Almost Tourists: Guia prático para visitar os Castelos do Vale do Loire em 2 dias

Para quem não conhece, o Vale de Loire é uma região histórica e famosa pelo grande número de castelos (maravilhosos), localizados  nas proximidades do rio Loire e de seus afluentes. Os castelos marcam as épocas medieval e renascentista francesas e são carregados de histórias de reis e rainhas que governaram o país. Um banho de cultura francesa, romantismo e cenários cinematográficos.


COMO IR

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Foto: Grand Hotel Saint Aignan

Visitar os châteaux do Vale do Loire saindo de Paris não é complicado: existem até excursões que fazem a viagem no estilo “bate-volta”, em apenas um dia. Isso porque a região fica a uma distância média de 200km da capital francesa, dependendo, claro, dos castelos que a gente escolhe visitar.
De carro é uma distância tranquila, a estrada tem pedágios e é muito segura. Talvez a única coisa chata pode ser o trânsito para sair de Paris. Por esse motivo, na viagem que fiz, preferi partir num sábado de manhã.

Para o aluguel do carro, vale pesquisar. Aqui vão três sites diferentes onde é possível comparar os preços e diferentes condições de uso:

Auto Europe: http://www.autoeurope.eu/car.cfm
Rental Cars: http://www.rentalcars.com/
Auto Escape: http://www.autoescape.com/rates.php

Existe também um site estilo AirBnB de carros: o Ouicar.fr ( http://ouicar.fr ), no qual é possível alugar carros particulares. Dependendo da distância é interessante.

No meu caso, o escolhido foi a Alamo, que encontrei pelo site Auto Europe, porque mostrava preços nos quais a quilometragem era ilimitada – algo que me dava mais liberdade em caso de mudanças no trajeto. Ficou em torno de 75€ pelos dois dias.

PS: Selecionei o ponto de retirada na Gare de Lyon, porque mesmo com os carros retirados nos aeroportos sendo mais baratos preferi o conforto de um ponto central pela duração da viagem.

Para o trajeto,  vários aplicativos servem de GPS, entre eles o Waze e o Google Maps. Nosso eleito foi o próprio Plans do Iphone, pela sua simplicidade e porque conseguíamos recarregar a bateria do celular no carro. Basta digitar o nome do castelo escolhido e ele vai sozinho. (Claro, precisa ter internet, então se você não mora aqui, é altamente recomendável comprar um chip 😉 )

 

HOSPEDAGEM

No meu caso, quis fazer uma viagem mais em conta e com mais interações com locais, por isso, preferi alugar um quarto na casa de alguém. Utilizei o AirBnb e fiz pesquisas também no Couchsurfing.

Ao viajar de carro, na hora de se hospedar, você pode escolher entre se isolar em uma Chambre d’Hôtes no campo (são pessoas que recebem viajantes em suas belas casas, no estilo B&B) ou ficar mais centralizado em alguma das cidades da região (Blois, Tours, Amboise).  

Escolhi ficar em Tours, porque além de ser uma cidade linda que sempre me atraiu (o velho centro é TODO medieval, com casinhas sustentadas por colunas de madeira) é também uma cidade mais movimentada, com um pouco de vida noturna, restaurantes e bares. Um tanto quanto universitária, um público até muito jovem e por isso mais viva.

Ficamos no apartamento do Cédric, bem localizado no centro. E, o mais importante,ao lado de um “Parking” (estacionamento pago de carros) super econômico. As cidades francesas têm sempre um problema de estacionamento, por serem sempre muito velhas e pouco adaptadas à modernidade dos carros! Quem escolhe fazer um roadtrip precisa levar esse detalhe em consideração. 🙂

 

CHAMBORD, CHENONCEAU, TOURS E AMBOISE

Como o tempo era curto (de sábado de manhã até domingo no final da tarde) a ideia do roteiro era fazer três dos castelos mais conhecidos: Chambord, Chenonceau e Amboise. Meu objetivo não era quantidade, mas sim curtir o passeio com calma em todas as suas etapas.

Dia 1

Chambord – o maior do Loire

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Foto: Chambord – Visite au Château

Saindo de Paris às 09h fomos diretamente ao castelo de Chambord, onde chegamos por volta das 11h. Com a ajuda do app Plans, foi fácil de encontrar e paramos no estacionamento do castelo. Maravilhoso e bem conservado, o castelo de Chambord é o maior do Vale da Loire e por isso não podia faltar no nosso roteiro básico. Pegamos logo o audioguia e ficamos umas duas horas dentro. O que mais gostamos foi a maravilhosa escada do donjon e o terraço com uma vista incrível para o domínio de Chambord.

 

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Foto: Chambord – Jordana para Almost Locals

Almoçamos ali mesmo, logo ao lado do castelo, onde havia várias opções de restaurantes com diferentes fórmulas déjeuner (entrada+prato+sobremesa por 20 e poucos euros). Escolhemos o Le Cave des Rois, especializado em carnes. Os produtos eram da região, a carne no ponto certo e os queijos frescos e perfumados. Aproveitamos para degustar uma taça de Cheverny, vinho da região. Dá para ver que durante a primavera e verão o lugar é ainda mais agradável pela terrasse, então fica a dica.

Chenonceau – o Castelo das Damas

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Foto: Chenonceau – Jordana para Almost Locals

No período da tarde seguimos o caminho em direção a Tours e paramos para visitar o segundo castelo: Chenonceau. O mais romântico, conhecido como Castelo das Damas, por ter sido sempre curado por diferentes mulheres da história, como Catarina de Médicis e Diane de Poitiers. O castelo foi construído sob o rio Cher, afluente do Loire, e é como uma ponte. Possui um jardim em forma de labirinto e um outro com um restaurante gourmet – que não fizemos, mas deixou vontade. Ambos bem cuidados. Como fomos no meio de março imagino que ainda não estavam no seu esplendor total.

