Exposição ‘Cidade Gráfica’ reúne antigos letreiros de Lisboa no Convento da Trindade

Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Há dois anos os designers Rita Murias e Paulo Barata começaram a colecionar letreiros antigos de Lisboa. Com a mudança de perfil do comércio da cidade, Rita e Paulo perceberam que havia uma história sendo esquecida e que deveria permanecer registrada. Pois o inventário que eles acumularam ao longo deste tempo deu origem à exposição ‘Cidade Gráfica’, em cartaz até 17 de março no Mude Fora de Portas, no Convento da Trindade.

‘Cidade Gráfica’ foca na tipografia das fachadas de comércios lisboetas do século XX. Numa das primeiras salas da exposição, a reprodução de uma frente de loja do fim do século XIX / início do século XX, mostra uma época em que as lojas não tinham letreiro nem tinha nome à porta, apenas os tipos de produtos que comercializavam pintados na parede.

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Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

‘Cidade Gráfica’ reúne letreiros de diversas épocas do comércio de Lisboa. Dos letreiros de vidro com letras em folhas de ouro das lojas de luxo dos anos 40 aos neons que coloriam o Rossio e os Restauradores nos anos 80. Cada peça é acompanhada de um breve histórico. Além disso, projetos de arquitetura enviados para a Câmara Municipal de Lisboa e fotos antigas ajudam a contextualizar a exposição para o visitante.

Embora reúna letreiros mais antigos e até portas corta-vento – daquelas que ficavam logo na entrada dos antigos armazéns – são os luminosos que se destacam em ‘Cidade Gráfica’. Pelas cores e pelo zunido tão característico que fica ecoando em algumas salas.

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Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

A vedete a exposição é o antigo letreiro do Hotel Ritz. Cada letra, com 57 anos de idade e 100 quilos de peso, foi retirada de uma altura de dez andares da fachada. Uma equipe de alpinistas se dividiu entre o topo e a base do prédio, retirando e recebendo as letras parte por parte. “Foi o grande momento do projeto”, conta Rita. Na mesma sala, o enorme logotipo em neon do jornal Diário de Notícias, que pertenceu a uma extinta livraria do Rossio, também se destaca.

Quem vê a variedade de letreiros na exposição, pode até achar que foi fácil para Rita e Paulo montarem sua coleção. Mas cada aquisição foi resultado de meses de conversa e insistência com os proprietários e até de disputa com outros interessados, entre donos de antiquários e arquitetos em busca em uma peça original para algum projeto. Além do investimento de boa parte das economias do casal em compra, retirada e manutenção de cada peça. O apoio da empresa de luminosos Neolux, que ajudou os designers em várias etapas da aquisição de peças e da montagem da exposição, também foi fundamental para o projeto.

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Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Exposição Cidade Gráfica. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

A exposição ‘Cidade Gráfica’ é parte do projeto Mude Fora de Portas, ação do Museu do Design e da Moda, que vem promovendo sua programação no Convento da Trindade, enquanto o prédio original passa por uma reforma. A mostra com curadoria de Rita e Paulo foi o primeiro passo de um projeto mais ambicioso dos dois designers: criar um museu da tipografia lisboeta. Que seja em breve.

Cidade Gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX

Onde: Convento da Trindade. Rua Nova da Trindade 20, Chiado, Lisboa, Portugal
Funcionamento: Terça a domingo, 10:00 às 18:00
Estação próxima: Baixa-Chiado
Quanto custa: Grátis

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