Lyon em 4 dias: o que fazer numa das maiores cidades da França

Lyon vista do alto da Fourvière. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lyon vista do alto da Fourvière. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Uma das maiores cidades da França, Lyon é o lugar ideal para quem quer conhecer uma metrópole francesa para além de Paris. Localizada na região de Rhône-Alpes, fronteiriça com Suíça e Norte da Itália, Lyon é o berço de dois ícones da cultura francesa: o cinema e a gastronomia.

São conhecidos lioneses o chef Paul Bocuse (cuja imagem você vai ver em diversos pontos da cidade), os irmãos Lumière e o escritor Antoine Saint-Exupéry. E Lyon também é a cidade da Fête des Lumières – a tradicional Festa das Luzes, que todo mês de dezembro ilumina as ruas da cidade e que foi nossa razão principal para passar 4 dias lá.

Fête des Lumières: como se preparar para a Festa das Luzes de Lyon

Instalação da Fête des Lumières de 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Instalação da Fête des Lumières de 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

O que fazer em Lyon

Com cerca de 500 mil habitantes, Lyon disputa com Marselha o posto de segunda maior cidade francesa. Além disso, é uma cidade com forte vocação industrial, com uma economia mais sólida, o que o visitante vê na imensa variedade de comércios e restaurantes.

Um dos pontos altos de Lyon é a vida cultural. São dez os grandes museus, uma ópera nacional que abriga um dos mais importantes corpos de balé do mundo, e uma dezena de cafés-teatros que recebem shows satíricos. Isso sem contar que Lyon costuma fazer parte das turnês mundiais de grandes artistas – em 2016, Radiohead e PJ Harvey foram alguns dos que passaram por lá. Vale acompanhar a programação musical da cidade, quando você for para lá.

Quer saber o que visitar em Lyon? Entre em contato e saiba como ter um guia de Lyon personalizado, com o Almost Locals Experience.

Villa Lumière, o museu dos irmãos Lumière. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Villa Lumière, o museu dos irmãos Lumière. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Eu gosto de bater perna e adoro visitar museus. Como bater perna a 0°C é um pouco complicado, passei dois ótimos dias entre exposições. Passei no Museu de Belas Artes, no Museu de Arte Contemporânea, no Musée des Confluences e na Villa Lumière, a casa onde viveram os irmãos Lumière e que tem um acervo todo voltado para o surgimento do cinema.

Nós adoramos tudo o que vimos (e aqui você lê um pouco mais sobre cada um dos museus que visitamos), mas eu confesso que fiquei espantada com a tranquilidade no Museu de Belas Artes. Vá lá que era uma quarta-feira de baixa temporada, mas em muitas salas nós ficamos sozinhos com as obras. Isso é muito raro hoje num grande museu de uma grande cidade. E é ótimo!

Quatro museus em Lyon que você deve visitar

Bairros para visitar em Lyon em 4 dias

Nas horas mais quentinhas do dia nós caminhávamos por Lyon. A cidade é cortada por dois rios, o Saône e o Rhône, e pode ser dividida em três áreas básicas para explorar: Vieux-Lyon, Prêsque Île e Part-Dieu.

Vieux-Lyon é, como o nome diz, a velha cidade. No alto da colina da Fourvière foi onde a cidade começou e foi só com uma crise de abastecimento que os lioneses desceram para a beira do Saône. Nós exploramos essa parte da cidade com o Lyon City Bus, aqueles ônibus turísticos que permitem que você suba e desça em qualquer lugar. Sem o ônibus, a forma mais fácil de subir a colina é com o funicular que sai da estação Vieux-Lyon.

Na Fourvière, nós visitamos os Teatros Galo Romanos, ruínas históricas que, em junho e julho, servem de palco para o festival anual Nuits de Fourvière. Também fomos à Basílica de Notre Dame, que é certamente uma das igrejas mais bonitas que eu já vi (e, modéstia parte, eu já visitei muita igreja nessa vida rs…).

