Agenda de Blocos de Carnaval Rio 2017

Com 462 blocos registrados nesse ano, além de centenas de outros fora da programação oficial, não é exagero dizer que o Carnaval do Rio é o maior festival de música ao vivo do mundo. Por alguns dias, a dinâmica da cidade é alterada por milhões de pessoas que aguardaram boa parte do ano pelas festividades – uma trégua no cotidiano especialmente bem-vinda em um ano com Crivella, Doria, Temer e Trump.

Mas como escolher aonde ir? Por mais que o folião ame o Carnaval, é impossível apreciar a festa por completo – incontáveis blocos desfilam simultaneamente em partes diferentes da cidade. Além disso, a imersão é parte essencial da fruição; abrir mão de um bloco mais ou menos para ir a outro é fácil, mas deixar para trás uma boa atmosfera por uma incerteza é um dilema enfrentado por toda pessoa que pula carnaval. Por semanas e meses, você vai escutar histórias de um bloco incrível que saiu do outro lado da cidade, ou da fanfarra improvisada que surgiu da dissidência de uma banda, ou um bloco temático divulgado apenas no boca a boca.

Isso alimenta expectativa eterna para o próximo carnaval, a busca pela programação ideal. Mas quantidade de planejamento não é garantia de diversão; eu me arriscaria a dizer o oposto: surpresas e improviso são fundamentais. Ter um plano é um bom ponto de partida, mas viver uma experiência memorável depende de inúmeras variáveis (do tempo no dia, clima, seu humor no dia, quantidade de aditivos, companhia de quem vai com você quem encontra ao longo do caminho).

Dito isso, algumas dicas de programação a serem seguidas em busca do bloco de Schrödinger – aquele que pode ser o melhor do carnaval, desde que você não esteja nele.

Sábado, 18/02

Pérola da Guanabara desfila no sábado a partir das 15h em Paquetá e é uma boa pedida para quem gosta de um bloco mais intimista.

Às 16h, na praça General Glicério, em Laranjeiras, rola o bloco infantil Mini Seres do Mar, que sai pelo seu primeiro ano.

Domingo, 19/02

Os Escravos da Mauá fazem seu tradicional desfile com samba-enredo próprio nas ruas do entorno da praça Mauá.

À tarde, no centro, tem o maracatu dos Tambores de Olokum.

Sexta, 24/02

Concentrando por volta das 20h nas imediações do metrô do Flamengo, tem o anárquico e tradicional Brejeiro, desfilando pelas ruas no entorno da praça São Salvador.

Sábado, 25/02

Entra ano e sai ano, o Céu na Terra continua sendo um dos melhores blocos do carnaval – mas apenas para quem chega muito cedo e consegue acompanhar a banda de perto. Subir para Santa Teresa depois das 8h e se espremer pelas ruas estreitas até o largo das Neves pode ser uma desagradável provação, especialmente em dias de calor forte.

No fim da tarde, a Fanfarra Black Clube desfila em seu quarto carnaval, agora no Centro da cidade, em local a ser divulgado apenas no dia.

Para quem prefere algo minimamenente mais organizado, a partir das 18h, o Desce Mas Não Sobe, Minha Luz é de LED e Technobrass tocam de graça no Circo Voador, saindo em cortejo pela Lapa no final da noite/começo da madrugada.

Domingo 26/02

Todo folião carioca tem uma história com o Cordão do Boi Tolo, que desfila domingo de manhã, gravitando em torno do Cordão do Boitatá, que se apresenta de manhã na Praça XV. O horário exato de concentração e trajeto variam de acordo com a fonte a quem você pergunte – e isso pouco importa, pois não é raro que a procissão termine apenas na madrugada seguinte. Dependendo do itinerário, dá para emendar direto na Banda da Conceição, que sai à tarde no Morro da Conceição, também no Centro.

Segunda, 27/02

Pequeno bloco de amigos tocando marchinhas juntos, os Surdos e Mundos se concentram de manhã no Largo do Machado e desfilam pelas ruas do Catete até a Glória.

Em novo horário e dia, o afiadíssimo naipe de metais do Bloco Virtual se apresenta de manhã na Pedra do Leme. Vale a pena chegar cedo, as apresentações na sexta de carnaval dos anos anteriores atraiam uma multidão.

Terça, 28/02

Responsável direta ou indireta pela proliferação de fanfarras e blocos no Carnaval do Rio, a Orquestra Voadora desfila no aterro do Flamengo na tarde de terça. Se você não tem pique para encarar mais de cem mil pessoas, espere a banda chegar nos jardins do MAM, puxe papo com os músicos e descubra qual é a boa da noite (cada um terá uma dica diferente).

Portanto, tendo um plano, a dica é não se planejar. Deixe a mágica fluir, e se alguém te chamar para ir nos Amigos da Onça, Vem Cá Minha Flor, Me Enterra Na Quarta (que sai quarta-feira de cinzas à noite em Santa Teresa) ou no bloco-secreto-que-todo-ano-muda-de-nome, vá em frente sem medo. Se estiver ruim, é só ir para outro lugar. O compromisso do Carnaval é com a diversão, não com horários e planejamento. 

Foto de destaque: Giovanni Racca

Bruno Correia é redator e editor carioca, vive fora do Rio há dois anos e volta pela primeira vez como visitante durante o carnaval 2017.

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