LIS: Lisboa Dance Festival, música eletrônica Portuguesa para o mundo

Lisboa Dance Festival

Escute aqui o nosso playlist do Lisboa Dance Festival enquanto lê:

O Lisboa Dance Festival aconteceu nos dias 4 e 5 de Março, como resultado da paixão por música da produtora e mentora do projeto Karla Campos, que há dois anos decidiu escolher cuidadosamente uma equipe e oferecer ao público português um festival onde o tema central fosse a música eletrônica produzida hoje em Portugal. Durante dois dias, artistas, editoras, imprensa e público, celebraram, discutiram e ampliaram seus horizontes em uma “festa” que reuniu 9000 pessoas e 60 artistas espalhados por 5 salas.

Lisboa Dance Festival

Atualmente, Portugal serve de palco para mais de uma centena de festivais, festas itinerantes, residências, matinées e after hours por ano. E dentro da equação: programação / cenário / experiência, se a proposta falhar no que diz respeito à relevância, o evento corre um grande risco de não conseguir atingir o público. Por isso quando um novo conceito surge, a primeira pergunta que me vem à cabeça é: quão relevante este é e o que o diferencia dos outros já existentes? Fomos conferir!

O LX Factory como cenário

Para quem não conhece, o Lx Factory é uma vila artística que abrange 23.000m2 da antiga zona industrial de Alcântara em Lisboa, uma área que hoje esbanja graça e vitalidade. A ilha criativa é formada por duas ruas, vários prédios antigos ou semi-restaurados e inúmeros espaços de todos os tamanhos. “É o lugar mais novaiorquino, fora de Nova York”, disse uma amiga jornalista.

Lisboa Dance Festival

Lisboa Dance Festival

Foto: Priscilla Dieb

Visionarismo, educação musical e atenção ao detalhe

O Lisboa Dance Festival apostou nos talentos portugueses, tanto quanto na escolha de convidados internacionais como Motor City Drum Essemble, Sven Vath e Alex Do. E fez bastante uso da política de inclusão – uma tendência mundial e relevante não só no universo musical. As palestras e masterclasses que aconteceram no segundo dia foram outro ponto alto do festival: presentear o público com a possibilidade de conhecer o humano que habita no artista (e vice e versa) é bem precioso.

Lisboa Dance Festival

Foto: Priscilla Dieb

Observei pequenos detalhes como filas na entrada, nos bares e nos banheiros, a atitude por parte da segurança e de todos que trabalham, logísticas (inclusive o quesito higiene)… Tudo correu lindamente. A cereja do bolo foi uma focaccia de berinjela dentre as opções para vegetarianos que um dos food trucks oferecia, um pequeno pormenor que alteraria a minha experiência como público, caso a larica apertasse.

Lisboa Dance Festival

Foto: Priscilla Dieb

Sexta, Dia 4 de Março

Por conta das cinco salas com programação simultânea não foi fácil ser omnipresente, mas bem que eu tentei. Corri de um lado para outro e consegui ver um pouco de quase tudo que tinha planejado. O ponto de partida foi o palco principal com o dj Cardia (Flow Records) que ambientava o galpão para o público que aos poucos chegava – tudo muitíssimo bem sonorizado e iluminado. Segui então para a Sala NormaJeanonde De Los Miedos (Ostra Discos) tocou uma espécie de volta ao mundo musical e eu fui junto. Dali pulei para a Sala Bi+Ca, que ficava no andar de cima de um dos restaurantes do Lx e lá pude curtir os beats do Miguel Torga (Container Discos) que já fazia a sala suar. De volta ao placo principal, assistí o set energético e cheio de Deep/Tech House do Cruz (bloop records).

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Perto da meia noite voltei para a Sala Zoot
, onde se iniciava o showcase da Enchufada. Muitos e muitos thumbs up para o duo Bison & Squareffekt pela apresentação incrível, com sons cheios de melodias, reverbs, synths e grooves complementados por beats arrastados, em um set que poderia servir de trilha sonora para viajar por um  planeta ainda desconhecido. Mais uma obsessão para a lista. No mesmo palco, subiu o Dotorado Pro, que  jogou uma mão cheia de beats nos nossos joelhos até que atingissem 90º, o angulo perfeito para twerks. Durante o seu set tive dificuldades de me adaptar às mudanças de ritmos, que mesmo mixadas com total perfeição, por vezes foram abruptas, mas consegui abstrair e curtir os vocais deliciosos mergulhados em bases picotadas que misturam KizombaKuduro, Funk Brasil, entre outros. Depois de assistir Dotorado Pro, mais uma mudança de sala, para conferir o set do trio animadíssimo Discos Extended na Sala Bi+Ca, que percorreram do Classic House ao Breakbeat sem perder a coerência.

Lisboa Dance Festival

 

Sábado, Dia 5 de Março

Depois de assistir o debate sobre “O som das Periferias e a Batida de Lisboa” moderado por Rui Miguel Abreu com a participação do Dj Satelite, Dj N.K (Enchufada) e Dj Dany Kas, consegui apanhar a masterclass do Moullinex na sala ao lado. Ele, muito bem humorado, compartilhou com os interessados o seu processo criativo e como usa softwares, sintetizadores, plugins, nas suas composições. Coincidentemente, em ambas as salas falou-se da importância do experimentalismo musical e de que como se deixar “acidentar” é importante para o crescimento artístico.

Lisboa Dance Festival

Foto: Priscilla Dieb

No palco principal Glenn Astro (Groovement) já aquecia o galpão com um set jazzy-disco-house bem animado. Enquanto isso na Sala Zoot,  Isaura & Francis Dale Live apresentavam um show lindo de morrer… Que voz! Em seguida o showcase da DiscoTexascom o Xinobi que também se apresentou, com banda e tudo, antes do Moullinex que devorou a pista com um live set ultra energético e denso, levando o público ao delírio.

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Moullinex  Foto: Priscilla Dieb

Na sequência, o showcase da Príncipe Discos, teve início com o set do duo CDM (Dj Maboku e Dj Lilocox), modificando o DNA do afrobeat sem comprometer a sua integridade; a dupla entregou a pista em chamas para o  BlackSea Não Maya, autores do EP “Calor no Frio” lançado recentemente.

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Casa da Mãe (Dj Lilocox e Dj Maboku)  Foto: Priscilla Dieb

O festival só terminou por volta de nove da manhã e diz quem lá esteve até o final que o after party foi bem mítico. Invejei um pouco a energia dos que foram mas também confesso que já estava musicalmente saciada.

Lisboa Dance Festival ofereceu a possibilidade de uma imersão musical inspiradora para muitos gostos, promovendo além do convívio, uma grande formação de comunidade que a longo prazo acaba por movimentar várias indústrias (inclusive a do turismo). Por isso, vida longa e ampla para este momento de ascensão e efervescência cultural que a música e a cidade de Lisboa atravessam

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Foto em destaque: LDF_divulgação


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