Do mar à terra: o que fazer em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, Açores

Portas do Mar, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Portas do Mar, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

O destino mais comum de quem vai aos Açores é Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. A cidade é o principal hub aéreo dos Açores para o mundo e também tem uma boa infraestrutura para atender a todo tipo de viajante, do mochileiro ao mais sofisticado. Por isso, é uma boa opção para ser sua base numa temporada na Ilha de São Miguel. Nesse post a gente conta o que fazer em Ponta Delgada durante sua visita aos Açores.

Viajar pelos Açores: o que você precisa saber antes de visitar o arquipélago

Ananás, presente até nos grafites. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ananás, presente até nos grafites. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

No mar de Ponta Delgada

Ponta Delgada tem uma boa infra-estrutura de marinas de onde partem barcos de passeio e navios comerciais. Na Marina de Pêro de Teive fica a base da Picos de Aventura, empresa que nos acompanhou durante um dia inteiro em Ponta Delgada. Era nosso primeiro dia em São Miguel e já partimos para o que prometia ser ‘O’ passeio da viagem: observação de cetáceos – baleias e golfinhos.

Às 8h30 estávamos na marina para começar a receber as instruções para o passeio. Foram mais ou menos 15 minutos de introdução ao universo das baleias e golfinhos. Ali ficamos sabendo que existem 86 espécies de cetáceos no mundo e 24 delas vivem pelos mares açorianos. Aprendemos que a baleia mais comum por ali é a cachalote e que a probabilidade de vermos golfinho era muito mais alta não apenas devido à época do ano, mas porque a população de golfinhos no mundo é maior que a de baleias de todo o tipo.

Marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Preparação para a observação de cetáceos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Preparação para a observação de cetáceos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Finda a apresentação, seguimos – uns 12 passageiros e dois integrantes da tripulação – para o barco. Era do tipo semi-rígido, o que minha ignorância náutica definiria como um grande bote. Vestindo coletes salva-vidas (obrigatórios) e capas de borracha no melhor estilo ‘Mar em Fúria’ (opcionais, mas altamente recomendáveis), começamos a nos distanciar da costa em direção ao alto-mar.

De Lisboa à ilha de São Miguel: incluindo os Açores no seu roteiro de férias em Portugal

As baleias tipo cachalote são muito comuns nos Açores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Baleias cachalote: um símbolo dos Açores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Emoção no meio do Atlântico

A viagem, na minha opinião, envolve bastante ‘emoção’. Estamos indo contra a maré, e as ondas no meio do Oceano Atlântico podem ser grandes mesmo num dia de mar calmo, como o nosso. Nosso barco ia dando grandes saltos até chegarmos ao ponto onde ficaríamos parados esperando a aproximação de algum animal. A adrenalina no trajeto de ida é tanta que não dava nem para ficar marejado. Já quando o barco para e fica ao sabor das marés, a situação muda um pouco.

No nosso grupo, uma pessoa passou mal, precisando de socorro. Nossa guia já tinha nos avisado que ficar nauseado era normal e nos explicou o que fazer caso precisássemos vomitar. Mas o passageiro precisava de mais atenção do que era possível dar naquele barco e foi chamada uma equipe de resgate, que veio buscar o passageiro e levá-lo de volta à marina.

Barco para observação de cetáceos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Barco para observação de cetáceos. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Três horas à espera dos cetáceos

As empresas que organizam passeios para observação de cetáceos têm funcionários em terra firme acompanhando a movimentação dos animais para direcionar a tripulação do barco de modo a aumentar as chances de se encontrar baleias ou golfinhos. No início de março, as probabilidades de se ver golfinhos são de quase 100%; para baleias as probabilidades ficam um pouco abaixo dos 50%. Em três horas de passeio, infelizmente, ficamos naquele um por cento que não viu nada.

Apesar disso, eu acho que a aventura valeu a pena. Eu já tinha feito alguns passeios de barco por baías, como Angra do Reis e Búzios, no Rio de Janeiro, ou no Algarve, aqui em Portugal, mas nunca tinha estado no meio do Oceano Atlântico. Ver São Miguel de longe, passar por barcos de pesca tradicional e ter a consciência de ser um pontinho insignificante naquela imensidão azul, para mim, já valeu o passeio. Mas a Picos de Aventura tem uma política interessante para esses casos em que não se avistam animais: você pode remarcar o passeio gratuitamente ou ser reembolsado pela empresa, basta passar no escritório.

Escapada de verão no Algarve, desde Lisboa

Piscina de água do mar na marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Piscina de água do mar na marina de Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fachada manuelina na Igreja de São Sebastião. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fachada manuelina na Igreja de São Sebastião. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Dicas para os marinheiros de primeira viagem

Embora tenhamos feito o passeio em barco semi-rígido, há outras opções de embarcações para os programas de observação de cetáceos, como catamarãs. Essas são boas alternativas para quem está acompanhado de crianças pequenas ou idosos, que podem ter dificuldades em ficar seguros nos barcos menores. A Picos de Aventura também oferece outras atividades náuticas, como natação com golfinhos e mergulhos, e terrestres, como passeios de mountain bike.

Uma outra coisa que a gente entendeu ali na hora é que quanto mais pertences você puder deixar nos lockers na marina, melhor. Eu estava vestida com roupas esportivas, calça em tecido que seca rápido, mochila à prova d’água, mas podia facilmente ter deixado a mochila na marina e não ter me preocupado a cada vez que uma onda mais forte molhava o barco. Também teria deixado parte do meu equipamento eletrônico – senão todo ele – bem guardadinho, já que não tinha capas à prova d’água e, diferentemente do que eu esperava, não consegui tirar uma foto sequer durante o passeio.