Teto da Basílica de Notre Dame de Fourvière. Foto: Amaya & Laurent / Flickr
Teto da Basílica de Notre Dame de Fourvière. Foto: Amaya & Laurent / Flickr

Na parte baixa de Vieux-Lyon – que é também o pedaço mais turístico da cidade, cheio de lojas de souvenir – a graça é a arquitetura histórica. Além dos prédios pequenos, coladinhos e lindos, por trás deles se esconde um dos segredos mais legais de Lyon: as traboules (fala-se trrabúle).

São passagens por entre os prédios, que servem como atalho entre ruas internas. A prefeitura da cidade fez um acordo com os atuais moradores desses espaços e, pela importância histórica, eles ficam abertos para visitação. Mas pede-se moderação dos turistas, já que as traboules são praticamente o quintal das pessoas.

A outra margem do Saône

Do outro lado do Saône (você pode cruzar o rio pela bonita Ponte Bonaparte), fica a Presqu-Île. Essa península vale a pena ser percorrida de cima a baixo. Na parte norte, mais alta, fica a Croix-Rousse, outra parte antiga da cidade, também conhecida como Bairro da Seda, dos tempos em que Lyon era um dos líderes mundiais do negócio da seda.

A Croix-Rousse tem uma parte alta e uma parte baixa e merece ser percorrida a pé. Não é uma região de monumentos, mas um lugar onde você vai curtir a atmosfera local. Um dos destaques ali é o mur peint, um paredão pintado com cenas do dia-a-dia lionês e lioneses célebres.

Traboule e as escadinhas da Croix Rousse. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Traboule e as escadinhas da Croix Rousse. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Ao sul da Croix-Rousse você encontra a Place Terreaux, onde fica o Museu de Belas Artes. Ali do lado ficam o Hôtel de Ville (prefeitura) e a Opéra National. Descendo a Presqu-Île você vai passar por aquele comércio de moda típico de grandes cidades europeias, cheio de lojas de fast fashion. E logo chega na Praça Bellecour, que agora em dezembro tinha uma roda-gigante montada.

Mais ao sul fica Perrache, um bairro que leva o nome da estação de trem. Se você vier de trem de Paris para Lyon (são duas horas de viagem), é nessa estação que vai descer. Também é saem dessa estação os trens que ligam Lyon a Marselha. Os arredores de Perrache têm aquele clima mais sujo e industrial de estações de trem, mas são o ponto de partida para a região da Confluences, o sul da Presqu-Île, que é onde o Saône e o Rhône se encontram.

Roda-gigante na Place Bellecour, em Lyon. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Roda-gigante na Place Bellecour, em Lyon. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Uma escapada de verão : 48h em Marselha

A Confluences é a zona mais moderna de Lyon. Lá ficam alguns prédios de arquitetura bem marcante, como os cubos laranja e verde dos arquitetos Jakob e Macfarlane que servem como edifícios comerciais e espaço de cultura. Ali perto fica ao Musée des Confluences, que foca em exposições que dialoguem com o planeta. As exposições permanentes tratam da evolução das espécies e da diversidade.

O Cubo Laranja. Foto: Roland Halbe
O Cubo Laranja. Foto: Roland Halbe

Cruzando o Rio Rhône

Do outro lado do Rhône fica a Part-Dieu, uma parte bem pouco turística da cidade, mas que deve ser visitada. É na Part-Dieu que fica o maior hub de transportes de Lyon para os arredores. Também fica ali a bonita Gare de L’Est, onde você vai encontrar dois restaurantes do Bocuse que cabem no bolso.

Esse lado de Lyon é também onde ficam a Villa Lumière, o Museu de Arte Contemporânea e o Parque Tête D’Or, um enorme parque urbano com jardim botânico e zoológico, onde você vê muitos lioneses fazendo exercício. É perfeito para um passeio de bicicleta.

