5 hábitos cariocas que perdi depois de 2 anos em São Paulo

Neste mês completei 2 anos morando em São Paulo. É curioso porque, para mim, passou muito rápido – e ao mesmo tempo parece que sempre estive aqui. Para os amigos paulistanos, ainda sou a carioca que fala bixxxxcoito. Para os amigos cariocas, sou aquela que perdeu o sotaque tijucano e deixa escapar um “mano, fala sério!” de vez em quando. A verdade é que, mesmo não mudando de país, e sim de cidade, a gente acaba adquirindo novos hábitos e perdendo alguns antigos. Alguns costumes e manias cariocas acabei deixando para trás – ou pelo menos estou vivendo o processo 🙂 Como esses aqui: 

1) Atrasar por atrasar. Eu sei que atrasar não é de bom tom em qualquer lugar do mundo. Mas o relógio dos cariocas corre diferente dos outros, sabe? No Rio, se eu marcasse algo para as 15h, só avisaria aos amigos que estava atrasada às 15h30 – e provavelmente eles também estariam atrasados, ou teriam chegado há pouco tempo. A etiqueta do atraso é mais flexível no Rio (claro que não incluo sessões de teatro ou cinema, que têm hora marcada, nesta categoria). Sempre digo para os paulistanos que, entre cariocas, 10 ou 15 minutos não configuram atraso, quanto mais um atraso grave. Já em São Paulo é diferente: acredito que muitas vezes, com a preocupação do trânsito ou do transporte público – se vai estar ruim, se vai estar bom, se vai estar lotado, se vai dar pane na Linha X do metrô -, muita gente chegue antes da hora em seus compromissos. Sim, amigos, São Paulo é o terror do carioca recém-mudado: não só as pessoas chegam na hora como também chegam antes da hora. Hoje em dia tento ao máximo evitar atrasos de bobeira e, quando sei que eles serão inevitáveis, aviso às pessoas envolvidas que vou atrasar e chegar depois do combinado. Assim elas saem mais tarde de casa, por exemplo, e não perdem tempo me esperando. 

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2) Pegar táxi o tempo todo em caso de atraso. No Rio, muitas vezes eu me atrasava para o trabalho e pegava um táxi – não dava mais de R$ 25. Pega um túnel aqui, pega a praia dali, em meia hora no máximo eu estava onde precisava. Aqui em São Paulo, se eu me atrasar, posso gastar de R$ 40 a R$ 70, dependendo do trânsito. Imagina isso toda semana, somado no fim do mês. Uma fortuna! 🙂 Claro que quem mora na Barra e trabalha no Centro, no Rio, conhece bem esse drama (não vou nem falar da Ponte Rio-Niterói, onde já gastei horas preciosas da minha vida, e da falecida Perimetral, cuja morte mudou o trânsito da cidade). Mas aqui em São Paulo eu acabei me tornando uma pessoa mais organizada e precavida com os meus trajetos, tudo para evitar gastos desnecessários de táxi. Tento combinar trechos por transporte público e trechos menores com táxi, quando inevitável. As zonas de São Paulo são muito maiores e às vezes muito distantes entre si do que no Rio (quando morava na Tijuca/Zona Norte e estudava em Botafogo/Zona Sul, chegava na faculdade, de ônibus, em meia hora. Experimenta ir da Zona Norte a Zona Sul de São Paulo para ver quanto tempo leva! Uma amiga já ficou 3 horas no trânsito…). A verdade é que aplicativos como o Moovit e o Google Maps ajudam muito a vida de quem anda de ônibus e metrô, assim como o Waze auxilia quem anda de carro. 

taxi

3) Tomar aquele banho de meia hora quando está muito frio ou muito calor. Como todos sabem, São Paulo vive uma dramática crise no fornecimento de água. Aqueles banhos de meia hora ficaram para trás, faça sol ou faça chuva. Vou lavar o cabelo? 10 a 15 minutos, no máximo. Sem lavar o cabelo? Banhos de 5 a 8 minutos, estourando. Aceita que dói menos!

banho

4) Decidir programas em cima da hora. Logo que cheguei em São Paulo, mesmo tendo muitos amigos na cidade, me senti muito sozinha. Aqui, todo mundo tem agenda. Todo mundo se programa, se organiza, combina os rolês (como dizem meus amigos paulistanos) com antecedência. Eu saía do trabalho em busca de companhia para uma pizza, um drinque, uma volta no shopping que fosse, e raramente alguém estava disponível. Juro que comecei a achar que o problema era eu #piscianadramatica. Mas aí entendi que eu ainda estava pensando com a minha cabeça de carioca. No Rio, tudo está marcado e nada está marcado. É normal telefonar para confirmar programas já “combinados”; também é normal ligar para uma amiga e dizer “sei que combinamos de ir ao cinema hoje, mas é aniversário da Fernanda/Mariana/Rachel e todo mundo vai estar lá. Vamos?”; e é mais do que normal a sua amiga topar, sem ressentimentos. As coisas são decididas no fluxo, o combinado se descombina em questão de segundos, e uma programação completamente nova surge diante dos seus olhos. O bar marcado era o X, estamos no Y, e o João/Leonardo/Luiz que tinha dito que não poderia vir acabou aparecendo e trazendo mais 5 amigos que eu não conheço, mas que no fim da noite já terão dito “vamos marcar, mesmo!”. Ou seja: no Rio, numa quinta à noite, mesmo sem ter nada combinado, alguma programação apareceria. Em São Paulo, você ficaria a ver navios. Meu conselho: programe-se e seja feliz. 

girls

5) Pedir para a manicure tirar a pontinha da unha. Esse hábito perdi não por não tentar, mas por admitir a derrota. No Rio, o padrão ao fazer as unhas – seja em casa, por conta própria, ou no salão, com a manicure – é limpar a pontinha da unha para que o esmalte dure mais. Mas não é limpar pouco, é deixar uma faixa quase sem esmalte, sabe? Isso evita que as unhas estraguem ao lavar louça ou puxar zíperes (eu sempre estrago a unha puxando zíperes de calças jeans ou bolsas). Pois é. Aqui em São Paulo isso não é muito comum. Como minhas habilidades manuais se resumem à cozinha, vivia pedindo às manicures amigas para fazerem esse favor. Já ouvi risadas, reclamações e confissões: “Tati, você vai me desculpar, mas não sei fazer isso. É quase uma francesinha!”. Resultado: desisti. E hoje meu esmalte começa a lascar em apenas dois dias 🙁

nails

Também é carioca em São Paulo? Que costumes do Rio você deixou para trás? Divida com a gente nos comentários!

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