Conhecer os Açores com guia ou sem guia? Os prós e contras de cada experiência

Grota do Inferno, em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Grota do Inferno, em São Miguel. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Se tem uma coisa que a vida moderna facilitou em termos de viagens foi a independência do viajante. A facilidade de acesso à informação torna bem mais fácil pegar a estrada por conta própria com a segurança de não se estar entrando numa grande roubada. Por outro lado, há destinos que só vão ser realmente bem aproveitados com a ajuda de um guia ou de uma empresa turística que te dê suporte. Na nossa temporada na Ilha de São Miguel vivemos as duas experiências. E contamos aqui quais são os prós e contras de conhecer os Açores com guia e sem guia.

De Lisboa à ilha de São Miguel: incluindo os Açores no seu roteiro de férias em Portugal

Fim do tour com a Keep Walking Azores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Fim do tour com a Keep Walking Azores. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

Conhecer os Açores com guia

Os guias conhecem as melhores histórias, e num passeio guiado você vai poder ficar sabendo sobre aqueles mitos e lendas que só os locais conhecem. Por exemplo, foi Jorge, nosso guia da Keep Walking Azores, quem nos contou a lenda de que ‘tea’, a palavra inglesa para chá, na verdade é uma corruptela de T.E.A. (Transporte de Ervas Aromáticas), a sigla que identificava os carregamentos de chá de Portugal para a Inglaterra. Cá entre nós, segundo a etimologia, ‘tea’ na verdade é uma variação de ‘te’, uma das formas de se pronunciar chá em chinês. Mas que a história é boa, isso é.

Os guias conhecem aqueles restaurantes escondidos com as melhores cozinhas. É bem verdade que por mero acaso dias antes de ir para os Açores eu tinha conhecido um jornalista de gastronomia que tinha acabado de voltar de São Miguel e me deu a dica do Mané Cigano. Mas se não fosse ele, Hugo, nosso guia da Picos de Aventura, teria feito a indicação desse que é um botequinho no melhor estilo pé-sujo (#amomuito) com uma cozinha maravilhosa.

Anfiteatro: uma experiência gastronômica criativa, na Ilha de São Miguel, Açores

Com Hugo, guia da Picos de Aventura, e os Cultuga, Rafael e Priscila. Foto: Flávia Motta / Almost Locals
Com Hugo, guia da Picos de Aventura, e os Cultuga, Rafael e Priscila. Foto: Flávia Motta / Almost Locals

A sabedoria dos guias

Os guias sabem te livrar de uma roubada. Você programou aquele passeio que merece ser feito num dia de céu claro mas, como o tempo nos Açores é caprichoso, acordou com muitas nuvens e até uma certa chuva? Calma que o guia te salva. Foi exatamente o que nos aconteceu no dia da visita a Sete Cidades, que não tinha como ser alterada. Mas Jorge, nosso guia da Keep Walking Azores, bom conhecedor da área, alterou a programação, encurtou paradas, alongou outras e salvou nosso dia. Já o Hugo nos avisou que, em dias de tempo nublado, nem valia a pena o esforço de ir ao miradouro da Lagoa do Fogo, pois não veríamos nada.

Um outro ponto que pesa a favor de explorar os Açores com guias é o fato de que as informações sobre o arquipélago não são fáceis de encontrar. Como os Açores estão se abrindo para o turismo agora, não há tantos relatos disponíveis na internet para orientar o viajante independente. E muitas empresas e comércios locais ainda têm uma presença online bem tímida, o que dá aquela dificultada na vida de quem quer fazer tudo por conta própria.

Viajar pelos Açores: o que você precisa saber antes de visitar o arquipélago

Nosso carro em São Miguel, da Autatlantis. Foto: Priscila Roque / Cultuga
Nosso carro em São Miguel, da Autatlantis. Foto: Priscila Roque / Cultuga

As boas estradas micaelenses

Por outro lado, é bem verdade que nem tudo na Ilha de São Miguel precisa da companhia de um guia para ser visitado. E, sendo as estradas boas e bem conservadas, o viajante independente vai se virar mais do que bem rodando sozinho por ali – e parando quantas vezes quiser para fotografar vacas, hortênsias ou mais-uma-vista-de-tirar-o-fôlego.

Nos sete dias em que estivemos nos Açores, contamos com o apoio da Autatlantis, que nos cedeu um carro de aluguel. Com ele nós exploramos, por conta própria, toda a região da Ribeira Grande – incluindo o Areal de Santa Bárbara e a Caldeira Velha -, conhecemos as Furnas e visitamos a fábrica de chá Gorreana no nosso tempo, sem pressa. O Rafa, do Cultuga, foi nosso motorista oficial nessa viagem e conta as impressões dele sobre as estrada açorianas nesse post aqui.

No fim das contas, acho que vale o equilíbrio. Se você busca uma experiência mais aventureira, acho fundamental ter um guia ao seu lado, que conhece bem aqueles caminhos e pode ter dar mais segurança nos passeios. Se seu tempo estiver muito apertado, um guia vai te ajudar a otimizar seu roteiro. Por outro lado, se você não tem pressa e acha que se perder também faz parte da viagem, explorar São Miguel sozinho (pelo menos algumas áreas) vai te proporcionar boas descobertas.

Quer saber mais sobre o que visitar em Lisboa? Entre em contato e saiba como ter um guia de Lisboa personalizado, com o Almost Locals Experience.

A série de posts “Açores para Brasileiros” foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. Essa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do Visit Azores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – Azores Airlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa. Todas as opiniões neste post são da autora. 

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