Uma das entradas do Parque Tête D'Or. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Uma das entradas do Parque Tête D’Or. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Comer em Lyon

Outra coisa que você precisa fazer é comer e beber em Lyon (bem). A cidade fica na região produtora dos vinhos Côtes du Rhône e Beaujolais e quase todo vinho da casa (aquele mais barato) nos restaurantes é desses tipos. Em Lyon eles são servidos numa garrafa especial, o ‘pot’, que tem 460 ml (46 cl).

Na gastronomia, um dos ícones de Lyon é Paul Bocuse, chef estrelado, que só em Lyon tem oito restaurantes e ainda um mercado gastronômico, Les Halles, que é imperdível. São muito tradicionais na cozinha lionesa os embutidos de porco, os frutos do mar (em especial as ostras) e, claro, pão e queijos. Entre os doces, a receita típica é a tarte sablée praline: uma torta com massa durinha e recheio de creme de leite com amêndoas açucaradas cor de rosa.

Um detalhe importante sobre comer em Lyon é com relação aos horários. A maior parte dos restaurantes só serve almoço de 12h:00 às 14:00 (alguns encerram o serviço às 13:30) e o jantar começa por volta de 19:30, encerrando às 23:00.

Comer em Lyon: um guia básico

Peixe com batatas na Brasserie L'Est, do chef Paul Bocuse. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Peixe com batatas na Brasserie L’Est, do chef Paul Bocuse. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Como chegar em Lyon

O aeroporto local, Saint-Éxupery (o autor de “O Pequeno Príncipe” era lionês), fica distante do centro da cidade e a alternativa mais fácil para percorrer esse trajeto é pegando o Rhône-Express, um trem que liga o aeroporto à parte mais central de Lyon. A viagem dura pouco mais de meia hora e os trens saem em intervalos de 15 minutos.

Os bilhetes custam 15,90 € (há descontos para quem tem menos de 25 anos e gratuidade para crianças até 12 anos), com um pequeno desconto em compras pela internet ou na compra do bilhete de ida e volta. Em compras pela internet com dois meses de antecedência à viagem, é possível comprar com desconto: ida e volta por 20,80 €, uma economia de quase 7 € em relação ao preço de bilheteria.

A entrada no trem acontece sem nenhum controle – não há roletas nem validadores – mas tão logo o trem arranque, um fiscal passa para conferir seu bilhete.

Gare de L'Est de Lyon. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Gare de L’Est de Lyon. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Como circular por Lyon

A rede de transportes de Lyon é impressionante. São quatro linhas de metrô, cinco de tram, duas de funicular e ainda dezenas de linhas de ônibus. Isso sem falar no serviço de bicicletas públicas, que é muito extenso e acessível (a partir de 1,50 euro a diária de 24 horas). Um bilhete de 24 horas de livre acesso aos transportes públicos custa 5,50 euros.

Como Lyon é uma cidade muito plana, com uma boa rede de ciclovias, os locais ainda usam outros meios alternativos para se locomover, como patins e patinetes.

City tour em Lyon vale a pena?

Bicicletas públicas: projeto de Lyon é anterior ao de Paris. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Bicicletas públicas: projeto de Lyon é anterior ao de Paris. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Lyon City Card

Uma opção a se considerar, na visita a Lyon, é a compra do Lyon City Card, um passe de um, dois ou três dias de livre acesso aos transportes da cidade e dos principais museus. Além disso, o cartão dá descontos em alguns tours e outras atrações. O Lyon City Card custa a partir de 24 euros (de um dia), e está à venda no aeroporto, no escritório de turismo da Place Bellecour e outros endereços, mas compra-se com desconto pela internet.

O bureau de turismo de Lyon, gentilmente nos cedeu passes de dois dias para explorar a cidade. Nós alugamos bicicleta, visitamos quatro museus e usamos o transporte público a todo tempo nesses dois dias, já que fazia um frio danado. Só os ingressos dos museus teriam custado 37 euros, mais do que o passe. Eu achei que vale muito a pena.


O Almost Locals recebeu como cortesia do ONLYLYON Tourisme et Congrès o Lyon City Card. Todos os lugares citados nesse post foram selecionados pelo Almost Locals.

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