NYC: um convite para explorar a arquitetura e o design urbano no Open House NY

Você pode ler este post ouvindo Take a Walk on the Wild Side, Lou Reed

O evento Open House New York (OHNY) é um dos mais esperados pelos nova-iorquinos. Há mais de uma década, é possível explorar durante um final de semana (este ano foi nos dias 17 e 18/10) o interior de prédios que normalmente não ficam abertos ao público ou ainda conferir gratuitamente alguns que são pagos, com direito a tours e palestras. Algumas opções exigem reserva online prévia (US$ 5 cada), como o escritório do Google, o cubo da Apple, o tour vertical da Catedral Saint John the Divine (124 degraus em escada caracol até o topo da igreja), dentre outros. Para se ter uma ideia da popularidade do OHNY, as reservas esgotaram-se em apenas algumas horas.

Anualmente, mais de 70 mil visitantes costumam circular pelos mais de 300 prédios históricos, monumentos e construções. A dica é ficar atento à divulgação da programação, para escolher os lugares que você quer ir e já reservar assim que as inscrições forem abertas – nesta edição foi no dia 7/10.

Saiba que você terá que enfrentar filas em algumas localidades mais disputadas – a não ser que você esteja disposto a pagar US$ 150 por um passaporte que dá livre acesso aos locais que não exigem reserva (vale para duas pessoas). Como não sabia que a programação se esgotava tão rápido, tive que escolher lugares que não exigiam reserva. Confira os que escolhi visitar:

City Hall, a prefeitura de NYC

Foi a primeira vez que a prefeitura de Nova York participou do OHNY. O prédio, construído em 1812 e que acabou de ser reformado, normalmente é fechado ao público (mas é possível entrar em contato pelo site para reservar uma visita com antecedência e nas datas disponíveis). Tive que enfrentar uma fila para entrar, mas valeu a pena a espera de menos de 30 minutos. A prefeitura é uma das mais antigas do país que funcionam ainda como sede do governo municipal. É um marco histórico nacional e da cidade de Nova York, ou seja, é oficialmente reconhecido pela sua importância histórica.

O projeto arquitetônico é dos arquitetos Joseph François Mangin, imigrante francês, e John McComb Jr., de Nova York. A influência francesa pode ser percebida pelas janelas em arco, cortinas ornamentais e colunas em estilo coríntio. Quando foi inaugurado, o prédio era um dos mais altos da cidade e era aberto a visitantes que, por uma pequena taxa, podiam ir até a cúpula para uma vista panorâmica.

Logo na entrada, o visitante pode conferir uma estátua em bronze de George Washington, uma das seis cópias de uma estátua em mármore feita pelo artista francês Jean-Antoine Houdon. A rotunda contém parte do material original do prédio, incluindo o chão e as colunas de mármore e os corrimões de ferro.

O domo atual é uma reconstrução do original, que foi duas vezes destruído pelo fogo. Ele foi construído de maneira que dá a ilusão de que é mais alto do que parece.
O domo atual é uma reconstrução do original, que foi duas vezes destruído pelo fogo. Ele foi construído de maneira que dá a ilusão de que é mais alto do que parece.

 

A escada é a primeira do gênero no país e é chamada de “escada flutuante”, pois a impressão é que ela está flutuando. 

"Escada flutuante" da prefeitura de NYC
“Escada flutuante” da prefeitura de NYC

 

A City Council Chamber é usada atualmente para algumas cerimônias e encontros públicos. A câmara foi projeto do arquiteto John H. Duncan e construída em três meses, no ano de 1897. O teto, que acabou de ser feito em 1903, contém figuras que representam prosperidade, civilização, sabedoria, navegação e agricultura, assim como uma mulher que personifica a cidade de Nova York. Em 1964, Martin Luther King Jr. recebeu no local a Medalha de Honra do então prefeito Robert F. Wagner, por suas contribuições sem precedentes ao movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

No Governor’s Room, é possível conferir quadros de alguns presidentes dos Estados Unidos, prefeitos e governadores de Nova York, além de itens históricos, como a mesa em que George Washington usou para presidir o Congresso quando estava em Nova York.

Quadro de George Washington, primeiro presidente dos EUA.
Quadro de George Washington, primeiro presidente dos EUA.
Mesa usada por George Washington
Mesa usada por George Washington

 

Mansão Morris-Jumel

A última residência colonial de Manhattan foi construída como residência de verão em 1765 pelo coronel britânico Roger Morris e sua mulher americana Mary Philipse. O pai de Morris era um arquiteto famoso, de mesmo nome, o que explica alguns detalhes da arquitetura, como o pórtico gigantesco, sem precedentes nos EUA, e a parte traseira da casa, que foi o primeiro octógono construído no período colonial.

Entrada da mansão
Entrada da mansão

 

A mansão tinha vista para todas as direções da cidade: New York Harbor e Staten Island ao sul, rios Hudson e Harlem a oeste e leste, e Westchester ao norte. Durante a Revolução Americana de 1776, serviu de sede militar e foi ocupada sucessivamente por George Washington, general Sir Henry Clinton e general alemão Baron von Knyphausen. Como a família Morris ficou leal ao Reino Unido durante a Revolução, a propriedade foi tomada e vendida posteriormente.

