4 hábitos de Berlim que senti falta no Brasil

Fonte: wikipedia

Visitar o Brasil é sempre uma experiência emocional cheia de conflitos, mas desta vez eu me peguei esperando certas coisas que são comuns na Alemanha e não no Brasil. Os hábitos de Berlim não são necessariamente normais no Brasil e vice-versa.

1. Escadas

Foto via Wikimedia Commons
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Em Berlim, eu moro no terceiro andar, sem elevador. Não é horrível, mas no começo eu sempre chegava em casa sem fôlego. Nos dias de alergia intensa, ainda chego sem fôlego. Mas não é só em casa que as escadas reinam. Nas estações de transporte público, no trabalho, escadas são normalmente a opção mais comum, mesmo quando não são a única opção.

Já no Brasil, em todos os lugares que me hospedei, nas estações de transporte público, nos prédios comerciais e residenciais… o elevador é rei. É impressionante como a gente se acostuma rápido a não ter que fazer esforço, além de se acostumar rápido com a vista do 10º andar 🙂 Só que o corpo sente falta do movimento das escadas, e as costas travam rapidinho com tanto conforto!

2. Comida

Na Alemanha, a comida é em média bem menos saborosa do que no Brasil (para o meu paladar). Mas isso acontece também porque a forma de servir comida é diferente. Aqui é normal ter cerca de 3 ingredientes no prato, com bastante molho. Mas muito molho mesmo! Há também muita ênfase não só em batata, mas em alguns vegetais, como cenouras, repolhos e beterrabas.

Já no Brasil, a gente curte um prato com 84735085472 elementos. Arroz, feijão, farofa, alguma carne, legumes, batata frita, ovo frito, salada e às vezes uma bananinha frita. Além disso, a gente come uma mistura dessas pelo menos duas vezes por dia, nuns pratos enormes (se você come em restaurante).

Foto do Wikimedia Commons
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Meu marido, alemão, ficou surpreso e foi vencido pela quantidade e frequência de comida no Brasil. Aqui em Berlim as porções em restaurantes são grandes na maior parte dos lugares. Porém, ninguém comeria um prato daqueles duas vezes no mesmo dia. O normal por aqui é jantar um pãozinho com frios, no máximo um sanduíche pequeno. No Brasil, o jantar sempre foi uma ocasião especial. Lá em casa era a única forma de reunirmos a família toda, além de uma oportunidade de comer delícias que demoram para cozinhar, como uma boa carne assada com feijão. Fora de casa, era uma chance de me reunir com amigos durante a semana ou nos finais de semana.

Depois de comer tanto no Brasil, é bom voltar às porções caseiras e refeições menores da Alemanha que nos deixam menos pesados, apesar do gosto da comida no Brasil ser totalmente imbatível.

3. Serviço

Em todas as culturas existem regras de comportamento que simplesmente são, não há explicação. Na Alemanha, a regra é ser muito rápido na fila do supermercado e, ao contrário, ser paciente num restaurante. A primeira vez que fiz compras no mercado em Bremen, fiquei muito estressada. Eu não falava alemão, mal tinha aterrisado no país, tudo era estranho. Haviam três pessoas na minha frente e, sem exageros, em menos de dois minutos todos os meus itens já tinham sido escaneados e a caixa já esperava que eu entregasse o dinheiro. As pessoas atrás de mim na fila já me olhavam, aquela tensão de estar fazendo algo errado.

Fonte: Wikipedia
Fonte: Wikipedia

 

Três anos depois, eu aprecio muito essa rapidez. Estou sempre preparada e desenvolvi meu método para mudar com pagamento, empacotamento e dar espaço para o próximo cliente. É possível! Depois de passar no caixa, existem balcões para as pessoas arrumarem suas compras sem atrapalhar os outros.

