CHI: 4 perrengues que a neve causa em Chicago

Quantas vezes vezes você ouviu alguém dizendo que morre de vontade de ver neve? Se não você mesmo? A Tati quando viu neve pela primeira vez quase chorou e saiu cantando música do Frozen. A Jordana foi mais pragmática: lambeu. Nós brasileiros que crescemos vendo filmes de white christmas e em geral temos um fascínio por neve. Mas neve é tudo isso de bom?

Neve é um fenômeno meteorológico polêmico. É verdade que é lindo ver os flocos caindo e é muito bom brincar na neve fofinha. Mas nem tudo são flores (no caso lindos snowflakes). Dá trabalho viver com neve. Tem gente que não liga e tem gente que odeia. Quais são os maiores perrengues de viver em um lugar que neva?

1. Dirigir

Se a neve foi mediana, sair com o carro requer tirar o gelo do pára brisa e tirar a neve do chão com pá pra conseguir sair com o carro sem atolar. Se foi neve braba, é necessário literalmente desenterrar o carro. Nessas horas você pensa que ter garagem coberta não é luxo, é necessidade. Depois disso é rezar pra que a prefeitura tenha tirado a neve das ruas. A maior probabilidade é que demore dias até que cheguem na sua rua, pois a prioridade são as avenidas, e as ruas laterais ficam pra depois. E a prefeitura não tem equipamento suficiente, está praticamente falida, bla bla bla…

Dirigir na neve é um negócio traiçoeiro. Ás vezes atola, ás vezes derrapa. Se você acha que manter controle do carro é importante talvez esse negócio de dirigir na neve não seja pra você. As dicas que tenho são 1. ir devagarzinho 2. evitar acelerar demais pra não derrapar e 3. nunca, jamais meter o pé no freio bruscamente. Com sorte você vai precisar acordar só 20 minutinhos mais cedo pra lidar com a situação e chegar no horário seja lá onde você precise estar. Mas é melhor se preparar pra acordar uma hora antes, just in case.

2. Estacionar

A natureza é cruel. Depois de ter acordado uma hora antes do normal pra lidar com a neve, chegando em casa, se você não tiver uma garagem coberta, vai ter que desenterrar uma vaga pra estacionar. O que nos leva à prática de dibs: Depois de desenterrar o carro, a pessoa “reserva” a vaga, colocando cones, cadeiras, móveis velhos e quinquilharias pra ter a vaga quando voltar. A prática de dibs é polêmica. Quem teve o trabalho de desenterrar o carro acha justo reservar a vaga. Quem está procurando uma vaga pra estacionar não acha e ai se estacionar em uma vaga reservada: quando o “dono” chegar seu carro está sujeito a riscos, espelhos quebrados, pneus furados e até pior. No ano passado uma moça teve os cabos de freio do seu carro cortados. Em geral dibs é considerado uma prática não amigável, antiética (apropriação de espaço público) e de mau gosto.

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Dibs. Só não dá pra saber como o carro vai entrar ou sair com a muralha de neve do lado da rua. Foto: flickr user agit-prop
3. Caminhar

Tem que gostar muito de slalom pra caminhar na neve. O primeiro obstáculo são as pessoas que não limpam as calçadas. A neve acumula e congela causando muito transtorno pra quem caminha e pior: cadeirantes, carrinhos de bebê e pessoas com problemas de locomoção simplesmente não conseguem passar por esses trechos. Em Chicago quem não limpa a calçada está sujeito a multa mas parece que não está funcionando. Vejo muitos trechos onde os moradores não estão nem aí.

Um obstáculo a ser evitado a qualquer custo é black ice, que não é preto, é totalmente transparente e imperceptível. Aí mora o perigo. Você acha que vai pisar no pavimento molhado e de repente você está no chão se perguntando o que aconteceu. A neve não é a única causa de black ice, mas pode acontecer quando ela descongela e a água congela de novo. Outro obstáculo é slush, que é uma mistura de gelo e água que acontece quando a neve derrete. Ela se mistura com sujeira da rua e adquire uma cor cinza ou marrom, que apelidei de ugly snow

4. Viajar de avião

O aeroporto de O’Hare, apesar de ser bom, é odiado por muitos. É ponto de conexão para quem está viajando por estar estrategicamente localizado bem no meio do país entre a costa leste e oeste. Uma escala em O’Hare significa atrasos, cancelamentos e aborrecimento na vida de quem viaja durante o inverno.

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Vôos cancelados em O’Hare, em fevereiro deste ano. Foto: Bruno Cardoso 

 

Mas nem tudo é horrível. Como estamos em Chicago e o povo do meio oeste é muito amigável, é possível ver vizinhos ajudando a desenterrar carros, gente saindo no frio pra desatolar carros de estranhos e perguntando “are you okay?” estendendo a mão a quem levou um belo tombo.

 

A foto que abre este post é de John W. Iwanski

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4 Comentários

  • Olá, estou indo a Chicago em fevereiro e gostaria de saber onde posso comprar, e quais as roupas especiais que necessitarei. Obg.

    • Oi Gabriela! Fevereiro costuma ser um dos meses mais frios em Chicago. Eu costumo vestir um baselayer sintético, calça e blusa de manga comprida por debaixo da roupa. Evite algodão pois acumula a umidade do suor e faz vc passar mais frio. Depois uma blusa/jaqueta de fleece bem quentinha e uma calça jeans grossa. Por cima um casaco recheado de down (pena de ganso). Na Uniqlo na Michigan Ave vc vai achar esses itens com um preço camarada e de ótima qualidade. Entre no site e procure pela linha Heattech. Outros itens obrigatórios: luva grossa (eu gosto de mittens, aquelas luvas que não tem separação entre os dedos), cachecol volumoso pra cobrir até o queixo, gorro, e meias quentinhas (meias para snowboarding são uma boa opção).

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