Quarto que serviu de escritório temporário para George Washington

 

A história mais recente da casa é focada na família Jumel. Stephen Jumel era um imigrante francês com muito dinheiro que se casou, em 1804, com sua amante Eliza Bowen. Eles compraram a mansão em 1810 e, em 1815, quando foram para a França, chegaram a oferecer o local para ser abrigo para Napoleão, depois da Batalha de Waterloo. Ele negou o convite, mas o casal chegou a comprar muitas relíquias de Napoleão, que podem ser vistas no quarto azul, no segundo andar.

Uma das salas da mansão
Uma das salas da mansão

 

Stephen morreu em 1832 e Eliza casou-se com o ex-vice-presidente Aaron Burr um ano depois. Quando faleceu, em 1865, ela foi considerada uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos. Dizem que a casa é mal-assombrada; quatro pessoas morreram na casa, incluindo Eliza.

Durante o OHNY, foram realizados tours gratuitos na mansão. A casa é aberta ao público e o ingresso custa US$ 10 (os tours acontecem somente aos finais de semana). O local também é palco para apresentações musicais e teatrais. Confira o calendário.

Em frente à mansão fica a Sylvan Terrace, rua com duas fileiras de casas idênticas de madeiras construídas em 1882. Elas ficaram vazias por cinco anos, pois não havia estradas até lá. Uma delas está disponível no Airbnb.
Em frente à mansão fica a Sylvan Terrace, rua com duas fileiras de casas idênticas de madeiras construídas em 1882. Elas ficaram vazias por cinco anos, pois não havia estradas até lá. Uma delas está disponível no Airbnb.

 

Edgar Allan Poe’s Cottage

A pequena casa de madeira, construída em 1812, serviu como última residência do escritor americano, de 1846 a 1849. Poe foi para o Bronx em busca de “ar fresco”, em uma tentativa de melhorar a saúde de sua esposa, Virginia, que tinha tuberculose. Na época, a casa tinha vistas desobstruídas do Bronx até Long Island. Era um local bucólico, no qual ele escreveu muitos de seus trabalhos poéticos como “Eureka”, “Annabel Lee” e “Os Sinos”.

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Poe alugou a casa por US$ 100 dólares por ano. Como o escritor não tinha uma boa condição financeira, o interior da casa é muito simples. Um dos itens mais valiosos é um espelho. Além do casal, morava na casa a sogra do escritor, Maria Clemm. Virginia morreu em 1847 e, após a morte de Poe, em 1849, enquanto estava em Baltimore, sob condições misteriosas, Maria se mudou.

Mesa de trabalho de Edgar Allan Poe
Mesa de trabalho de Edgar Allan Poe

 

Em 1975, foi reformada, mantendo sua aparência original. Durante o OHNY, foram promovidos tours gratuitos – mas, infelizmente, devido à quantidade de pessoas, o segundo andar foi fechado à visitação. A casa é aberta ao público por US$ 5 e tours somente nos fins de semana.

A singela cozinha
A singela cozinha

 

Gosta de passeios que relembram fatos históricos? Leia este post sobre lugares para relembrar o Muro de Berlim

Saiba mais sobre o OHNY

Inspirado na experiência londrina, Scott Lauer criou a organização Open House New York em 2001, com o objetivo de promover ações para educar o público sobre a arquitetura e o design da cidade. Em 2003, foi realizado o primeiro final de semana de visita ao interior de 84 edifícios, o Open House New York Weekend, em parceria como a Architecture Week de Nova York, que contou com um público de 45 mil pessoas. Desde então, o evento vem crescendo, aumentando o número de palestras, tours, localidades e audiência.

Existe uma rede de eventos Open House pelo mundo, sendo 25 oficiais. Além de Nova York e Londres, ele é realizado em Adelaide, Atenas, Barcelona, Belfast, Brisbane, Buenos Aires, Chicago, Cork, Dublin, Eslovênia, Galway, Gdynia, Helsinki, Jerusalém, Limerick, Lisboa, Madri, Melbourne, Monterrey, Nicósia, Oslo, Perth, Porto, Praga, Roma, Salonica, Tel Aviv, Vienna e Vilnius.

Confira a programação no site da OpenHouse Worldwide.

A foto em destaque é a City Hall. Todas as fotos são de Larriza Thurler.

City Hall
Broadway com Murray Street, Civic Center
Metrô:  City Hall/Brooklyn Bridge (linhas 4, 5 e 6), Park Place (linhas 2 e 3), City Hall (linha R) e Chambers Street (linhas A e C).

Morris-Jumel Mansion
65 Jumel Terrace, Washington Heights
Horário de funcionamento: Terças às sextas (10h às 16h), sábados e domingos (10h às 17h)
Metrô: 163rd Street (linha C, saída 161 & St Nicholas)
Ingresso: US$ 10

Edgar Allan Poe’s Cottage
2640 Grand Concourse, Fordham
Horário de funcionamento: Quinta e sexta (10h às 15h), Sábado (10h às 16h) e domingo (13h às 17h)
Metrô: Kingsbridge Road (linhas D ou 4)
Ingresso: US$ 5

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