3 gírias baianas que talvez você use errado

O imaginário brasileiro está repleto de estereótipos regionais. Infelizmente, alimentamos a ideia de que todo paulista é workaholic, que a dieta gaúcha é à base de churrasco e chimarrão, que o carioca é malandro e vive na praia… E, ao baiano, coube a lenda urbana de ser preguiçoso. Com ela, uma série de gírias baianas são repetidas exaustivamente nas imitações do povo da Bahia. E, acredite, muitas delas sequer são ouvidas por aqui, ou são usadas de uma forma totalmente diferente.

Então, se você não quer causar constrangimento a amigos baianos ao tentar usar gírias, com a melhor das intenções, fique atento a estes três erros muito comuns, que notei nos últimos três anos vivendo na capital baiana.

MEU REI

Honestamente, eu nunca ouvi um baiano chamar outro assim. Se for pisar nessas terras e quiser saudar aquele amigo soteropolitano que espera por você no aeroporto, esqueça o “meu rei”. Não sei no interior da Bahia, mas aqui em Salvador você terá um resultado mais realista e simpático se falar: “E aí, man?” (leia-se “mein”). Você também pode substituir por “véi” (de “velho”), muito falado em outros estados. Ambos podem ser usados para homens e mulheres.

MAINHA E PAINHO

Na capital, conheci poucas pessoas que realmente usam as gírias baianas “mainha” e “painho” para chamar os pais. Os baianos com quem tive contato e tinham esse costume geralmente traziam a expressão de outras cidades, do interior da Bahia, ou por um costume familiar. Ou seja, os termos existem, são usados, mas não estão obrigatoriamente na boca de todo o povo baiano, como acreditam muitos visitantes de outros estados.

Em Salvador, é bastante comum você ouvir as pessoas chamando os próprios pais de “minha mãe” e “meu pai”. No telefone, por exemplo, alguém pode dizer: “Minha mãe, você vem me pegar na escola?”. Já para se referir a outras pessoas (amigos, crianças), alguns usam “mãe” e “pai”. Nesse caso, os termos atuam como um “querido” ou “cara” (ou “man” ou “véi”, para já ambientar as palavras do último tópico). Exemplo: “Ô, pai, bora para o jogo do Bahia/Vitória?”.

OXE

Oxe, e baiano não fala “oxe”? Fala sim. E fala como você deve ler nessa frase – como uma interjeição. Nada de prolongar a palavra com um “ooooooxe”, carregado do estereótipo do baiano que fala devagar e arrastado. Ele é curto, com ênfase no “x” (esse sim pode ser prolongado). E, quando é usado com mais destaque, para demonstrar muita surpresa, enche a boa de quem fala com um redondo “ouxe”. Não tem nada de preguiçoso, nem na expressão, nem no baiano. Oxe!

E você, conhece outras gírias baianas que são usadas de maneira equivocada?

Esse por foi escrito pela Danielle Cristine. Cria de (Alô!) Nilópolis, na Baixada Fluminense, Danielle descobriu o prazer de explorar novas cidades aos 17 anos, quando foi morar em Niterói, para estudar Jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF). Do pai carioca, carrega o encanto pelas palavras. Com a mãe baiana, aprendeu desde criança a usar o melhor meio de transporte: as próprias pernas. Um dia, em Recife, conheceu um cearense que morava na Bahia. Não conseguiu – e nem quis – dizer não ao Nordeste. Há três anos fez mala e cuia para Salvador e não quer saber de outra vida. 

Foto de destaque: divulgação

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