Manual da paquera em Paris

Nossa convidada, a jornalista e fashionista Cibele Maciet, conta como funciona a paquera em Paris. Casada com um parisiense, ela entende desse assunto!

“Antes de começar qualquer texto, queria deixar claro que há sempre que se levar em conta os hábitos e costumes sociais de cada povo. Nós, brasileiros, somos abertos à conversa, simpáticos (até demais – aliás ,esse é um papo para outro texto), calorosos e generosos em geral. Com a gente não tem tempo ruim – principalmente quando estamos fora do nosso país, e, por isso, por uma série de fatores – leia-se solidão, carência, melancolia e desejo de aceitação.

E essa abertura nossa é extremamente admirada pelos parisienses – mesmo que eles não expressem isso –  por serem nonchalants, blasés demais – e o que mais você quiser colocar aqui (uma vez, conversei com um senhor, que me disse que os Parisienses são assim porque moram na cidade mais linda do mundo, com a melhor comida do mundo e que por isso, não daria para ser diferente. Eles já têm tudo e por isso são blasés. Será?).

Mas entenda que isso também pode ser muito charmoso. Principalmente quando você pensa no charme de um Louis Garrel – ok, é tão clichê falar isso, mas pode também ser extremamente conectado com o real.

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Os parisienses (não falo dos franceses, e, sim, especificamente de onde vivo, Paris) … bem, os parisienses são particulares. E quando digo particulares, você pode entender negativamente ou não. Mas, atenção: não vamos cair em generalidades. Tudo depende, depende muito: depois de um certo tempo você começa a encarar os parisienses de forma carinhosa, quase sexy. Bom, mas vamos entender como funciona o mecanismo de paquera em Paris primeiro:

Olho no olho

Pra começar, não existe, normalmente, paquera ou troca de olhares na rua. Há um certo respeito à individualidade de homens e mulheres, e olhar demais pode ser considerado assédio. Não é que nunca aconteça, pode acontecer, mas é mais provável que aconteça à noite, perto de bares, e, mesmo assim, é raro. Não é o forte, definitivamente. E é tão fora do costume que periga disso até ser encarado como « Será que ela me conhece de algum lugar? » Hahaha, é isso mesmo. Só quem paquera na rua aqui são os estrangeiros ou franceses com origens latinas, africanas, árabes… Mas isso a gente ja sabia, né? Esses são conhecidos por serem mais diretos e paqueradores, aí a coisa já é diferente. Mas se você quer entender como funciona a paquera em Paris, continua lendo aqui comigo.

Barzinhos

A paquera no barzinho (ou nos terraços, como é de praxe) também pode ser considerada logo de cara meio inexistente. A não ser que você comece a puxar papo com a mesa do lado, mas de forma completamente «sem terceiras intenções».

O que é preciso entender sobre essa gente, que morre de medo de ser invasivo e inadequado – já ouviu falar que os parisienses não falam inglês por esnobismo? Não caia nessa, é mais por medo de errar! – , é que você tem que chegar com calma. Uma conversinha aqui, uma ali, pode ser uma boa entrada para uma troca de «06» (forma de chamar o número de telefone celular por aqui), um drink na semana que vem, quem sabe?

Buatchy

Vá sabendo logo de cara que você não vai sair da boate dizendo «fiquei com alguém!». Não existe muita pegação aqui como existe no Brasa. Mas, mais uma vez, atenção: depende da hora e de que público estamos falando. Se você vai a uma boate de musica eletrônica, às 5h da manhã, depois de ter engolido muitos «Vodka Pomme» você vai pegar QUEM VOCÊ QUISER. Todo mundo vai estar facinho, acessível, simpático, beijando quem quiser beijar 🙂 Mas se falamos de uma boate como o Badaboum, cheia de jovens que vão dançar – leia bem, DANÇAR – outros tipos de música, eles estarão em grupinhos ou com amigos. Aí, há uma chance em trinta que alguém se pegue (a não ser que você decida ir às 5h da manha no Rex, a boate de musica eletrônica).

Tinder & companhia

Aqui tem o site Meetic, que é como o Par Perfeito, para gente mais velha. Mas o Tinder, ah, esse funciona. Bem, acho que ele funciona em qualquer lugar do mundo! Mas para vocês terem noção do quanto ele dá certo –  bom não foi comigo, eu já estava casada quando o Tinder apareceu -,  fui testemunha ocular de uma amiga que tentou vários encontros por ele até finalmente conhecer alguém legal pelo Meetic (hahaha). Piada infame!

Mas o fato é que a internet funciona. Os parisienses são «especiais»: 43% deles são solteiros (contra 33% no interior da França), o que quer dizer, por exemplo, que seis meses de frio são difíceis de suportar, que os apartamentos minúsculos nos fazem girar em círculos, que a falta de verde e de ar puro nos deprimem. Que as pessoas são frias, individualistas, reclamonas, mal humoradas, que bufam. Bom, chega de reclamar. Puffffffff!

Por isso, a internet quebra o gelo e aproxima corações solitários em busca de um amor eterno ou simplesmente de… sexo casual. Detalhes em números para você entender que a França é, ao mesmo tempo, a rainha da libertinagem: a infidelidade é mais freqüente em Paris (46%) contra o resto da França (40%). Ou 15% dos parisienses já fizeram troca-troca entre casais, contra 5% do resto da França. E, também, que o número médio de parceiros sexuais dos parisienses é de 19, contra 11 dos franceses que moram fora da capital. E, finalmente, que o sexo casual aqui em Paris acontece com 44% dos homens e com 23% das mulheres, e no interior, os números são 31% e 16% (essa pesquisa foi realizada numa amostra de 2007 parisienses com mais de 18 anos).

Jantar ou festchinha na casa de amigos

Disparado o melhor jeito de paquerar em Paris: um encontro com alguém desconhecido, ou conhecido de vista, na casa de amigos. Perfeito. Bingo! A ocasião tem um quê de intimidade, de proximidade, de quase «recomendação» do amigo em comum, esse que organiza o jantar. Quase como uma benção. Saravá, amigo.

Que seja para jantar ou dançar, vá, jante, converse, dance, fume um cigarro. Vai ter certamente alguém te olhando de longe e te achando bem interessante.

Se conselho fosse bom…

Por isso, se eu posso te dar um conselho – porque, afinal, casei com um parisiense! – é: se você fez um primeiro contato, não ligue, não escreva, e até suma, de preferência. Tem coisa melhor que desejar alguém mais blasé que você mesmo? Mas não faça muito, só o necessário, ou até que ele comece a dizer que gosta da sua simpatia brasileira (aquela que é até demais).”

E você, tem mais dicas de paquera em Paris?

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