Lisboa em setembro: a cidade se despede do verão ’em grande’

Lisb-on Jardim Sonoro. Foto: Divulgação / Lisb-on
Lisb-on Jardim Sonoro. Foto: Divulgação / Lisb-on

Se junho é o mês mais animado do ano em Lisboa, setembro chega para disputar esse posto. Na despedida do verão, a cidade se enche de música, cinema e teatro pelas ruas. Tem eletrônico, circo, street art e fado (pois). Lisboa também abre suas portas e revela alguns dos seus espaços secretos em visitas guiadas. Se você vai passar por Lisboa em setembro, cola aqui para saber o que acontece.

Clima de Lisboa em setembro

Pelo meu tempo aqui, é meio loteria. No início do mês ainda é verão, mas a temperatura cai bastante e um dia quente (por volta dos 26°C) normalmente termina numa noite fresca, já friazinha (uns 18°C). Pode ventar um bocado e a chuva volta a aparecer de vez em quando. Aí é quando as calçadas de pedras portuguesas ficam mais escorregadias. Por isso, traga sapatos antiderrapantes, se puder.

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Festival Iminente 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Festival Iminente 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

O que fazer em Lisboa em setembro

Se sua onda é música eletrônica, o mês começa com mais a quarta edição do Lisb-on #jardimsonoro. Nos dias 1, 2 e 3 de setembro, o Parque Eduardo VII terá dois palcos para shows. No principal, a eletrônica dita o ritmo, numa sexta-feira com curadoria da Red Bull Music Academy. No sábado e no domingo, a música ocupa ainda um segundo palco do Lisbo-n. No principal se revezam nomes como Tony Allen, Nina Kraviz, DJ Koze e Motor City Drum Ensemble. No secundário, a atmosfera é de black music, funk e house.

Na Tapada da Ajuda segue firme o Brunch Electronik. O evento, que rola também em Barcelona, Madri e Paris, entra no seu terceiro mês com vários DJs se revezando aos domingos no palco montado no meio de uma pedreira. Há um pequeno mercado de moda, street food e uma área infantil, para quem quiser curtir um domingo eletrônico em família, que é um das marcas do Brunch. Os headliners de setembro são Jackmaster B2B Peggy Gou, Magda (Geist), Michael Mayer (Kompakt) e Paul Ritch.

No dia 23 de setembro, também ao ar livre, rola o sunset eletrônico da LXMusic. O DJ Boris Brejcha é a grande atração nessa festa que vai do por do sol ao dia seguinte, aos pés do Cristo-Rei, em Almada, na margem sul do Tejo. É dali que se tem uma das vistas mais bonitas de Lisboa.

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Brunch Electronik na Tapada da Ajuda. Foto: Divulgação / Brunch Electronik

Música e arte de rua no Festival Iminente

Em 2016, Alexandre Farto, o Vhils, reuniu sua galera da arte e da música para o Festival Iminente, em Oeiras, nos arredores de Lisboa. Nomes da arte de rua portuguesa, como Wasted Rita, Aka Corleone e Bordalo II – além do próprio Vhils, claro – criaram peças, instalações ou performances para ocupar o espaço. Havia um palco para show e uma pista de carrinho bate-bate (um clássico dos parques de diversões) fazia as vezes de dancefloor, com DJs se revezando.

Esse ano, Vhils e sua malta tocam uma segunda edição do Festival Iminente, de 15 a 17 de setembro. As bandas Capitão Fausto e Orelha Negra tocam na sexta. No sábado, os DJs Branko e Xinobi + Moullineux são atração no palco enquanto Shaka Lion e a Enchufada na Zona são nomes fortes da pista. No domingo, há o jazz moderno e desconstruído de Bruno Pernadas, o rap vigoroso de Capicua e a fadista Carminho, numa apresentação que tem tudo para ser curiosa.

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Festival Iminente 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Festival Iminente 2016. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

O fado volta à casa, em Alfama

Diz-se que o fado nasceu na Mouraria mas vive em Alfama. E em anos recentes, durante um fim de semana em setembro o fado volta à sua casa num festival itinerante, o Caixa Alfama. Nesse evento o público percorre o bairro, indo de palco em palco ver diversos fadistas em ação. Nesta quinta edição do festival, António Zambujo e Gisela João são possivelmente os nomes mais populares, mas há muito mais.

