LIS: Como é assistir a um jogo de futebol no Estádio da Luz, em Lisboa

Essa semana foi a segunda rodada das quartas-de-final da Liga dos Campeões. Enquanto o Atlético de Madrid despachava o Barcelona da competição, na Espanha, em Lisboa eu via o Benfica dar adeus à disputa na derrota para o Bayern München. A bem da verdade, a vitória do Benfica era improvável – apesar de terem perdido só de 1 x 0 no jogo de ida, na Alemanha. Ainda assim, quando o Benfica marcou o primeiro gol da partida no Estádio da Luz, eu acreditei que seria possível e, até que o Bayern empatasse o jogo, eu me peguei torcendo como se em campo estivesse o Flamengo.

E fica restrita a esses 12 minutos de jogo a maior semelhança entre a experiência de ver uma partida no Estádio da Luz ou num estádio no Rio de Janeiro.

Mitos e verdades sobre os portugueses

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Mosaico da torcida do Benfica, no início do jogo. Foto: Flávia Motta

Começando do começo, os portugueses são, via de regra, calmos. Não são de algazarra nem de falar alto – a não ser que tenham ido tomar uns copos #quemnunca. Em dia de jogo isso se traduz em uma viagem supertranquila de metrô até o estádio. E talvez por eles serem tão tranquilos, aqui em Lisboa não existe aquela área limite para beber cerveja ao redor do estádio. Até mostrar seu ingresso pela primeira vez no Estádio da Luz, você pode beber tranquilão a sua Super Bock ou Sagres (ou Heineken, porque era dia de Liga dos Campões, pá).

E como isto aqui é Portugal, se não quiser cerveja, encontra vinho e até sangria de pressão (recomendo com ressalvas) nos trailers que ficam ao redor do estádio. Trailers que vendem, entre outras delícias, cachorros (e não cachorros-quentes, como dizemos no Brasil); pregos (filé no pão); bifanas (carne de porco no pão) e pão com chouriço (um enrolado de massa de pão com linguiça).

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‘Pré-jogo’ nos arredores do Estádio da Luz. Foto: Flávia Motta

No caminho para o estádio encontra ainda um monte de ambulantes vendendo camisas e outros itens do Benfica ou da partida. Eu adoro os cachecóis. Primeiro porque no vento frio do estádio faz todo sentido ter um cachecol no pescoço, depois porque é bonito todo mundo esticando seu pedaço de pano enquanto saúda a entrada do time em campo. Pois eu resolvi comprar o meu um pouco tarde e fiquei sem o souvenir que traz as datas dos confrontos entre Bayern e Benfica nesta edição da Liga.

Mas então você tomou seus copos, encheu sua barriguinha e vai entrar no estádio. Se entrar pelo lado da torcida dona da casa, vai dar de cara com a estátua do Eusébio, o grande ídolo do futebol português – até o surgimento de Cristiano Ronaldo. Eusébio, digo eu, é tipo o Zico aqui, um jogador que todos respeitam, independentemente da camisa que vestem.

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Estátua do Eusébio, o ídolo português. Foto: Flávia Motta

E se o Maracanã tem a estátua do Bellini servindo como ponto de encontro clássico, o Estádio da Luz tem a estátua do Eusébio assumindo essa função. Você marca de encontrar alguém ali mas já sabe que vai precisar telefonar para afinal achar a pessoa. 

Agora que você já bebeu, comeu, comprou seu cachecol (ou garoteou, como eu), fez a selfie com Eusébio, é hora de entrar no estádio. Aí vê aquele mar vermelho de gente – no caso desse jogo em especial, o estádio inteiro usava as mesmas cores. Então entra em cena a estrela do Benfica: a águia Vitória.

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A águia Vitória foi treinada para dar algumas voltas pelo estádio, próximo à torcida, e pousar no seu poleiro. É tradição nos jogos do Estádio da Luz. Eu acho bonito. Águia pousada, vem o hino do Benfica. Os torcedores se levantam e erguem seus cachecóis (sim, tô frustrada e reincidente no tema) mas cantar mesmo, ninguém canta.

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A torcida benfiquista saúda a ‘equipa’ em campo. Foto: Flávia Motta

E então você, que não é rata de Maracanã mas já perdeu as contas de quantas vezes viu o Flamengo jogar ali, fica esperando a hora em que os gritos da torcida vão começar. E começa um “SLB! SLB! SLB! Glorioso SLB!”. WTF? Pois, tal qual o Flamengo é antes Clube de Regatas, o Benfica é, antes, Sport Lisboa. E o tal do ‘SLB’ (com o L gutural, à portuguesa) é o ‘Mengo’ deles. Mas outros cantos para além deste, não me lembro de ter ouvido. Em que pese que eu estava do lado da torcida do Bayern, mais de 90% do estádio era benfiquista.

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A comparação é inevitável – e eu comparo com o Flamengo, mas o amigo são-paulino que nos acompanhava tem a mesma percepção. Falta pressão à torcida do Benfica. Acho lindo que eles valorizem o empenho do time e não apenas a vitória, mas sinto falta de emoção, de revolta com o juiz que não expulsou o jogador adversário depois daquele carrinho na área, de gritos do começo ao fim, de um ‘vai pra cima deles’.

Fim de jogo, aplausos para o time da casa, vaias para o time visitante, e os benfiquistas vão embora do estádio em paz, satisfeitos por terem ido tão longe na Liga dos Campões e já pensando no 35º campeonato português que muito provavelmente o Benfica vai conquistar.

A foto que abre este post é de Flávia Motta e mostra o Estádio da Luz pouco antes do início da partida.


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