Cavala curada no menu degustação do Antfiteatro. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Cavala curada no menu degustação do Antfiteatro. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Salão superior do restaurante Anfiteatro. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Salão superior do restaurante Anfiteatro. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Pelo centro histórico de Ponta Delgada

Ao fim da manhã, voltamos ao hotel para nos refazermos da aventura da manhã e explorar um pouco mais de Ponta Delgada, começando a tarde com um almoço no Anfiteatro. O restaurante pertence à Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores e tem propostas para refeições mais descontraídas ou mais sofisticadas e criativas. O Anfiteatro fica nas Portas do Mar e foi nosso ponto de partida para a exploração do centro histórico de Ponta Delgada.

Anfiteatro: uma experiência gastronômica criativa, na Ilha de São Miguel, Açores

Na descoberta dessa região contamos novamente com a Picos de Aventura, que designou um guia para nos acompanhar. Caminhando pela orla até o ponto de partida, o Campo de São Francisco, nota-se logo a forte referência da calçada portuguesa em Ponta Delgada. Se em Portugal continental os mosaicos são feitos em calcário preto e branco, nos Açores é o basalto o material principal. Isso porque a pedra é de origem vulcânica, tal qual as ilhas do arquipélago.

Padrão de calçada portuguesa em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Padrão de calçada portuguesa em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Igreja de São Sebastião e altar de Santo Cristo dos Milagres. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Igreja de São Sebastião e altar de Santo Cristo dos Milagres. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Em frente ao Forte de São Brás, construção do século XVI que protegeu os portugueses também dos ataques de navios alemães durante a Segunda Guerra Mundial, o Campo de São Francisco é um lugar emblemático em Ponta Delgada. Além do mosaico do calçamento, um coreto central, os plátanos ao redor e um metrosídero centenário dão personalidade à praça que tem um papel importante na tradição religiosa da ilha.

Forte herança religiosa

É no entorno do Campo de São Francisco que ficam alguns dos mais importantes centros católicos de Ponta Delgada, como a Igreja de São José, o Convento da Esperança e a Igreja do Santo Cristo. É de lá que, em todo mês de maio, parte uma enorme procissão para celebrar o Senhor Santo Cristo dos Milagres. As ruas ficam cobertas por tapetes de flores para a passagem da procissão, igrejas ficam iluminadas e a praça é tomada por fiéis pagando promessas. Segundo nosso guia, essa é uma das maiores festas religiosas de Portugal e quase metade da população da ilha de São Miguel participa.

Igreja de São Pedro, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Igreja de São Pedro, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Vamos andando pelo centro histórico de Ponta Delgada, até chegarmos às Portas do Mar, o monumento mais conhecido da cidade. São três arcos com detalhes em basalto que originalmente ficavam no bairro de Calheta e foram transferidos para a Praça de Gonçalo Velho, que se tornou um ponto de referência para eventos na cidade, como a festa de Réveillon.

O que fazer em Ponta Delgada: conhecendo delícias locais

É nessa parte de Ponta Delgada que fica boa parte do comércio local, tanto de lojas quanto restaurantes. A Rua da Misericórdia, a Rua dos Mercadores e a Hintze Ribeiro – e seus arredores – são pontos certeiros para quem quer fazer compras de produtos locais ou conhecer a típica comida açoreana.

Uma boa parada na região é no Louvre Michaelense, um misto de loja e café que desde 2015 funciona nesse espaço centenário onde originalmente era uma loja de chapéus. Lá se pode sentar para comer doces locais, tomar chás açoreanos, beber um típico refrigerante de maracujá e se deliciar entre peças de louças, decoração, papelaria e moda produzidas nos Açores e em Portugal. A variedade é tão grande que o Louvre Michaelense se apresenta como uma ‘mercearia do mundo’.

Louvre Michaelense, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Louvre Michaelense, em Ponta Delgada. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ananases no Mercado da Graça. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Ananases no Mercado da Graça. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

É por ali também que fica o Mercado da Graça, um ponto de encontro de produtores locais onde você vai encontrar o famoso ananás açoriano – uma variedade de abacaxi onipresente nos cardápios – e a loja Rei dos Queijos, uma das mais recomendadas para comprar diversos tipos de queijos (e outras delícias) locais.

Encerramos o dia com a visita à Ermida de Nossa Senhora Mãe de Deus. Situada no topo da ladeira da Mãe de Deus, sua construção original foi demolida na ocasião da Primeira Guerra Mundial para que não se tornasse alvo dos submarinos alemães, tendo sido reconstruída a partir de 1925 por ação das devotas. A igreja só abre em datas específicas e, tendo passado por lá em dia de portas fechadas, nos dedicamos a contemplar a vista generosa sobre o Atlântico e os pastos verdes de São Miguel.

Campo de São Sebastião e Ermida da Mãe de Deus. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Campo de São Sebastião e Ermida da Mãe de Deus. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Quer saber mais sobre o que visitar nos Açores? Entre em contato e saiba como ter um guia de viagem personalizado, com o Almost Locals Experience.

A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

Comments

comments

Escrito por
More from Flavia Motta

LIS: Descubra a programação de fim de ano em Lisboa

As luzes de Natal já foram acesas, o Papai Noel vem circulando...
Leia Mais