CHI: Como é morar em Chicago sem carro

Morar nos EUA sem ter carro soa estranho. Mas é possível em cidades como Chicago e Nova Iorque, que tem uma rede extensa de transporte público e que são caminháveis. Quando nos mudamos para Chicago já sabíamos que, pelo menos no começo, não teríamos carro. E essa opção virou nosso estilo de vida. Mas isso só é possível devido a alguns fatores:

Moramos perto da estação do metrô – cerca de 7 minutos caminhando. Dentro do trem são menos de 20 minutos até o loop (centro da cidade) e 45 minutos até o aeroporto internacional O’Hare;

– Eu ter morado e dirigido no trânsito caótico de São Paulo por 21 anos. Não quero nunca mais ter que dirigir um carro na vida. Eu era uma péssima motorista, sem paciência, agressiva, costurava no trânsito e sofria de road rage. Um ser humano patético, hoje consigo ver;

 
Nosso bairro tem praticamente tudo o que precisamos num raio de uma milha – uma distância facilmente caminhável. Farmácia (aqui farmácia vende de tudo), mercadinho, academia, cabeleireiro, pediatra, dentista, molduras, consertos de costura, sapateiro, correio, fisioterapia, veterinário e ótimos cafés, restaurantes e take outs;

– Meu medo de dirigir na neve, que é praticamente uma areia movediça que ao invés de afundar, joga o carro pra lá e pra cá. Quando neva bastante acontecem vários atropelamentos no loop, pois mesmo em baixíssima velocidade é possível perder o controle do carro e subir na calçada.

Além disso usamos e abusamos de serviços que facilitam nossa vida

Instacart, serviço que entrega nossas compras de supermercado. Os que gosto são Costco (um atacadão com produtos de ótima qualidade) e Whole Foods (para coisas orgânicas);

Amazon Prime, que por uma anuidade de menos de 100 dólares entrega os pedidos em 2 dias. Também usamos o Amazon Subscribe and Save, onde temos assinatura de vários produtos não perecíveis (produtos de higiene, limpeza e enlatados) que são entregues uma vez por mês;

GrubHub, que entrega comida de restaurantes;

Enterprise, serviço de car sharing que usamos quando temos que ir a um lugar mais afastado nos subúrbios (Ikea ou pegar visita especial no aeroporto. Visita descolada chega aqui em casa de metrô. Existe uma estação dentro do aeroporto.);

Divvy bikes. Temos uma assinatura anual deste serviço de bicicletas compartilhadas (que custa 70 dólares). Chicago é plana e é possível ir de bicicleta para qualquer lugar;

UberX, que é muito melhor e mais barato que taxi (isso é assunto para um post separado);

– O serviço de ônibus também é bom. Existe um aplicativo que mostra onde o ônibus está e que hora vai chegar no ponto, dá pra acompanhar de casa e diminuir a espera.

No verão comprei uma bicicleta e um trailer para levar minha filha à escola pelo 606, o parque elevado de Chicago. Agora que o outono chegou e está esfriando ela tem um cobertor especial para ir quentinha. Mas 90% das crianças chegam à escola de carro e virei meio que figura folclórica com a bicicleta e o trailer. Não vou dizer que é mais fácil viver sem carro. Quando faz muito frio é difícil. Mas é uma opção econômica, sustentável e saudável. Por enquanto, vamos indo bem – sem carro.

 

 

A foto que abre este post é do blog Bicycle Dutch.

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