Com tamanhos acima do 46, o Bazar Pop Plus Size é um fenômeno em São Paulo

Crédito: Divulgação/Robson Leandro

História real: já vesti do 36 ao 46, em todos esses 34 anos de engorda-emagrece-engorda. Não tenho vergonha de dizer. E já perdi a conta de quantas vezes fui olhada de rabo de olho por vendedoras ao experimentar uma peça de roupa em uma loja. “Tem maior?”, eu perguntava. “Não, esse é nosso maior tamanho”, a moça respondia. E, no provador, a calça não passava dos meus joelhos. Também já fui gentilmente enxotada de estabelecimentos comerciais ao perguntar “Oi, você tem tamanho 44 desse short?” e receber como resposta “Não, meu amor, nosso maior número é o 40”.

Como assim? Com o tempo, comecei a ficar inibida e a desistir de provar roupas nas lojas. Quantas vezes já comprei uma peça para trocar depois? Já perdi a conta. Hoje, vestindo 44, ou 42 – ainda tem isso, já que cada marca tem uma modelagem diferente – continua sendo complicado unir as variáveis “roupa que eu gosto” + “tamanho que cabe em mim”.

Para quem vive dramas semelhantes, e para quem admira histórias de empoderamento e iniciativas femininas, São Paulo tem uma boa pedida neste fim de semana: o Bazar Pop Plus Size. O Pop Plus Size é comandado pela jornalista e DJ Flávia Durante. Natural de Santos, mas moradora de São Paulo há bastante tempo, Frá – como é conhecida entre os amigos e na cena cultural da cidade, na qual ela é super envolvida – decidiu começar a organizar o bazar por conta da sua dificuldade em encontrar roupas GG que combinassem com seu estilo e personalidade.

– Comecei o bazar em dezembro de 2012 reunindo meia dúzia de marcas. Na 10ª edição já tínhamos 23 marcas! (O Pop Plus Size) Está evoluindo bastante em pouco tempo, felizmente. Mas ainda é pouco! A moda plus size precisa ser acessível a todas as camadas da sociedade. E a mulher gorda ainda precisa ser enxergada pelo high fashion – conta Flávia.

Crédito: Divulgação/Robson Leandro
Flávia Durante, idealizadora do Bazar Pop Plus Size

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Vale lembrar que, segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado da moda plus size já movimenta anualmente no Brasil R$ 4,5 bilhões, cerca de 5% do faturamento total do setor de vestuário em geral.

– Financeiramente o bazar ainda se empata, pois somos totalmente independentes e sem patrocínio, por enquanto (alô, patrocinadores!), mas ele traz um crescimento profissional e pessoal muito grande. Cada história me enriquece e incentiva a continuar. Não são poucas as mulheres que vêm me agradecer por finalmente encontrarem uma peça de roupa de acordo com o seu estilo. Mas o caso mais emocionante até agora foi esse ano, de uma garota de uns 13 anos que caiu em lágrimas quando encontrou um vestido do jeito que ela queria. Se uma menina de 13 anos já sente essa dificuldade e essa pressão é porque tem algo muito errado! – acredita Flávia, que figurou nas listas de mulheres inspiradoras de 2013 e de 2014 do (incrível) site Think Olga.

A cidade de São Paulo, acredita Frá, também ajuda a fomentar iniciativas como essa.

– Tudo que é feito com criatividade e amor é abraçado pela cidade de São Paulo. Há cada vez mais mulheres empreendedoras com ideias incríveis e estão todas sempre trocando suas experiências. A mulher empreendedora tem essa incrível característica de compartilhar. Do Pop Plus já surgiram novas marcas, parcerias, outros bazares, nós não paramos! – comemora a criadora do Pop Plus Size, que ainda destaca outras ações bacanas de mulheres empreendedoras em São Paulo: – A Casa de Lua, coletivo feminista que oferece cursos e cria iniciativas para fortalecer e enriquecer o universo feminino; o bloco afro feminino Ilú Obá de Min, uma das coisas mais lindas de São Paulo; o Transcidadania, projeto de inclusão de trans e travestis no mercado de trabalho; e o Minas Nerds, coletivo que batalha pela representatividade da mulher no meio geek.

 

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