Onde se Hospedar em Paris – Guia Prático por Perfil de Viajante

Visitar Paris é para muita gente um sonho que se transforma em realidade. Mas, com passagens compradas, agora a duvida: onde se hospedar em Paris?  Nada de pânico, a Almost Local parisiense explica. 🙂

Saber onde se hospedar em Paris vai depender muito do seu estilo de viagem. Se você quer focar nos principais monumentos ou se você prefere lugares mais alternativos, se você não se importa em caminhar ou se quer tudo pertinho e, ainda, quantos dias você vai ter para passear. Tudo isso precisa ser levado em conta na hora de tomar sua decisão.

Antes de tudo, familiarize-se com a cidade mais linda do mundo, Paris !

Foto: Mapa simplificado de Paris com seus 20 arrondissements

Primeira coisa, antes de definir onde se hospedar em Paris, você precisa conhecer um pouco da geografia da cidade.

Para quem não sabe, nossa Cidade Luz é constituída de 20 distritos organizados em forma de caracol, ou escargot, como dizemos aqui. Esses distritos lembram bem de longe o conceito brasileiro de bairros, e por aqui são chamados de Arrondissements. O correto é utilizar numerais ordinais : primeiro, vigésimo, décimo-sexto. Em francês a abreviação é o numero seguido de “ème”.

Outra coisa, para saber qual é o arrondissement basta olhar em um endereço parisiense a terminação do CEP, os dois ultimos digitos. Por exemplo: 75002 fica no segundo arrondissement, 75003 no terceiro, e assim por diante.

Eu disse que o conceito de bairro não é exato, e veja porque: cada Arrondissement tem sua propria prefeitura, orçamento e serviço de limpeza e também sua propria “personalidade” influenciada por diversos fatores culturais, financeiros e socias. Entender isso é crucial para deixar sua visita mais adaptada aos seus gostos. Existem vários tipos de Paris dentro de Paris. Um arrondissement não tem nada a ver com outro, e você pode mesmo sentir que a atmosfera muda completamente de uma rua para outra ao trocar de arrondissement.  Que fique claro que estamos falando de Paris “Intra-Muros”, quer dizer, aquela parte dentro do “caracol”. Existe também a Paris da banlieu, do suburbio, que pode ser linda e cheia de passeios incriveis, mas que merece todo um artigo unico, porque devido à distância, vale mais a pena para os iniciados!

Chega de conversa, vamos descobrir onde se hospedar em Paris de acordo com seu perfil:

Paris Turista: para quem prefere facilidade ou tem pouco tempo  

Foto: Alguns dos principais monumentos parisienses em perspectiva

Conhecida como Paris Toutou (apelido carinhoso para touriste) para os íntimos. Quem quer ficar proximo dos monumentos mais conhecidos pode priorizar os arrondissements  01ème, 02ème, 03ème, 04ème e a parte mais alta do 05ème. Perfeita escolha onde se hospedar em Paris se você vem pela primeira vez. Tudo é feito a pé, metrô e ônibus em todos os sentidos e um clichê de foto à cada passo. Se você tem poucos dias também, é uma boa ideia para ganhar tempo.

Destaque para o 04 ème, super gay-friendly e para compras em brechós, para o 02 ème, com o mercado de domingo na Rue des Petits Carreaux e para uma verdadeira cave de Jazz, Le Caveau de La Huchette, escondida no Quartier Latin, parte alta do 05 ème.

Foto: Loja turistica ao lado do Louvre, no 2ème arrondissement

Ponto negativo: é uma Paris mais plástica, densa, turística, e por conta disso também mais cara e menos autêntica (hospedagem, restaurantes, bares e atrações). Você vê menos parisienses e mais americanos e chineses, mas é linda assim mesmo.

Paris Chic – para quem gosta de glamour e pode pagar 

Para quem pode e gosta de uma Paris chic e refinada os melhores arrondissements são o 06 ème, 07 ème, o 08 ème e a parte alta do 16 ème. Os preços acompanham a descrição, mas são a parte mais bonita, rica e bem cuidada da cidade. Varios restaurantes estrelados para quem curte alta gastronomia. Ainda considerado central, porém afastado da muvuca. Destaque para o shopping Le Bon Marché no 06 ème, a Champs Elysées na parte alta do 8ème  (se bem que ela anda meio decadente, principalmente à noite) e Torre Eiffel no 07 ème.

Foto: Escadas rolantes do centro comercial Le Bon Marché

Ponto negativo: Se você não tem a carteira que permita, melhor evitar. Quem gosta de agito e simplicidade, também pode não se encaixar: são lugares mais calmos, classudos e a vizinhança gosta que continue assim…

Paris Real – para quem adora experimentar uma vida local

Foto: Canal Saint-Martin do 10ème, spot concorrido para fazer piquenique ou tomar um aperitivo no verão

Você é dos nossos e curte uma vida de quase local? Então os melhores arrondissements para se hospedar em Paris são  09 ème,10 ème,11 ème  e 18 ème,19 ème,20 ème . Dividi em duas categorias porque os ultimos são um pouquinho mais afastados, mas têm também suas vantagens como por exemplo: estão geograficamente mais elevados e por isso, têm com vistas maravilhosas.

