Escher: exposição em Lisboa traça a trajetória do artista holandês

Retrato de Escher na exposição. Foto: Reprodução
Retrato de Escher na exposição. Foto: Reprodução

Tesselações: é essa palavra difícil a chave do trabalho de Escher. Um dos artistas mais pop que a Holanda já produziu ganha uma exposição no Museu de Arte Popular em Lisboa que perfaz sua trajetória em 160 obras e mostra toda a sua habilidade em conjugar arte e ciência de forma a extrapolar seu trabalho para além do universo das telas.

Maurits Cornelis Escher cresceu numa casa de classe média em Amsterdam entre o fim do século XIX e início do século XX e teve ali mesmo o primeiro contato com a arte: nos tromp l’oeil que adornavam as portas de sua casa. Do espanto inicial com o efeito tridimensional deste tipo de pintura, surge o interesse do artista na capacidade de criar ilusões através de desenhos.

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Uma das tesselações de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Uma das tesselações de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

No princípio, era a art nouveau

Aluno da Escola de Artes Decorativas e Arquitetura de Harleem nos anos 1920, Escher se iniciou nas artes visuais flertando com o movimento art nouveau. A referência à natureza nessa corrente artística encontrou respaldo no seu interesse pelo tema e foi o ponto de partida para sua carreira como pintor.

Os primeiros trabalhos, que traziam gravuras com desenhos realistas de flores e insetos, logo se transmutaram em paisagens superrealistas da Itália, país que Escher escolheu para viver entre 1921 e 1935 – tendo saído de lá quando o regime fascista dava sinais de grande força.

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A Calábria na visão de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
A Calábria na visão de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Paixão por paisagens italianas

Durante sua temporada na Itália, Escher foi aprimorando o detalhismo de suas criações. As belezas naturais das cidades do sul da Itália o inspiravam tanto quanto a arquitetura clássica de Roma, que deu origem a uma bela série de xilogravuras de cenas noturnas. As obras da fase italiana de Escher trazem uma característica que segue o artista por toda a sua carreira: uma riqueza de detalhes quase hipnótica, tanto para a natureza quanto para a arquitetura.

E foi essa certa hipnose provocada pelos grafismos caleidoscópicos de Alhambra – uma imponente fortaleza árabe em Granada, na Espanha – que marcou o ponto de virada da carreira de Escher rumo às tesselações. Encantado com a repetição simétrica dos mosaicos árabes, o artista holandês começa a trabalhar esse tipo de decoração geométrica, na qual triângulos, quadrados e estrelas se repetem à exaustão de forma a não deixar espaços vazios.

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As escadas infinitas de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
As escadas multidirecionais de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Tesselações: a marca de Escher

Escher se aprofundou na técnica das tesselações criando imagens em que figuras geométricas se fundem a animais e humanos em entrelaçamentos intrincados que acabaram se tornando um dos pontos altos de sua obras. É a partir dessa fase, já no final dos anos 1930, que Escher começa a inserir mais elementos matemáticos nos seus desenhos.

Reflexos, estruturas espaciais e superfícies refletoras são elementos que se veem em suas obras a partir deste ponto, que vão evoluindo até chegar às tentativas de representação do infinito que viraram ícones da criação do artista e lhe deram notoriedade. O talento de Escher para misturar matemática e arte, aliás, foi o que lhe rendeu uma série de convites para realizar trabalhos comissionados numa época em que poucos artistas o faziam. Painéis públicos, cartões de felicitações e até selos personalizados foram alguns dos trabalhos que Escher produziu sob encomenda em finais dos anos 1960.

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Capas de discos com obras de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Capas de discos com obras de Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Eschermania

Foi também nessa época que seu trabalho começou a se destacar fora do universo restrito das artes plásticas e da matemática, ganhando o mundo pop. A obra de Escher ilustrou capas de discos de diversas bandas, entre elas o Pink Floyd, estampou criações de alta moda de grifes como Chanel e Alexander McQueen e, inspirou uma série de criadores de obras da TV e do cinema, como Os Simpsons e Harry Potter.

Os exemplos contemporâneos da Eschermania encerram a exposição no Museu de Arte Popular em Lisboa. A mostra traz algumas peças interativas que explicam melhor para os pequenos os princípios matemáticos na obra de Escher. E há ainda alguns espaço mais midiáticos, que convidam (literalmente) a uma selfie. “Escher”, a exposição, fica em cartaz até o dia 27 de maio de 2018 foi prorrogada até 16 de setembro de 2018 e é um ótimo programa para se fazer na região monumental de Belém – para quem busca mais que contemplar a Torre ou o Padrão dos Descobrimentos.

Selfie à la Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Selfie à la Escher. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

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