Se o fado normalmente embala as ruas de Alfama nas noites de sexta e sábado, no Caixa Alfama, o público também ocupa os becos, vielas e escadinhas dessa que é uma das zonas mais antigas de Lisboa. O bairro fica mais vivo e ainda mais encantador.

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Lisboa vista do Cristo Rei. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lisboa vista do Cristo Rei. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Lisboa na rua: uma programação intensa

Há evento quase todo dia em setembro em Lisboa e o responsável por isso é o megaprojeto Lisboa na Rua, que abriga vários pequenos eventos de diversas áreas. A programação é tão intensa que fica inviável reproduzir tudo aqui, então o melhor é conferir no calendário do site oficial. Acho que vale destacar o Sou do Fado, projeto que vai levar grandes fadistas para shows abertos no bonito Largo do Teatro São Carlos em todas as quintas-feiras do mês.

O Lisboa na Rua é também a oportunidade perfeita para conhecer alguns espaços pouco óbvios da cidade de uma forma diferente. O jardim do Palácio Pimenta, por exemplo, recebe o Cine Cidade para sessões de filmes todos os sábados de setembro. De 14 a 17 de setembro, a Estufa Fria recebe o Lisboa Soa, um festival de arte sonora que pretende transformar esse jardim coberto.

Saindo do eixão turístico, há muito para fazer e conhecer. O coreto de Carnide – um quarteirão encantador, com vibe de cidade do interior – recebe um dia inteiro de shows de artistas portugueses e franceses, mercado de vinis e algo mais no dia 2 de setembro. Uma apresentação de Carmina Burana, com a Orquestra e Coro da Gulbenkian no Vale do Silêncio, vale a ida aos Olivais no dia 9 de setembro.

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Lisboa na Rua: Teatro Dona Maria. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Lisboa na Rua: Teatro Dona Maria. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Dança, circo e teatro também para as crianças

Há ainda dois projetos de danças do mundo; apresentações de artistas circenses; uma programação especial de teatro, feira de livros e música dentro e fora do Teatro Dona Maria II. Para as crianças, foi encomendado um projeto mais que especial.

Nos dias 16, 17 e 30 de setembro haverá no Jardim da Cerca da Graça a leitura dramatizada da biografia de Violeta Parra, uma importante cantora e compositora chilena. A história faz parte da série de livros para crianças Antiprincesas, da editora Tinta da China, que tem ainda volumes sobre Clarice Lispector, Frida Kahlo e Juana Azurduy, uma militar boliviana de origem indígena.

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Exposição Van Gogh Alive. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Van Gogh Alive. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

A palavra e a arte

Para fechar setembro em Lisboa, quando o outono já estiver presente, vários espaços da região do Cais do Sodré recebem o Festival Silêncio. De 28 de setembro a 1 de outubro, a palavra é a protagonista de uma série de eventos transdisciplinares, como leituras de poesia, exposições, performances e shows.

Não fosse tudo isso suficiente, Lisboa a programação de artes plásticas em Lisboa segue firme. Prevista para terminar em agosto, a exposição interativa Van Gogh Alive – The Experience segue até o fim de setembro proporcionando uma experiência imersiva da obra do artista. Num dos torreões da Cordoaria Nacional, em Belém, uma série musicada de projeções de pinturas acompanha de trechos da biografia do holandês, refazendo sua trajetória.

No dia 8 de setembro, a novidade no circuito é a exposição Joan Miró: Materialidade e Imortalidade. Egressa da Fundação Serralves, no Porto, reúne 85 obras numa das maiores mostras do artista catalão. A exposição ocupa o bonito Palácio Nacional da Ajuda.

Como se vê, há evento de sobra para se jogar antes de começar a hibernação de inverno.

Quer saber mais sobre o que visitar em Lisboa? Entre em contato e saiba como ter um guia de Lisboapersonalizado, com o Almost Locals Experience.

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