente do brasileiro. Eu sei que no Brasil a gente sofre com calor – vivi toda Brasília e sua seca por muuuito tempo – mas juro que uma canicule não é nada parecido. Esse ano foram várias noites sem dormir por conta do calor e teve gente que morreu (700 pessoas em julho, segundo a ministra da saúde!)

 

O lado blasé dos parisienses

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Para não dizer que inventei, tem até marca que tira proveito do estereótipo. Foto: Marie and Mood

Até já falei antes dos mitos e verdades sobre os parisienses. Na verdade é um tema polêmico né, porque generalizar é sempre perigoso. O parisiense tem seus charmes, tem um ar blasé que pode ser intrigante e misterioso, mas na maior parte do tempo não é tão sexy assim. O que não tem nada a ver com franceses de outras regiões e cidades,ok? Mas em Paris sinto as coisas chatas de cidade grande: tenho a impressão de que todo mundo é muito apressado, muito atarefado e se acha muito “importante” para se importar. As pessoas muitas vezes tem pavor de encostar umas nas outras, chega a ser engraçado. O mínimo gesto solidário para facilitar a vida parece um grande esforço. Claro, isso não é regra e tem gente legal aqui sim, mas depois de alguns anos acho que posso dizer que presenciei cenas que justificam as observações acima.

Muita gente é assim e muitas vezes eu preciso me policiar quando me vejo um pouco imitando o jeito deles, super rígido e fechado no dia-a-dia. Sorrio e faço piada para deixá-los sem graça de vez em quando e tentar lembrá-los que, sim a gente é tudo humano e farinha do mesmo saco, então nada de se achar o último biscoito do pacote. Nem sempre funciona, hehe. #socialfail

 

Comércio que fecha cedo

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Fechado por causa de fechamento. Foto: Wouspik

Sim, tem essa coisa de europeu de comércio que fecha cedo. Ou então fecha para o almoço também. Eles não querem saber se você também trabalha em horário comercial, que tem uma vida, que pega o transporte e que precisa fazer compras depois. O problema é seu que não planejou sua semana direito. E ai de você se chegar 10 minutos antes da loja fechar. Eles te lembram o tempo inteiro, e muitas vezes nem deixam você entrar. E que se dane o dinheiro que você for gastar ali dentro. Shopping até as 22h? HAHA. Melhor comprar pela internet.

PS: Sim, existe a Champs Elysées, mas eu não tenho coragem de pegar meia hora de metrô e ir bater perna por ali depois de um dia de trabalho cansativo. 

 

Bancos com procedimentos emperrados nos anos 1900-e-bolinha

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La Banque de France. Foto: Le Point

Senhoras e senhores, a coisa que mais sinto falta na minha vida é… internet banking em tempo real. Gente, aqui eles ainda usam cheques. Eu não preenchia um desde 199? quando minha mãe usava esse troço de papel. Se eu perder minha senha alguém tem que me enviar por correio. Para fazer um depósito em conta corrente, socorro, tenho que receber um código de ativação para o celular via correio.  Aliás deu para perceber que tudo é pelo correio. A novidade aqui é o banco todo pela internet, sem agência, mas isso eles inventaram AGORA e já estou testando e digo: não é lá essas coisas. O Brasil é exemplo mundial em segurança bancária e internet. (Acho que com o tanto de fraudes e coisas cabeludas o pessoal foi desenvolvendo um sistema mais resistente, sei lá hahaha). Sinto SAUDADE de fazer tudo do banco pela internet, desabafo.

 

O Metrô – o buraco negro

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Deusmelivre. O metrô daqui é ótimo, vai na cidade inteira, todo lugar tem uma parada, mil linhas e blábláblá. Mas: é feio, sujo, fede, é lotado, está sempre em pane e tem estações bizarras com frequentadores estranhos. É onde as melhores coisas do naipe “Mundo Bizarro” acontecem. Tem gente que mora lá dentro e já senti toda uma gama de cheiros ruins que nem sabia que existiam.

Eu tenho pavor de estações como Chatelet/Les Halles, Havre-Caumartin/ Saint-Lazare, Montparnasse-Bienvenue, verdadeiros labirintos do Minotauro onde você pode passar poucos minutos ou sua vida inteira lá dentro, tudo depende da saída escolhida. A linha 13 em horário de pico é o pesadelo dos pisoteamentos. Ninguém sabe porque diabos existe a linha 7bis…e tantas outras coisas.

SEMPRE tem gente pedindo dinheiro da maneira mais bizarra que eu nunca vi (merecia até uma competição por prêmio de originalidade, a gente escuta/vê cada coisa) e os últimos metrôs (entre meia-noite e uma da manhã) só tem gente estranha. Pior que o metrô, só o ônibus noturno. O metrô é um troço tão particular que merece posts dedicados. Dica local? Vélib e ônibus diurno.

Essas são as minhas impressões baseadas na minha vida em Paris. E você, o que acha? O que viu/viveu por aqui ou ouviu falar? E na sua cidade também tem igual?

*Foto de destaque: Le Figaro

PAR: Vrai ou Faux – mitos e verdades sobre Paris e parisienses

PAR: Vintage shopping em Paris – onde e o que comprar em brechós parisienses

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