CHI: 6 hábitos que adquiri depois de dois anos morando em Chicago

Está chegando meu aniversário. Dia 29 de outubro foi o dia em que chegamos em Chicago. Dois anos morando aqui. O que mudou em mim? Como a mudança me afetou? Hoje vou cobrir 6 tópicos e pretendo revisitar este post a cada aniversário.

1. Bicicleta como meio de transporte

Quando saí de São Paulo em outubro de 2013 andar de bicicleta como modo de transporte (para ir ao trabalho ou levar filhos na escola) era suicídio. Aqui em Chicago, mesmo com o inverno e muita neve existem muitos ciclistas na rua. Eu os observava e ficava com vontade. Adoro andar de bicicleta, mesmo sendo meio sem noção (tipo cair parada na calçada). Finalmente neste verão decidi comprar uma bicicleta para levar minha filha na escola pelo 606. Também adotei a bike como modo de transporte para a maioria dos meus compromissos. Ainda não sei como será o inverno, tenho medo de levar um tombaço no gelo. Por enquanto no outono ainda está rolando. Hoje de manhã fez 9 graus e com luva, gorro e uma echarpe de algodão consegui me virar bem.

Aqui muitos ciclistas desafiam as leis de trânsito e por isso, apesar de eu ser uma ciclista certinha, sinto o ódio generalizado vindo dos motoristas que tem que lidar com ciclistas folgados a todo o momento. E também tem muito pedestre sem noção, principalmente no loop (downtown). Eu planejo meus trajetos usando somente ciclofaixas/ciclovias e evito ir ao centro que tem pedestres e carros demais pra meu nível de habilidade. 

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Minha bike novinha e o trailer pra levar minha filha à escola.

2. Checar a previsão do tempo várias vezes ao dia

O clima em Chicago é imprevisível. Se você acha que o clima em São Paulo é doido, você não viu nada. Em abril um lindo dia de sol no parque se torna um pesadelo por conta de um vento gelado dos infernos. Isso fez com que eu ficasse viciada no meu app de previsão do tempo. Vejo antes de dormir pra decidir o que vestir e fazer no dia seguinte. De manhã pra confirmar o que vi na noite seguinte (muitas vezes o tempo virou completamente).

3. Andar sempre com um cardigan ou layer extra na bolsa

Vide item 2. Sempre ando com um cardigan, moletom, suéter ou echarpe na bolsa. No verão, porque o ar condicionado dos lugares fechados está ligado no máximo (quem está acostumado com o Rio de Janeiro do verão sabe como é). Na primavera e outono, porque aquele vento maligno sempre aparece de surpresa.

4. Guarda chuva não serve pra muita coisa

Vide item 2 novamente. A maioria das chuvas vem com muito vento e o meu guarda chuva made in China não está aguentando. Preciso investir em algo muito mais robusto.

5. Ódio por neve

Uma coisa é ser criado sabendo se divertir na neve com slides, construir bonecos de neve, guerras de bolas de neve, fazer snow angels, e todas essas coisas divertidas para crianças. Outra coisa é chegar adulto e presenciar uma nevasca que parece desastre natural onde toneladas de neve caíram do céu de uma vez só. Os carros atolam, algumas pessoas não limpam a calçada de neve e aí não dá pra passar (são obrigadas por lei, mas cagam na nossa cabeça), e finalmente dibs, uma prática péssima e egoísta que consiste em, depois de limpar o trecho onde o carro está estacionado pra conseguir sair, reservar a vaga com móveis velhos, tralhas e bugigangas diversas. Discussões, brigas, carros riscados e freios sabotados são alguns do resultados.

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Dibs: sorry for your hard work bro, mas a rua é pública

6. Puxar conversa com estranhos

O povo do meio oeste americano é muito amigável, e Chicago não é exceção. Ás vezes vejo um asshole aqui ou ali, mas na maioria das vezes as pessoas são legais e #deboa.

Acabo de encontrar a Cindy. Conheci a Cindy no meu café preferido, ela estava pintando com aquarela, puxei conversa e expliquei como quando eu era criança eu me considerava uma artista mas o processo de virar adulta matou qualquer intenção artística dentro de mim. Cindy me deu um lápis mágico e disse que a partir daquele dia a artista estava de volta. Comecei a desenhar de novo, comprei um set de canetinhas japonesas carésimas, uma mesa de luz, e estou lentamente desenvolvendo meu estilo e técnicas. Na semana que vem marcamos de nos encontrar e ela vai me ver meus desenhos.

Outro dia conheci o Peter. Ele estava acompanhado de Vera, uma K9, cachorra que ele adotou depois que os dois se aposentaram da polícia. Em meia hora de conversa no meio da rua dividimos opiniões sobre gentrificação, crime, pobreza e desigualdade nos EUA. Ele confessou que era favor da descriminalização das drogas e descobri que existe policia liberal.

Essas são algumas das pessoas mais interessantes que conheci puxando conversa á toa.

Você tem curiosidade de saber mais hábitos das Almost Locals? Aguardamos sugestões de posts!

A foto destacada é do flickr user dharder9475

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4 Comentários

  • Meu maior sonho é morar em Chicago. Gostaria de saber como surgiu a oportunidade de você morar aí…
    Não tenho nenhum parente que resida nos EUA e ainda não decidi que faculdade cursar. Você acha que o curso pode ajudar bastante na escolha de um emprego para residir fora?

    • Oi Nathan, tudo bem? A Dani não está conseguindo acessar aqui o blog, mas enviou essa resposta para você.
      Abraço

      “Olá! Tivemos a oportunidade de vir pra cá por transferência de trabalho em uma multinacional baseada nos EUA. Não sei dizer se o curso escolhido faz diferença. Minha impressão é que algumas profissões têm maior demanda, mas é importante escolher algo que você goste de fazer. Procure se informar quais profissões terão bastante demanda nos próximos anos. Trabalhar em uma multinacional e fazer um ótimo trabalho que te dê destaque é um caminho. Nós brasileiros em geral somos flexíveis, o que conta pontos pois os americanos são muito focados no que fazem e só isso. Por outro lado é importante se adaptar ao estilo de comunicação direta que muitas vezes no Brasil é interpretada como áspera. Imigrar para os EUA é difícil, por causa das leis restritas, mas não é impossível. Boa sorte!”

  • Será que você pode escrever sobre Indianapolis, alguns lugares legais pra conhecer gente.

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