O 09 ème vai de Pigalle sul (apelidada carinhosamente de SoPi – South Pigalle) até Grands Boulevards, cheio de barzinhos, restaurantes, boates e atividades culturais devido aos teatros e cinemas que ali estão. Antigamente, era bem ruinzinho como bairro, mas hoje é o hotspot de « quem acontece » nessa Paris.

O 10 ème é variado: super popular e agitado na altura da Strasbourg-Saint-Denis indiana, e dos salões afro de Château-d’Eau e mais descoladinha perto do Canal Saint-Martin. O 11 ème é o xuxu dos hipsters franceses, chamados localmente de “bô-bôs” , com a melhor oferta de vida alternativa diurna e noturna da cidade. A melhor vibe cool & low profile local.

Ja o 18ème é dividido em dois: a Montmartre turistica e a parte mais africana da capital francesa. A primeira parte é romântica e mais cara, com TODOS os cenarios e clichês lindos do filme Amélie Poulain, nem preciso explicar… Moulin Rouge, Sacre-Coeur, ruas de pedrinhas, etc,. A outra parte é mais multi-cultural, interessante e cheia de surpresas boas desde o mercado de rua nos fins de semana em Chatêau-Rouge até cervejarias artesanais e restaurantes descolados como a Recyclerie ou a Brasserie Barbès. Quem gosta de garimpar pode ir no Guerissol, um dos maiores brechos de Paris e desbravar as lojas de tecido Wax, a estampa africana que conquistou as grandes marcas de moda. Vou ser honesta, precisa curtir a muvuca e não se importar tanto com a falta de limpeza das ruas, mas quebrando preconceitos essa parte do 18 além de mais barata tem muuuita coisa legal e local a oferecer.

Foto: La Recyclerie, restaurante com conceito inovador no 18ème. Foto do site Paris-Match

O 19 ème começa em Colonel-Fabien/Belleville e termina perto do parque da Villette. Enorme. Perfeito para quem curte agitos, comida asiática – o melhor ravioli chinês da cidade fica bem ali, pontos de vista privilegiados, parques como o Buttes-de-Chaumont e atividades culturais na Villette. O 20 ème é ainda mais afastado, mas é o melhor para quem adora observar cenas pacatas da vida quotidiana, quem gosta de se misturar com locais e não ver nenhum turista e se sentir no que deveria ser a vibe de Paris central de 40 anos atras. Tomar um cafézinho na Place de la Réunion domingo é um programa gostoso. De quebra, tem o Père Lachaise, para quem curte visitar cemitérios, cheio de celebridades descansando logo ali.

Foto: Um dos varios bares locais do 18ème, no norte de Paris

Pontos negativos: Se o tempo é curto e é sua primeira visita, melhor escolher algo mais central onde se hospedar em Paris e apenas passear por ali ou deixar para uma segunda vez, quando você ja conhecer todos os pontos turisticos que te interessam.

Paris Tranquila – para  quem procura calma, não se importa em andar ou pegar o metrô e para familias com crianças

Foto: Restaurante dentro do lindo Parc Montsouris, no 13ème arrondissement

E nos restam os bairros mais calmos e familiares, mais afastados, porém cheios de charme e com um ritmo menos frenético que o centro. São bairros com menos atrações turisticas e menos vida noturna. Em contrapartida, menos densos, bem cuidados e mais espaçosos. E também hospedagens podem ser mais em conta, se você souber procurar. Destaque para o Marché d’Aligre no 12 ème, a Chinatown e o parque Montsouris no 13 ème que tem uma atmosfera familiar, passeios em poneys menos concorridos que os do 6ème e teatrinhos. Sem esquecer das Catacumbas no 14 ème, o observatorio panorâmico no alto da Tour Montparnasse no 15 ème, a Maison de la Radio e seu restaurante incrivel no baixo 16 ème e a  atmosfera de cidadezinha de Epinettes no 17ème .

Foto: Coreto no Square des Epinettes no 17ème arrondissement

Pontos negativos : você estara com certeza mais longe do centro e da agitação, vai precisar andar um pouco mais ou pegar o transporte. Mas bem, numa cidade linda como Paris nem é tão negativo assim…

E depois de tudo isso? Onde se hospedar em Paris?

Parece muita informação, mas leia com calma, analisando o mapa e você vai entender melhor. Onde se hospedar em  Paris vai depender do estilo de cada um.

Por exemplo, descobri conversando com algumas das outras Almost Locals que ja passaram por aqui que cada uma tem seu arrondissement preferido na hora de escolher onde se hospedar em Paris. A Anna diz preferir o 11ème e o 20 ème pela sensação de viver a vida real parisiense. A Sarah curte bastante o 11 ème pela vibe charmosa e descolada, mas com pé no chão. A Flavia prefere o lado romântico e a vista de tirar o fôlego diretamente do 18 ème de Montmartre, parte mais alta da cidade onde ela ficou na primeira vez. Eu sou suspeita, amo a cidade de cabo a rabo, mas tenho um fraco pelo 10 ème, pertinho do Canal Saint-Martin…

E então, decidiu? Conta pra gente nos comentarios para onde vai e porque, pode acabar ajudando outras pessoas na escolha 🙂

 

Comments

comments

More from Jordana Felisberto

Bebendo vinho em Paris, 4 caves imperdíveis no 11ème arrondissement

É verdade que a cerveja artesanal tá mais que na moda (e...
Leia Mais