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Foto: Chenonceau – Jordana para Almost Locals

Tours –uma cidade de charme medieval e vida noturna

Após Chenonceau, continuamos até a cidade de Tours. Ali já sabiamos onde ficava o estacionamento pago (Parking Jean Jaurès) perto do apartamento do nosso anfitrião, Cédric, e preferimos guardar o carro em segurança. Custou apenas 3,90€ a noite toda!

Cédric é proprietário de um bar muito do simpático, chamado Le Gros Bars, no velho centro de Tours, e por isso combinamos de encontrar ali! Ele foi super solícito, explicou direitinho como funcionava tudo no apartamento, onde deveríamos ir em Tours e nos ofereceu um drink de boas-vindas!  Depois de trocar algumas ideias decidimos voltar ao apartamento, deixar nossas coisas e nos preparar para a noite. Por isso gosto tanto do AirBnb, a opção de interagir com os anfitriões é sempre uma experiência a mais.

A cidade de Tours é charmosa, porque mesmo à noite é possível apreciar a atmosfera medieval do velho centro, com suas luzes amareladas e ruelas calçadas de pedrinhas. É preciso dizer que a cidade é universitária. O que significa que nesse mesmo centro histórico existem muitos bares, muitos jovens e barulho e muita opções.  Basta se programar e escolher onde ir.

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Foto: Centro de Tours por Litteratur

Fiz umas pesquisas antes e decidimos jantar em um restaurante japonês, mesmo não sendo uma culinária “típica”. Melhor escolha impossível: o Nobuki é um desses restaurantes que casa Japão e França, tanto no serviço como também na execução dos pratos. Ou seja: delicadeza e excelência reinaram durante todo o serviço. Demos sorte porque conseguimos uma mesa na hora, mas normalmente é preciso reservar. As reviews e fotos no Trip Advisor ajudam a ter uma ideia mais precisa.

Para continuar a noite fomos ao Narbey, um bar-café despretensioso que tocava eletropop e com um público mais velho em comparação à faixa 18-24 dos outros bares do centro.

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Foto: Café da manhã em Tours- Jordana para Almost Locals

Dia 2

Amboise – bela vista do Loire e culturalmente rico

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Foto: Amboise por Viinz

No dia seguinte, decidimos tomar o café da manhã no centro velho e encontramos o café Marcel, super mignon, na praça principal, a Plumerau. Com o sol foi possível fazer o desjejum na terrasse, com direito à mesinhas decoradas em xadrez e visual romântico. 🙂

Em seguida, buscamos o carro e fomos em frente até Amboise, a última parada. Já chegando no povoado avistamos o castelo que fica bem perto do Loire. Estacionamos um pouco longe e fizemos um pedaço do caminho a pé, algo lindo de se ver porque ali muitas casas também seguem o estilo medieval, o que deixa tudo mais pitoresco.

Como esse era o último castelo decidimos pelo tour guiado (em francês) e foi uma escolha bem feita. Afinal, desse castelo restou pouca coisa do original, apesar de ser um dos mais emblemáticos em termos de história. A guia, super animada, conta muito sobre a vida dos reis que viveram ali e dos costumes da época, com muitas curiosidades. Na capela do terreno está o túmulo de ninguém menos que Leonardo da Vinci. Sua última morada, Clos Lucé, fica a 400 metros do castelo d’Amboise… Escolhemos não ir por conta do tempo curto, mas parece valer muito a pena não só pelos jardins, mas pelo estado de conservação do edifício.

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Foto: Tumba Leonardo da Vinci – Jordana para Almost Locals

Chegando ao fim da viagem, almoçamos mais tarde (16h) ao lado do castelo e pegamos a estrada para Paris às 17h30, diretamente. Volta tranquila, novamente guiados pelo Plans do iPhone. Mais perto de Paris mudei para o Waze, pois o trânsito estava mais denso, mas não tivemos atrasos significativos – chegamos à locadora, na Gare de Lyon, por volta das 19h40. Porém quem volta a Paris deve sempre levar em consideração os engarrafamentos, principalmente em alta temporada.

A minha viagem foi super agradável, sem surpresas negativas. Eu quis respeitar meus próprios limites de tempo e de orçamento, mas claro que se você puder passar mais dias e gastar mais dinheirinhos existem inúmeros outros castelos, sem falar das rotas de vinhos famosos da região (Sou pessoalmente fã de Chinon, Cheverny e Touraine). Para quem quer uma alternativa ao AirBnb, o Couchsurfing é a hospedagem gratuita no “sofá” de locais ou o Booking para quem prefere o conforto dos hotéis – e de algumas Chambres d’Hôtes mais luxuosas. Uma ideia para quem curte esportes é o roteiro dos castelos de bicicleta que dura três dias, vale a pena pesquisar.

LINKS INTERESSANTES:

Para programar a visita dos castelos
Château de Chambord 
Château de Chenonceau
Château d’Amboise

Opções de restaurantes em Tours:
Casse-Cailloux  – bistrô gourmand, comida feita com produtos locais e frescos.
Petite Cuisine – no melhor estilo “tapas” de cozinha francesa, em uma pequena cozinha como diz o nome.

 

**Foto de destaque:Culture Box – France Tv Info

 

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