Nesta visita ao Brasil, fomos ao supermercado e claro que a experiência foi bem diferente no caixa. Além de termos que lidar com uma pessoa furando a fila na cara de pau, a moça do caixa alternava entre escanear um item, conversar com o colega do caixa ao lado e folhear uma revista de ofertas do mercado. E tudo bem. Ninguém da fila estava incomodado ou reclamando da demora. Havia uma aceitação de que uma fila com cinco pessoas deve demorar quase meia hora, as pessoas olhavam os produtos perto do caixa, usavam o celular ou observavam os vizinhos de fila.

Para nós foi quase uma tortura, eu por falta de hábito, o marido por choque cultural. No fim, foi uma história engraçada para contar e, em algum lugar, há um vídeo da demora feito para provar ao amigos daqui que não estamos exagerando.

No mundo dos restaurantes, a expectativa e a experiência são diferentes. No dia em que pousamos no Rio, fomos jantar no maravilhoso Alfaia em Copacabana. Após recebermos a comida, o garçom ficou por perto da mesa nós observando. Para mim, normal. Confesso que nunca nem tinha reparado. Já o marido ficou super desconfortável. Me perguntou se o garçom ia ficar nós olhando. Se ele estava esperando alguma coisa. Se havia alguma forma educada de pedir que ele fosse fazer outra coisa. Mesma coisa em restaurantes onde os garçons servem a comida no prato em vez de deixar que a própria pessoa coloque comida no prato. No Brasil, é uma gentileza, um mimo. Mas para um alemão, parece meio invasivo, exagerado.

Fonte: Wikimedia
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Quando vamos a restaurantes em Berlim, há uma rotina bem clara que sempre acontece. Somos recebidos, sentamos normalmente onde quisermos e recebemos o cardápio. Daí somos deixados totalmente sozinhos. Por um tempo considerável. No começo eu me irritava, porque às vezes eu tinha uma pergunta ou queria pedir um belisquete, mas zero chance. De repente, eis o garçom. É bom estar preparado para pedir tudo que você quer, pois essa é a sua chance. Soa ruim, não? Mas não é. A não ser que seja um restaurante super miúdo, você tem a oportunidade de ficar na intimidade com seu acompanhante, amigos ou família. Ninguém por perto significa também conversas livres e tranquilas, sem constantes interrupções. Menos mimos, mais intimidade.

4. Transporte

Fonte: usuário do Flickr Polones Arts & Tattoo´s
Fonte: usuário do Flickr Polones Arts & Tattoo´s

 

Seria covardia comparar o sistema de transporte público de Berlim com o do Rio, São Paulo, Natal e Porto Alegre. Mas algumas coisas muito básicas que sentimos falta e que, pelo menos no Rio, costumavam existir eram as informações, em alguns pontos de ônibus, sobre quais linhas pass31am naquele ponto. Eu nunca tinha notado antes como a maior parte dos pontos não oferece nem essa informação básica. Itinerário dessas ônibus então… por isso no Rio eu fui positivamente surpreendida pelos novos adesivos nos pontos do BRS em Copacabana. O sistema é confuso e questionável, mas pelo menos nesses pontos é possível saber que linhas param onde e a direção geral para onde elas vão, mesmo que não seja um itinerário completo.

Em Berlim, como já falamos no post sobre o transporte da cidade, existe sempre a informação de que linhas param no ponto, para onde elas vão com uma lista completa dos pontos onde elas param e em que horário os ônibus, trens ou metrô passam. Em alguns pontos temos também informações em tempo real de quando virá o próximo ônibus ou metrô, além de informações sobre eventuais atrasos.

E você? Que hábitos você viu ou adquiriu do exterior e que não são tão comuns no Brasil? Quais foram os seus choques culturais em viagens?

Confira mais sobre hábitos culturais: 6 hábitos que adquiri depois de 2 anos morando em Chicago6 hábitos brasileiros que causam choque cultural quando se mora em Londres5 hábitos cariocas que perdi depois de 2 anos morando em São Paulo6 coisas que não gosto em Paris

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