Conheça as imperdíveis festas italianas de rua de São Paulo

Um dos pratos da Festa de São Vito Crédito: Marcos L (Foursquare)
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Crédito: Divulgação

Para quem cresceu na Zona Norte do Rio de Janeiro, conhecendo São Paulo pelas novelas de Silvio de Abreu na TV, ter a chance de ir a uma festa de rua no Brás, no Bixiga ou na Mooca parecia um programa imperdível. E é, mesmo! Tradicionais em São Paulo, essas festas de rua – não confundir com as festas juninas, que merecem um post à parte mês que vem – celebram santos italianos e fazem parte do calendário da cidade. Mesmo que religião não seja o seu forte, vale ir a todas. Onde mais você vai encontrar senhorinhas falando alto, muito funiculi funicula no som e muita, mas muita comida gostosa e barata?

O calendário das festas italianas de rua de São Paulo começa com a Festa Italiana de Casaluce. A festa, que acontece desde 1900 na Paróquia de Nossa Senhora de Casaluce, no Brás, tem mais de 28 barracas de comida, bebida e doces italianos e acontece até final de maio. Curiosidade: em todo o mundo, só existem duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora de Casaluce – em São Paulo e em Nápoles, na Itália, “terra natal” da Santa. Nesta eu ainda não fui, mas meu amigo Luiz Pattoli diz que é a melhor de São Paulo – e eu boto fé em tudo que o Pattoli diz. E você, já foi lá? 

Meu coração bate forte com a festa que começa em junho, também no Brás: é a festa de São Vito Mártir, uma das minhas preferidas. Para quem gosta de ver gente e sentir aquele clima de quermesse, São Vito é uma delícia. O santo é padroeiro da cidade italiana de Polignano A Mare – o mesmo nome da rua onde acontece a festa. Ficazzellas, spaghetti, polpetones, antepastos, cannolis: dá para se perder no meio de tanta oferta e de tanta gente. Dica: se estiver em dupla, evite pedir pratos repetidos. Divida as porções, normalmente fartas e com bom preço (a partir de R$ 8, varia de acordo com o prato). Há sempre a opção de sentar-se na cantina, com preço fixo. Mas, pelo menos para mim, a grande curtição é bater perna, ver as mammas preparando os quitutes nas barracas, a criançada… Festas de ruas são democráticas por natureza. Pegue sua comida, encoste num cantinho e veja a vida passar. No palco costumam rolar danças típicas e música italiana. Se você fechar os olhos, é capaz de escutar a voz da Nair Bello e da Hebe Camargo. Momento trívia: uma tonelada de tomates é consumida por fim de semana na festa de São Vito.

Um dos pratos da Festa de São Vito Crédito: Marcos L (Foursquare)
Um dos pratos da Festa de São Vito Crédito: Marcos L (Foursquare)

A colônia italiana em São Paulo é grande. Pensa que acabaram as festas? Que nada. Em agosto é a vez da que, na minha opinião, é a mais bacana e famosa de todas: Santa Achiropita. Da região da Calábria, Achiropita vem de  a-kirós-pita (não pintada por mãos humanas – no caso, uma imagem de Nossa Senhora em uma igreja). Padroeira do bairro do Bixiga, Santa Achiropita dá nome à paróquia do bairro e à festa. Minha dica: esqueça o sábado, vá à festa no domingo. E chegue cedo. Por volta das 21h, as filas já começam a incomodar. Habitualmente a festa começa no princípio de agosto: marque no calendário e volte aqui quando estiver mais perto!

Fechando a lista das festas italianas de rua, chega San Gennaro. De todas, é a menor. Mesmo assim, não é menos divertida. Localizada na Mooca, a festa de San Gennaro costuma acontecer entre setembro e outubro. O cardápio é parecido: a diferença está nas filas, bem menores que nos outros eventos. (Nota da redação: para quem viaja a Nova York no segundo semestre, vale conferir as datas da festa de San Gennaro na cidade, também em setembro. São ruas e ruas ocupadas com barraquinhas e maravilhas como concursos de quem come mais pizza!).

Outra dica: algumas das festas italianas de rua de São Paulo já trabalham com sistema de cartão de créditos em vez de fichas. Você vai ao caixa, recarrega seus créditos e passa direto nas barraquinhas. Para as que ainda trabalham com fichas, vale estimar seus gastos antes de comprá-las (todas aceitam cartão de débito e crédito) para não terminar a noite com fichas na mão. Ah, sim: toda a renda de todas as festas é revertida para as obras de caridade das respectivas paróquias – a de São Vito, por exemplo, mantém uma creche conveniada à prefeitura de São Paulo e que atende crianças de 1 a 4 anos em período integral.

De resto, leve um agasalho – entre maio e outubro, que é quando rolam essas festas, sempre dá aquela esfriadinha à noite. E não conte calorias, pelo menos por uma noite.

 

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