LIS: Das coisas que me incomodam em Lisboa

Estivesse eu ainda nos meus tempos de coordenadora de equipe, essa conversa começaria assim: “Lisboa, menina e moça linda, você é uma querida, solar, tranquila, cosmopolita, rica em referências históricas, com o toque certo de modernidade, mas…” E aí viria a enumerar o que o mundo corporativo me ensinou a chamar de ‘pontos de melhoria’. Pois vamos a eles.

A limpeza urbana
Esse é um ponto que sempre me incomodou em Lisboa. A recolha do lixo eu até acho eficiente, mas a limpeza cotidiana das ruas eu acho que deixa a desejar. Vejo poucos agentes varrendo as ruas para além dos bairros turísticos e o lisboeta também não é lá muito cuidadoso com o lixo.

Posso exemplificar com o excesso de cocô de cachorro deixado nas calçadas, ou pela garotada que finge não ver a lixeira e deixa seus copos de plástico e afins amontados nos canteiros dos prédios, caixas de luz e sarjeta – quem conhece o Arco do Cego sabe bem. Também há os responsáveis por restaurantes que parecem fingir não perceber que algumas calçadas são muito estreitas e, horas antes de o caminhão do lixo passar, deixam o ‘latão’ bem no meio do caminho. A solução para isso? Não sei, mas certamente não pode ser fazer o pedestre ter que desviar para o meio da rua. Ainda mais numa cidade com tantos idosos.

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Para encerrar o tópico, tem a questão da coleta seletiva. Ela existe de fato, há diversos pontos de separação de lixo nas ruas – em alguns bairros mais do que em outros, é bem verdade. No entanto, o entorno dos ‘ecopontos’ precisa ser visto com mais atenção, porque frequentemente fica um resquício de sujeira para trás que, com o passar dos dias, dá mau cheiro.

cigarro

O cigarro por todo o lado
Viver em Lisboa é retornar a um tempo em que se saía de casa no Rio de Janeiro e voltava-se defumado. O lisboeta fuma – e muito. Fuma no café da manhã, no almoço, no jantar, na varanda, na boate, na rua, na chuva, na fazenda… Bom, você entendeu. Ainda não passou um amigo brasileiro aqui por casa que não tenha se impressionado com o tanto que eles fumam. E com o fato de que ainda há restaurantes, bares e cafés onde o fumo é liberado – isso sem falar nas boates. Não bastasse o cheiro de cigarro impregnado na roupa, tanto fumo assim resulta em guimbas de cigarro por toda a parte. E aí voltamos ao primeiro ponto de melhoria deste post.

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O (des)conforto térmico
Corre a piada de que Portugal é o país mais frio da Europa. Isso a despeito de ser o mais ensolarado e mais ao sul do continente. A questão é que o país não está preparado para o frio. Nem para o calor, mas eu não posso dizer que tenha sentido muito calor aqui alguma vez. Já frio…

giphy

Sabe aquele aquecimento bacana que vem da rua e você vê na Europa do norte (e do leste, porque a Espanha também tem)? Então, Lisboa não tem. O que quer dizer que, se está 5°C lá fora, dentro de casa pode contar que a temperatura pode estar abaixo dos 10°C. Como se dribla isso? Com muita roupa, aquecimento a gás, aquecimento elétrico (que deixa a conta de luz nas alturas), lareira a óleo, lareira tradicional mesmo, cobertor elétrico, bolsa de água quente na barriga. Enfim, há toda uma indústria para tentar amenizar o desconforto, mas andar de short e camiseta em casa em pleno inverno, como faz aquela amiga que vive em Londres, é impossível. Entrar no restaurante e ficar aliviada com o calorzinho lá dentro também não vai rolar.

Os motoristas
Eu ia dedicar esse tópico aos taxistas mas, convenhamos, em que grande cidade desse mundo os taxistas têm boa fama? O foco aqui é o motorista comum, o sujeito que para o carro no meio da rua para ir ali na loja da esquina ‘rapidinho’, que estaciona em cima do trilho do bonde – travando o trânsito de um bairro inteiro, às vezes – e que não tem o menor pudor de parar o carro em cima da calçada, deixando quase nenhum espaço para o pedestre (pro carrinho de bebê, então…).

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A relação do motorista lisboeta com sinais fechados me lembra um pouco a dos cariocas (não gostamos, lembra da música da Adriana Calcanhotto?), embora menos intensa. Some-se a isso a existência aqui do sinal verde-mas-se-tiver-pedestre-atravessando-tem-que-parar e temos aí um pequeno caos. No entanto, em defesa dos motoristas lisboetas, eu preciso dizer que a faixa de pedestres eles respeitam, mesmo quando parece que não vão respeitar. Às vezes é preciso coragem para botar o pezinho na faixa e começar a travessia mas eles, mesmo que venham no embalo, param. Bendito seja o sistema de freagem em Portugal.

Apesar disso, eu sou uma apaixonada por Lisboa. E aqui estão algumas razões para isso.

E você, tem algo de que não gosta em Lisboa? Divide com a gente.

A foto que abre esse post é de Flávia Motta e mostra que tem alguém chateado com o desleixo das pessoas com o lixo em Lisboa. 


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